Atlas da História

Sínodo de Isaque em Selêucia-Ctesifonte (410): a organização da Igreja do Oriente sob o rei Yazdgerd I, segundo as próprias atas

janeiro–fevereiro de 410 (bispos chegam na festa da Epifania, no mês de kanun II; primeira sessão na terça-feira, 1º de fevereiro, segundo a nota de Chabot) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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No início de 410, no 11º ano de Yazdgerd I, cerca de quarenta bispos da Igreja do Oriente se reuniram em Selêucia-Ctesifonte, convocados pelo rei por intermédio do bispo Marutha de Maiperqat, que viera do Império Romano com uma carta de bispos ocidentais. Sob a presidência do católico Isaac, aceitaram os cânones de Niceia e uma regra de um bispo por cidade, uniformizaram festas e jejum e receberam do rei um édito que confirmava a escolha dos chefes da Igreja. As atas foram preservadas pela própria tradição sinodal dessa Igreja.

A carta do Ocidente e a convocação

Segundo as atas, bispos do Império Romano, entre eles Porfírio de Antioquia, Acácio de Alepo, Paqida de Edessa, Eusébio de Telia e Acácio de Amida, escreveram a Marutha pedindo que a carta fosse lida diante do rei. Marutha a mostrou em segredo a Isaac, ambos a traduziram do grego para o persa, e o rei mandou aos governadores das províncias que enviassem bispos de Nísibis, Hedayab, Beit Garmai, Beit Huzaye, Maisan e Kaskar. Foram anotados quarenta nomes. Chabot observa que há só 37 assinaturas e que algumas teriam sumido da lista. (Jean-Baptiste Chabot (ed. e trad.))

O que os bispos aceitaram

Lida a carta ocidental, os bispos declararam aceitar, primeiro, que passasse a haver um só bispo por cidade e que fosse legítimo apenas o bispo estabelecido por três outros, com o aval do metropolita; segundo, que celebrassem juntos o Natal e a Epifania, o jejum de quarenta dias e a Páscoa; terceiro, os cânones do 'grande sínodo' de Niceia, cujo volume Isaac mandou trazer e ler. Quem não os aceitasse seria anátema. Todos prometeram assinar e o texto dá o Credo de Niceia em siríaco. Chabot, em nota, acha mais provável que fossem os 20 cânones autênticos, mas diz não ter certeza. (Jean-Baptiste Chabot (ed. e trad.))

O édito do rei e a oração pelos reis

Dias depois, Isaac e Marutha falaram ao rei, que respondeu com um édito dirigido ao grande vizir Khosrau-Yazdgerd e a outro oficial. Os dois levaram o recado aos bispos: quem eles escolhessem, aptos a governar o povo e estabelecidos por Isaac e Marutha, seria chefe, e quem se opusesse seria punido. Os bispos prometeram sob juramento obedecer, e mandaram registrar que em todas as igrejas se rezasse pelos reis e poderosos para que não tramassem contra o povo e a Igreja de Deus. Chabot anota, para este trecho, que as decisões internas teriam sido apresentadas ao rei antes dos cânones de ordem pública. (Jean-Baptiste Chabot (ed. e trad.))

Fontes

  1. Jean-Baptiste Chabot (ed. e trad.), Synodicon Orientale ou Recueil de synodes nestoriens. Paris: Imprimerie nationale, 1902 (Notices et extraits des manuscrits de la Bibliothèque nationale, t. XXXVII; domínio público). https://archive.org/download/ChabotSynodiconOrientale/chabot%20synodicon%20orientale_djvu.txt (texto bruto lido em 30/10/2026; tradução francesa das atas siríacas) Acessar

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