Complexo funerário de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), kurgan de 75 m de diâmetro da segunda metade do séc. VII a.C. (data em debate)
segunda metade do séc. VII a.C., segundo K. V. Chugunov; E. V. Perevodchikova considera a data não definitiva · Sibéria e Norte da Ásia, Ásia Central e Interior
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Arzhan 2 é um kurgan de 75 m de diâmetro no norte de Tuva, escavado de 2000 a 2004 por uma expedição russo-alemã. Segundo K. V. Chugunov, abrigou doze sepulturas com 18 sepultados e o sepultamento de 14 cavalos, e foi erguido em etapas: preparação da obra, funerais de um chefe e de uma mulher, e um fecho em plataforma de lajes e argila com um veado de pedra no centro. Chugunov data o conjunto da segunda metade do séc. VII a.C., mas E. V. Perevodchikova (2020) sustenta que a data não é definitiva.
Um kurgan de 75 m construído em etapas
Segundo Chugunov, o contorno externo das placas verticais do muro mede exatamente 75 m de diâmetro. Dentro da área elitizada foram estudadas doze sepulturas para 18 sepultados, o sepultamento de 14 cavalos e arreios, várias estelas de veados, placas com petróglifos e quatro 'tesouros-oferenda' com peças de arreio e armamento. Em 2 km a nordeste abriu-se uma pedreira, que destruiu um afloramento com petróglifos; as pedras gravadas foram reaproveitadas na base da obra. A sepultura 5 é a principal, e a 2 guardava os adornos do cavalo do 'rei'. (Chugunov)
Do preparo da obra à cobertura final
Chugunov propõe quatro momentos. Primeiro, o preparo: marcação do círculo, muro, cova principal e sacrifícios de fechamento, entre eles uma criança num caixão de tronco e um homem morto, sem pertences, junto à entrada (sepultura 24). Segundo, o funeral do chefe, com uma mulher posta na mesma câmara, caldeirões e um prato como atributos do rito, e estruturas redondas em forma de torre a sudeste, que ele supõe terem servido de mesas do banquete fúnebre. Terceiro, o fecho do espaço aberto com uma primeira elevação de 45 m de diâmetro e um grande veado de pedra no centro. Quarto, a entrada de 14 garanhões de freio no espaço, mortos e cobertos por um aterro único. (Chugunov)
Sacrifícios humanos e animais: o que o texto afirma
Chugunov diz que o funeral foi 'pomposo', com muitos sacrifícios, inclusive humanos, e justifica pela mulher posta na câmara principal. Sinais de morte violenta em dois sepultados do corredor entre o muro e a cerca (sepulturas 22 e 25) 'permitem supor' que foram mortos para acompanhar o casal 'real'. Descreve ainda uma cova ao norte, o 'complexo norte', com ossos soltos de 12 pessoas e de cavalos. Não dá contagem de pessoas sacrificadas no conjunto; a leitura é inferência dele sobre achados osteológicos que este registro não leu em fonte primária. (Chugunov)
Como se chega à segunda metade do séc. VII a.C.
