Atlas da História

Leang Panninge: sepultamento toaleano

sepultamento de c. 7,3–7,2 mil anos atrás (Carlhoff et al. 2021) · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna calcária no distrito de Mallawa (Maros, sul de Sulawesi) onde escavações de 2015 acharam o sepultamento fletido de uma jovem caçadora-coletora, de c. 7,3–7,2 mil anos atrás. Ela pertence ao complexo toaleano, de micrólitos de dorso e pontas de Maros, e seu genoma tem afinidades com grupos papuas e aborígenes australianos, mas representa uma linhagem divergente, não detectada nos grupos atuais testados.

Uma caverna de entrada ampla no interior de Maros

Leang Panninge (Gua Panninge, em indonésio), no distrito de Mallawa, foi identificada como sítio de grande potencial numa prospecção de 2013. Segundo Carlhoff et al. (2021), a entrada, voltada para o oeste, tem 10 m de altura e 28 m de largura e rendeu densos conjuntos de material toaleano. Oito camadas de ocupação foram reconhecidas: a mais alta (c. 1,5 mil anos cal AP) traz cerâmica "neolítica" junto com microlitos de dorso toaleanos, e as camadas 2 a 4 são ocupações toaleanas sem cerâmica. Hasanuddin (2017), pesquisador do Balai Arkeologi de Sulawesi do Sul, escavou o sítio em 2015 e 2016 para entender as cavernas de moradia do interior e das terras altas; comparou o pátio externo com o interior da gruta e achou, no interior, duas camadas culturais, a primeira com microlitos e lâminas de dorso e a segunda com lascas e grandes raspadores, ausente no pátio. (Carlhoff et al. 2021; Hasanuddin 2017)

O complexo toaleano e o modo de vida dos caçadores-coletores

Para Carlhoff et al. (2021), os conjuntos mais característicos dos caçadores-coletores do Holoceno em Wallacea pertencem ao complexo tecnológico toaleano, datado de c. 8 a 1,5 mil anos atrás e encontrado apenas numa área de cerca de 10 mil km² no sul de Sulawesi. Eles se caracterizam por microlitos de dorso e pequenos projéteis de pedra, as pontas de Maros, lascadas por pressão. Em Leang Panninge, Hasanuddin (2017) relaciona o material lítico a fontes próximas: calcário, chert e rocha vulcânica, disponíveis sobretudo perto do rio que corre não longe da gruta. O mesmo autor conclui que os ocupantes caçavam animais comestíveis, sobretudo porcos e anoás. (Carlhoff et al. 2021; Hasanuddin 2017)

Um sepultamento de c. 7,3 mil anos atrás

A escavação de 2015 expôs, a cerca de 190 cm de profundidade, o primeiro sepultamento relativamente completo de um contexto toaleano seguro. Carlhoff et al. (2021) descrevem o corpo em posição fletida, coberto por grandes seixos, numa camada rica e sem cerâmica. A idade inferida, de 7,3 a 7,2 mil anos cal AP, vem da datação por radiocarbono (AMS) de uma semente queimada de Canarium achada a poucos centímetros do crânio (7264–7165 anos cal AP). Ao todo, datou-se material de oito carvões e três sementes, e uma inversão de idades na camada 4 indica mistura posterior ao depósito, que os autores consideram sem efeito sobre a idade do sepultamento. Pelos caracteres morfológicos, tratava-se de uma mulher de 17 a 18 anos, com afinidade geral australo-melanésia, sem ficar fora da variação recente do Sudeste Asiático. O DNA foi extraído da parte petrosa do osso temporal. (Carlhoff et al. 2021)

O que o genoma mostra e o que deixa em aberto

Os autores apresentam o resultado como, até onde sabem, o primeiro genoma humano antigo de Wallacea. Ele compartilha mais deriva genética com grupos atuais de Papua-Nova Guiné e dos povos aborígenes da Austrália, mas representa um perfil de ancestralidade até então desconhecido, que se ramificou depois das linhagens ligadas a Onge e aos caçadores-coletores hoabinhianos, por volta da época em que se separaram os grupos papuas e aborígenes. Nos modelos, o genoma aparece como mistura de ancestralidade papua com um componente asiático profundo (51 ± 11% de Tianyuan ou 43 ± 9% de Onge), e Carlhoff et al. (2021) sugerem que essa mistura asiática pode ser muito anterior à expansão austronésia, ocorrida em Wallacea há cerca de 4 mil anos. Também afirmam que não detectaram essa ancestralidade em nenhum grupo atual testado, o que pode indicar descontinuidade genética, e que não se sabe se essa população fez a arte rupestre do Pleistoceno do sul da ilha. Dizem faltar mais genomas toaleanos e de grupos atuais de Sulawesi. (Carlhoff et al. 2021)

Fontes

  1. Carlhoff, S.; Duli, A.; Nägele, K.; Nur, M. et al. (2021). "Genome of a middle Holocene hunter-gatherer from Wallacea". Nature 596: 543–547. DOI 10.1038/s41586-021-03823-6. Acessar
  2. Hasanuddin (2017). "Gua Panninge di Mallawa, Maros, Sulawesi Selatan". Naditira Widya 11: 81. DOI 10.24832/nw.v11i2.210. Acessar

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