Lepenski Vir (Sérvia): a fase III do Neolítico Antigo e a datação bayesiana do sítio (c. 5950–5800 a.C.)
fase III (Neolítico Antigo) de Lepenski Vir: início em 5990–5900 cal a.C. e fim em 5900–5660 cal a.C. (95% de probabilidade, modelo preferido), segundo Borić e outros (2018); o registro usa os pontos médios (5945 e 5780 cal a.C.) · Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Lepenski Vir, num terraço do Danúbio no Desfiladeiro de Ferro, na Sérvia, é conhecido pelos edifícios trapezoidais de piso de calcário e pelas esculturas em blocos de arenito. Segundo a modelagem bayesiana de Borić e colegas (2018), feita com 111 medições de radiocarbono, os edifícios trapezoidais (fases I-II) duraram entre 80 e 210 anos a partir de c. 6100 a.C., e a fase III, do Neolítico Antigo, começou em 5990–5900 cal a.C., com os primeiros animais domésticos e sepultamentos com o corpo contraído. Este registro trata dessa fase e da controvérsia cronológica que a cercou desde a escavação.
O sítio e a disputa sobre a cronologia
Segundo Borić e colegas, Lepenski Vir fica num terraço do Danúbio no Desfiladeiro de Ferro, a 14 km a montante de Donji Milanovac, e foi escavado de 1965 a 1970 numa área de 2.400 m². O escavador, Srejović, dividiu os depósitos em quatro fases: Proto-Lepenski Vir, fase I (subfases a a f, com edifícios trapezoidais de piso de calcário e lareira retangular central), fase II (muros de pedra) e fase III, neolítica. Datas de carvão dos anos 1960 já sugeriam que a fase I se sobrepunha a assentamentos do Neolítico Antigo vizinhos, e o sítio de Padina, com plantas trapezoidais parecidas, trouxe cerâmica do Neolítico Antigo nos pisos. (Borić et al. 2018)
Como a datação foi refeita
O trabalho reúne 111 medições de radiocarbono feitas por nove laboratórios: 25 de carvão, 47 de ossos de animais e 39 de ossos humanos, 21 delas inéditas. Os autores corrigem o efeito de reservatório da água doce em ossos humanos e de cão, por causa da dieta rica em peixe, e rodam três modelos bayesianos: com todas as datas, só com ossos (o preferido) e só com materiais articulados. Segundo eles, início, fim e duração das fases saem parecidos nos três, e datas antigas de carvão com códigos Bln e Z pedem cautela, pois 8 das 14 resultaram em valores atípicos parciais ou significativos. (Borić et al. 2018)
As fases pelo modelo preferido
Pelo modelo só de ossos, as fases Proto-Lepenski Vir (Mesolítico) começam em 9900–9280 cal a.C. e terminam em 7480–6860 cal a.C.; haveria um hiato de pelo menos 700 anos até as fases I-II, com os edifícios trapezoidais e as esculturas em blocos, que começam em 6170–6070 e terminam em 6010–5940 cal a.C., uma duração de 80 a 210 anos. A fase III, do Neolítico Antigo, começa em 5990–5900 e termina em 5900–5660 cal a.C. (todos a 95%), e os autores dizem que ela quase certamente se sobrepõe à parte final das fases I-II. (Borić et al. 2018)
Fase III: animais domésticos e corpos contraídos
Cinco datas de ossos de cabra, boi e porco de fossas da fase III indicam que os animais domésticos chegaram ao sítio por volta de 6000–5900 cal a.C.; nenhum doméstico aparece nos pisos trapezoidais das fases I-II. Cinco inumações primárias com o corpo contraído (sepultamentos 8, 17, 32, 73 e 88) datam de 5980–5640 cal a.C. e, segundo os autores, correspondem a um rito funerário neolítico introduzido nessa fase, que também traz fossas e fornos em cúpula. Um anzol de osso de 6100–6000 cal a.C., já da fase de transição, foi feito com broca mecânica, técnica nova que eles ligam a mulheres migrantes, com base em isótopos de estrôncio e DNA antigo que citam sem detalhar. (Borić et al. 2018)
O evento climático de 8,2 mil anos atrás
Bonsall e colegas, citados no artigo, haviam sugerido que o resfriamento de c. 6300–6100 cal a.C. teria feito os assentamentos do Desfiladeiro de Ferro migrar por risco de inundação, e que os pisos de calcário e as figuras de peixe-humano de Lepenski Vir responderiam a isso. Borić e colegas veem o início das fases I-II no fim desse evento ou depois dele, depois de uma lacuna de ocupação que consideram real, e afirmam que correlação não prova causa: segundo eles, a reocupação com construções elaboradas pode ter relação com o evento, mas a ideia de inundação das partes baixas do sítio é improvável, pois há datas de edifícios em cotas baixas e altas semelhantes. (Borić et al. 2018)
Fontes
- Borić, Dušan; Higham, Thomas; Cristiani, Emanuela; Dimitrijević, Vesna; Nehlich, Olaf; Griffiths, Seren; Alexander, Craig; Mihailović, Bojana; Filipović, Dragana; Allué, Ethel; Buckley, Michael (2018). "High-Resolution AMS Dating of Architecture, Boulder Artworks and the Transition to Farming at Lepenski Vir". Scientific Reports 8: 14221, 21 set. 2018. DOI 10.1038/s41598-018-31884-7. Texto bruto lido em https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC6155048/fullTextXML (Europe PMC, PMC6155048), em 30/10/2026. Acessar
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