Rev5, mulher do Neolítico inicial de Revenia (norte da Grécia), de c. 6350 a.C., com genoma sequenciado
6438–6264 cal a.C. (intervalo de 95,4%), c. 6437–6263 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1), data da amostra calibrada por Hofmanová et al. (2016); o ano −6350 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Rev5 é o rótulo de laboratório de uma mulher (sexo cromossômico XX) sepultada no sítio neolítico inicial de Revenia, no norte da Grécia, cujo genoma foi sequenciado por Hofmanová e colegas e publicado em 2016. Os autores datam a amostra em 6438–6264 a.C. calibrados, a época dos primeiros assentamentos agrícolas do Egeu, e dizem que seu genoma é muito parecido com os de agricultores de Barcın, no noroeste da Anatólia, e com os dos primeiros agricultores de outras partes da Europa. Para eles, isso aponta o Egeu como raiz dos agricultores europeus; a direção da dispersão dentro do próprio Egeu, porém, não pôde ser inferida com confiança estatística.
A amostra e a datação
Segundo Hofmanová e colegas (2016), Rev5 é a única amostra do Neolítico inicial do lado europeu do Egeu entre os cinco indivíduos neolíticos do estudo; os outros dois do Neolítico inicial, Bar31 e Bar8, vêm de Barcın, no noroeste da Anatólia. A Tabela 1 dá para Rev5 a data de 6438–6264 a.C. (95,4%, calibrada com OxCal e IntCal13), cobertura média do genoma de 1,16 vez, sexo XX e haplogrupo mitocondrial X2b. Os autores estimaram a contaminação mitocondrial entre 0,006% e 0,628% e relatam taxas de desaminação de até 56% em ossos petrosos do conjunto, um sinal de que o DNA é antigo. (Hofmanová et al. 2016)
O que o genoma mostra
Nas análises de componentes principais, os cinco genomas neolíticos do Egeu formam um agrupamento fechado com genomas do Neolítico inicial da Europa Central e do sul, perto dos sardos atuais. As estatísticas f3 indicam muita deriva compartilhada entre os genomas do norte do Egeu e todos os do Neolítico inicial europeu analisados. Nos modelos de mistura, o genoma anatólico mais antigo (Bar31) contribui com 39 a 53% da ancestralidade dos genomas do Neolítico inicial da Hungria e da Alemanha, e os haplogrupos mitocondriais dos cinco indivíduos são típicos de agricultores centro-europeus, não de caçadores-coletores. Os autores veem nisso a explicação mais simples: migração de agricultores do norte do Egeu para a Europa. (Hofmanová et al. 2016)
Duas rotas e pouca mistura
Hofmanová e colegas (2016) calcularam que os genomas neolíticos do Egeu e o do Neolítico inicial do norte da Espanha (Els Trocs) compartilham uma deriva que não aparece nos genomas da Alemanha e da Hungria. Para os autores, a melhor explicação é que a migração rumo ao sudoeste da Europa saiu do Egeu, mas foi independente do movimento que chegou à Alemanha via Hungria; eles admitem um cenário alternativo, de colonização muito rápida por uma só rota com fluxo de volta para a Grécia. Também apontam pequenas contribuições de caçadores-coletores nos agricultores europeus já nas fases iniciais, que crescem no Neolítico Médio. (Hofmanová et al. 2016)
A Grécia neolítica nos estudos de 2022
Silva e colegas (2022) situam a chegada da agricultura à Grécia por volta de 6700 a.C. e dizem que a maioria dos assentamentos foi fundada entre 6600 e 6400 a.C. calibrados, com a aparição simultânea de animais e plantas domesticados, cerâmica e artefatos de pedra polida. Segundo eles, o genoma de Revenia mostra fortes semelhanças com os de sítios contemporâneos do noroeste da Anatólia, como Barcın, e com os dos agricultores da Europa central e ocidental. Lembram que as semelhanças materiais do Neolítico grego com o Oriente Próximo apontam ora para o Levante, ora para a Anatólia central, o que, no entender deles, mostra a dificuldade de apontar uma única região de origem. (Silva et al. 2022)
Fontes
- Hofmanová, Zuzana; Kreutzer, Susanne; Hellenthal, Garrett; et al. (2016). "Early farmers from across Europe directly descended from Neolithic Aegeans". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(25): 6886–6891. DOI 10.1073/pnas.1523951113 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4922144/ em 30/10/2026; volume e páginas conforme o cabeçalho do PMC, não conferidos na versão impressa. Acessar
- Silva, Nuno M.; Papathanasiou, Anastasia; Triantaphyllou, Sevi; et al. (2022). "Ancient mitochondrial diversity reveals population homogeneity in Neolithic Greece and identifies population dynamics along the Danubian expansion axis". Scientific Reports 12: 13474. DOI 10.1038/s41598-022-16745-8 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9356035/ em 30/10/2026. A lista de autores foi vista só de forma parcial (cabeçalho do PMC); a ordem e os nomes citados aqui precisam de conferência. Acessar
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