A dendrocronologia, relata Chugunov, mostra que a madeira das câmaras das sepulturas 5 e 2 foi cortada no mesmo ano, entre o outono e o inverno; a escala da sepultura 11 cruza a da 5 em 30 anos, o que indica corte em época próxima, sem provar o mesmo ano. Ele conclui que o complexo tem uma cronologia interna: a sepultura 25 recebeu dois sepultamentos separados por tempo possivelmente longo. A posição absoluta, 'segunda metade do séc. VII a.C.', apoia-se, diz, em larga série de radiocarbono e em critérios arqueológicos como tipos de flecha e facas; só o último sepultamento (sepultura 25) poderia ir ao início do século seguinte. (Chugunov)
A objeção de Perevodchikova (2020)
O artigo parte de que a data de meados a fim do séc. VII a.C. 'praticamente não foi discutida' e de que Kuzmin já lera o radiocarbono como não anterior ao meado do séc. VI a.C. Seu argumento central é de metalurgia: se, como conclui R. S. Minasyan, os punhais foram fundidos, são de oficina chinesa, e o ferro fundido na China é datado do meio do 1º milênio a.C.; ela discute achados mais antigos (Jingjiazhuang, Shangcunling, Yanbulak, Alat) e conclui que eles não alteram essa data. Acrescenta que não há análise do vidro das incrustações. Pede que a data seja reexaminada. (Perevodchikova)
Os dois indivíduos de Arzhan 2 na paleogenética
Entre as amostras novas de Unterländer et al., Arzhan 2 aparece com dois indivíduos de dados nucleares: A10 (427.557 SNPs) e A17 (108.952 SNPs), ambos no grupo 5 (cultura de Aldy-Bel, 'leste'). O teste de computação bayesiana aproximada indicou que Zevakino-Chilikta e Aldy-Bel (grupo anterior) e Pazyryk (posterior) vêm de uma só população que se expandia, e que cita do leste e do oeste surgiram de forma independente, com fluxo gênico contínuo. Os autores admitem que uma origem ocidental não pode ser excluída. O trabalho não diz quem era o chefe de Arzhan 2. (Unterländer)
Fontes
- Chugunov, K. V. (Чугунов, К. В.). Аржан-2: реконструкция этапов функционирования погребально-поминального комплекса и некоторые вопросы его хронологии [Arzhan 2: reconstrução das etapas de funcionamento do complexo funerário e comemorativo e algumas questões de sua cronologia]. Российский археологический ежегодник [Anuário Arqueológico Russo], n. 1, 2011, p. 262-331 (seção Idade do Ferro). https://www.archeo.ru/izdaniya-1/rossiiskii-arheologicheskii-ezhegodnik/vypuski-ezhegodnika/pdf/18RAE1Chugunov.pdf (PDF baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Perevodchikova, E. V. (Переводчикова, Е. В.). О дате кургана Аржан-2 [Sobre a data do kurgan Arzhan 2]. Археологические вести [Notícias Arqueológicas], n. 26, 2020, p. 159-165. DOI 10.31600/1817-6976-2020-26-159-165 (resolve em doi.org e leva ao PDF em old.archeo.ru/doi/av/av-26/20Perevodchikova.pdf, baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Unterländer, Martina; Palstra, Friso; Lazaridis, Iosif et al. Ancestry and demography and descendants of Iron Age nomads of the Eurasian Steppe. Nature Communications, v. 8, art. 14615, 3 mar. 2017. DOI 10.1038/ncomms14615 (resolve em doi.org); texto lido na versão do PubMed Central (PMC5337992), baixado em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Ourivesaria de ouro do túmulo principesco de Arzhan 2 (Tuva, sul da Sibéria), em estilo animal cita-siberiano, de fins do séc. VII a.C. Fins do séc. VII a.C. (Armbruster e Meyer 2024: "late 7th to early 6th centuries BCE"). Chugunov (2011) data o complexo na segunda metade do séc. VII a.C., com a maior parte do material no último quarto do século, ou seja, c. 625–600 a.C.; em ano astronômico, c. −624 a −599. O ano −612 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo
- Kurgan Arzhan 1 (Tuva, sul da Sibéria): grande túmulo da época cita na virada dos sécs. IX–VIII a.C. virada dos sécs. IX–VIII a.C. (c. 800 a.C.), segundo Zaitseva et al. (2007), como citados por Sadykov et al. (2020); Marsadolov (2009) diz séc. VIII a.C.
- Sepultamento da mulher de Ak-Alakha-3 (planalto de Ukok) cultura Pazyryk, c. séc. V–III a.C. (Wikidata); achado em 1993
- Kurgans de Pazyryk séc. IV–III a.C. (Linduff e Rubinson 2021); Pazyryk 2 c. 300 a.C. (Hajdas et al. 2004)
- Canato Quirguiz (quirguizes do Ienissei) 693–1207 (Wikidata); séc. VI–XIII (Kradin 2016)
- Cultura Okunev fim do séc. XXVI a.C. – séc. XVII a.C. (Poliakov e Svyatko 2021)