La Braña 1, homem caçador-coletor mesolítico da serra Cantábrica (León, Espanha), de c. 5900 a.C.
7940–7690 cal AP (c. 5990–5740 a.C. em ano astronômico, 1950 − cal AP), data do esqueleto citada por Olalde et al. (2014); o ano −5865 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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La Braña 1 é o nome dado por Olalde e colegas a um dos dois esqueletos masculinos achados em 2006 numa caverna de montanha de La Braña-Arintero, em León, no noroeste da Espanha, de cerca de 7.000 anos atrás. Seu genoma, sequenciado a partir de um dente e publicado em 2014, foi o primeiro genoma completo de europeu anterior à agricultura. Segundo os pesquisadores, ele tinha alelos ancestrais de genes de pigmentação da pele e um alelo associado a olhos azuis, o que seria uma combinação de pele escura e olhos não castanhos que não existe mais na Europa, e já trazia muitas variantes de imunidade comuns hoje.
O achado e o dente
Segundo Olalde e colegas (2014), o sítio de La Braña-Arintero foi descoberto em 2006, quando dois esqueletos masculinos foram achados num sistema profundo de cavernas a 1.500 m de altitude, na serra Cantábrica, em León. O frio e a estabilidade térmica da caverna deram aos restos uma conservação excepcional. Os autores identificaram um dente com alta proporção de DNA humano (48,4%) e o sequenciaram com cobertura efetiva de 3,4 vezes, chegando ao primeiro genoma completo de um europeu anterior à agricultura. (Olalde et al. 2014)
Autenticidade e parentesco
Para descartar contaminação moderna, o grupo verificou os padrões de dano típicos de DNA antigo e estimou um limite superior de contaminação de 1,69% no DNA mitocondrial (haplogrupo U5b2c1) e uma taxa de 0,31% de falsos heterozigotos no DNA nuclear. Nas análises de componentes principais, La Braña 1 ficou longe dos europeus atuais e perto de povos do norte, como suecos e finlandeses, e mais próximo de caçadores-coletores escandinavos do que de agricultores neolíticos. Os autores acham ainda que ele compartilha ancestralidade com o indivíduo de Mal'ta, na Sibéria. (Olalde et al. 2014)
Pele, cabelo e olhos
La Braña 1 tinha os alelos ancestrais, homozigotos, nos genes SLC45A2 e SLC24A5, os dois locos de maior efeito conhecido na pele clara dos europeus; esses alelos são raros ou ausentes na Europa de hoje (3% e 0%). Tinha também o alelo C do rs12913832, na região HERC2/OCA2, fortemente associado a olhos azuis. Pela previsão de genótipos, os autores concluem que a pele provavelmente era escura e o cabelo escuro, com olhos não castanhos, e que a difusão dos alelos de pele clara não estava completa em algumas populações europeias no Mesolítico. (Olalde et al. 2014)
Imunidade, leite e amido
Dos dez alelos de variantes recentemente selecionadas nos europeus que os autores testaram, La Braña 1 tinha a versão derivada em cinco, três deles em genes do sistema imune, e a versão derivada em 24 de 40 genes de imunidade estudados (60%). Tinha ainda o alelo ancestral da intolerância à lactose e cerca de cinco cópias do gene AMY1 da amilase salivar, número compatível com dieta pobre em amido. Para eles, isso sugere que a digestão de leite e amido foi selecionada depois, na transição para a agricultura, e que parte da adaptação imune já existia antes dela. (Olalde et al. 2014)
Fontes
- Olalde, Iñigo; Allentoft, Morten E.; Sánchez-Quinto, Federico; et al. (2014). "Derived immune and ancestral pigmentation alleles in a 7,000-year-old Mesolithic European". Nature 507(7491): 225–228. DOI 10.1038/nature12960. Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4269527/ em 30/10/2026; volume e páginas conforme o cabeçalho do manuscrito, não conferidos na versão impressa. Acessar
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