Atlas da História

Kavad I e os mazdaquitas (c. 488–498): o movimento por bens e mulheres em comum e a queda do rei, segundo Tabari e Josué, o Estilita

c. 488–498: do primeiro ano de Kavad I (que começa em 22 de julho de 488, segundo Nöldeke) até o ano em que ele retoma o trono (início do 11º ano contado em suas moedas: 20 de julho de 498) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Pouco depois de subir ao trono em 488, o rei sassânida Kavad I apoiou, segundo Tabari, um movimento que pregava a divisão igual de bens e mulheres, liderado por Mazdak ou, segundo outra versão do mesmo Tabari, por Zaradusht. Os grandes e o sumo sacerdote o depuseram, e seu irmão Zamasp reinou até que Kavad voltasse, por volta de 498. O que sabemos do movimento vem de adversários e de cronistas posteriores, lidos aqui na tradução de Nöldeke e na crônica contemporânea de Josué, o Estilita.

Quem fundou o movimento

A tradição costuma chamar de fundador Mazdak, filho de Bamdad. Mas Nöldeke aponta uma segunda versão de Tabari, seguida por Yaqubi, segundo a qual o fundador foi Zaradusht, filho de Khoragan, de Pasa, e Mazdak seria só seu apóstolo entre o povo. Josué, o Estilita, fala dos 'Zaradushtakan', o que para Nöldeke reforça essa versão. Para ele, o essencial é que Mazdak levou a doutrina adiante com zelo e sucesso. Sobre a origem de Mazdak, Dinawari cita Istakhr, a outra versão de Tabari cita um lugar que Nöldeke não consegue verificar, e Nöldeke diz não saber se ele veio do Irã, do Iraque ou de Susiana. (Theodor Nöldeke (trad. e coment.); The Chronicle of Joshua the Stylite)

O que se ensinava

Segundo Nöldeke, Mazdak ensinava que todos os homens foram criados iguais e que era injusto um ter mais bens e mais mulheres que outro, e atribuía o mal aos demônios da inveja, da ira e da cobiça. Nöldeke reconhece o caráter religioso do movimento, ao contrário do socialismo moderno, e vê base religiosa na proibição de derramar sangue e comer carne, atestada numa tradução pálavi do Avesta que o ataca. Ele nota, porém, que as fontes árabes não dizem com todas as letras que o casamento foi abolido, e rejeita como lenda a anedota da mãe de Cosroes oferecida a Mazdak. (Theodor Nöldeke (trad. e coment.))

A aliança do rei, a queda e a volta

Nöldeke argumenta que Kavad usou o movimento para enfraquecer a nobreza e o clero, e que essa aliança vem logo no início do reinado. Os grandes o depuseram, e seu irmão Zamasp ocupou o trono; as moedas de Zamasp trazem os anos 1 a 3. Kavad fugiu para os hunos, onde, segundo Josué, casou com a filha de sua irmã e do rei dos hunos. As moedas de Kavad contam o ano 11 a partir de 20 de julho de 498, talvez quando só controlava parte do reino. Para Nöldeke, o rei voltou e reprimiu seus adversários sem impor o movimento à força. (Theodor Nöldeke (trad. e coment.); The Chronicle of Joshua the Stylite)

Fontes

  1. Theodor Nöldeke (trad. e coment.), Geschichte der Perser und Araber zur Zeit der Sasaniden: aus der arabischen Chronik des Tabari. Leiden: E. J. Brill, 1879 (domínio público). https://archive.org/download/32882018002272-geschichtederpe/HighRes_32882018002272_djvu.txt (texto bruto lido em 30/10/2026; trechos da narrativa de Kavad e do excurso 4, sobre Mazdak) Acessar
  2. The Chronicle of Joshua the Stylite, composed in Syriac A.D. 507, with a translation into English and notes by William Wright. Cambridge: University Press, 1882 (domínio público). https://archive.org/download/chronicleofjoshu00josh/chronicleofjoshu00josh_djvu.txt (texto bruto lido em 30/10/2026; capítulos 19 a 25) Acessar

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