Atlas da História

Amidos de trigos e cevada no cálculo dentário de caçadores-coletores de Vlasac (Portas de Ferro, Sérvia), c. 6600–6450 a.C.

c. 6600–6450 a.C. calibrados (Mesolítico Tardio de Vlasac, segundo Cristiani et al. 2016); o fêmur H81 (OxA-20762) deu 6640–6440 a.C. (95,4%, corrigido do efeito de reservatório), ou seja, c. 6639–6439 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1). O ano −6540 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 2016, Cristiani, Radini, Edinborough e Borić analisaram grãos de amido presos ao cálculo dentário de sete indivíduos mesolíticos de Vlasac, na garganta do Danúbio (Sérvia), e de três sepultados do Neolítico inicial de Lepenski Vir. Segundo eles, grãos do grupo Triticeae, compatíveis com trigo einkorn, trigo emmer e cevada, aparecem em indivíduos de Vlasac datados de c. 6600 a.C., cerca de quatro séculos antes do que se supunha para a chegada dos cereais domesticados ao interior dos Bálcãs. Os autores propõem que as plantas domesticadas chegaram antes do restante do "pacote" neolítico, por redes de troca entre caçadores-coletores do interior e os primeiros agricultores da costa egeia da Turquia.

Os sítios de Vlasac e Lepenski Vir

Segundo Cristiani e colegas (2016), mais de 20 sítios com depósitos mesolíticos foram descobertos nas Portas de Ferro do Danúbio nos anos 1960. Vlasac, do lado sérvio, foi ocupado quase sem interrupção desde cerca de 9500 a.C., e o uso do Mesolítico Tardio vai de c. 7400 a 6200 a.C. Teve habitações trapezoidais e lareiras de pedra, e 87 sepultamentos com 164 indivíduos nas escavações de 1970–1971, mais 17 sepultamentos nas de 2006–2009. Lepenski Vir fica cerca de 3 km a montante: os autores distinguem a fase de transição (c. 6150–5950 a.C.) e a do Neolítico inicial (c. 5950–5700 a.C.). Em Vlasac, as primeiras cerâmicas, com palha misturada à argila, aparecem na fase do Neolítico inicial. (Cristiani et al. 2016)

As amostras e as datas

Dos nove indivíduos de Vlasac escavados recentemente, o grupo analisou o cálculo dentário de sete: cinco do Mesolítico Tardio (c. 6600–6450 a.C.) e dois da fase de transição (c. 6200–5900 a.C.). De Lepenski Vir, vieram três mulheres sepultadas de forma encolhida, de ossos delicados e que, pelas razões de isótopos de estrôncio, não eram da região e provavelmente vinham das primeiras comunidades agrícolas; duas delas foram datadas diretamente em c. 5900–5700 a.C. O cálculo foi limpo com procedimentos descritos pelos autores, e a terra aderente, examinada à parte, não continha amido. (Cristiani et al. 2016)

O que os grãos de amido mostram

Os autores identificaram quatro tipos de grãos. O primeiro, do grupo Triticeae, aparece em vários indivíduos de Vlasac e em Lepenski Vir e corresponde a trigo einkorn, trigo emmer ou cevada de duas fileiras; os autores excluem as espécies selvagens do grupo pela forma dos grãos e porque, segundo eles, esses trigos e cevadas não tinham ancestrais selvagens nos Bálcãs. O segundo é compatível com aveia, selvagem ou cultivada; o terceiro, com grãos do grupo Paniceae, talvez Setaria; o quarto, com ervilhacas (Vicia). Há também um grão de pólen de Malva, que os autores relacionam ao consumo de mel ou ao uso como remédio, e fibras e escamas que vêm da poeira de ofícios. (Cristiani et al. 2016)

Interpretação e limites

Cristiani e colegas observam que as sementes de trigo emmer datadas de Franchthi (Grécia), de 6750–6430 a.C., foram atribuídas ao Neolítico, mas, à luz de seus resultados, poderiam ter relação com caçadores-coletores. Comparam a situação à do milho entre grupos de caçadores-coletores da América do Norte antes do cultivo e citam a hipótese de trigo no Mesolítico da Grã-Bretanha por volta de 6000 a.C. Para eles, o Neolítico não chegou como pacote único: seus elementos teriam sido transmitidos aos poucos e em épocas diferentes, por redes de interação entre caçadores-coletores e agricultores. (Cristiani et al. 2016)

Fontes

  1. Cristiani, Emanuela; Radini, Anita; Edinborough, Marija; Borić, Dušan (2016). "Dental calculus reveals Mesolithic foragers in the Balkans consumed domesticated plant foods". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(37): 10298–10303. DOI 10.1073/pnas.1603477113 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5027412/ em 30/10/2026; volume e páginas conforme o cabeçalho do PMC, não conferidos na versão impressa. Nome da segunda coautora, Marija Edinborough, conforme o cabeçalho do PMC. Acessar
  2. González-Fortes, Gloria; Jones, Eppie R.; Lightfoot, Emma; Bonsall, Clive; Lazar, Catalin; Grandal-d'Anglade, Aurora; et al. (2017). "Paleogenomic Evidence for Multi-generational Mixing between Neolithic Farmers and Mesolithic Hunter-Gatherers in the Lower Danube Basin". Current Biology 27(12): 1801–1810.e10. DOI 10.1016/j.cub.2017.05.023 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5483232/ em 30/10/2026. Acessar

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