Massacre dos judeus de Estrasburgo (1349): a acusação de envenenar os poços e a crônica de Closener
Fevereiro de 1349: prisões na sexta-feira, 13, e queima no sábado, 14 (dia de São Valentim), segundo Closener e a tradução de Königshofen por Marcus · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em fevereiro de 1349, com a peste já em marcha pela Europa, os judeus de Estrasburgo foram presos e queimados num cemitério, acusados de envenenar poços. O cronista local Fritsche Closener fala em cerca de dois mil mortos, no batismo de crianças contra a vontade dos pais, no cancelamento das dívidas devidas aos judeus e na divisão do dinheiro deles entre os ofícios da cidade. Na versão de Königshofen traduzida por Marcus, o conselho que queria poupá-los foi deposto, e o próprio Marcus acrescenta o peso das dívidas e da rivalidade econômica.
O que Closener conta
Closener, que terminou sua crônica em 1362, descreve duas vezes o episódio. No verbete curto diz que em 1349 os judeus de Estrasburgo foram queimados num cemitério, sobre um cadafalso de madeira, no dia de São Valentim, que naquele ano caiu num sábado, e que o mesmo se fez em todas as cidades do Reno, livres, imperiais ou de senhores. A razão dada é que se dizia que eles tinham envenenado poços e águas; em algumas cidades houve julgamento, em outras não, e em algumas os judeus atearam fogo às próprias casas. Na narrativa longa, o conselho é destituído na terça-feira, o novo jura na quarta e na quinta, os judeus são presos na sexta e queimados no sábado, 'cerca de dois mil, segundo se calculava'. Quem aceitasse o batismo era poupado, e muitas crianças pequenas foram tiradas do fogo e batizadas contra a vontade dos pais. (Closener)
Dívidas, penhores e o dinheiro dos judeus
Segundo Closener, tudo o que se devia aos judeus foi anulado, e os penhores e as promissórias que eles tinham sobre dívidas foram devolvidos. O dinheiro vivo ficou com o conselho, que o repartiu entre os ofícios 'por cabeça'. Königshofen, na versão de Marcus, é mais explícito: o dinheiro foi o que matou os judeus, porque, se fossem pobres e se os senhores não lhes devessem, não teriam sido queimados. Parte da riqueza, acrescenta, foi doada à catedral ou à Igreja por conselho de confessores. Marcus anota que Königshofen foi arquivista e viveu perto dos fatos, e que incorporou muito de Closener. (Closener; Marcus)
Benfeld e a queda do conselho
Na versão de Königshofen traduzida por Marcus, a acusação veio de torturas em Berna e Zofingen, cujas cidades escreveram a Estrasburgo, Friburgo e Basileia pedindo que também queimassem os seus judeus. Os governantes das três cidades não acreditaram no caso, mas em Basileia os cidadãos marcharam à prefeitura e exigiram o juramento de queimá-los e de não admitir judeus por duzentos anos. Numa reunião em Benfeld (8 de fevereiro de 1349, segundo glosa de Marcus), os delegados de Estrasburgo disseram não saber de mal nos judeus e foram atacados pelo tumulto; o bispo, os senhores e as cidades imperiais decidiram então eliminá-los. O conselho de Estrasburgo foi deposto em 9 e 10 de fevereiro, e o novo entregou os judeus à turba. (Marcus)
Proibição e retorno
Closener registra que Estrasburgo decidiu então que nenhum judeu poderia residir na cidade durante cem anos. Königshofen, segundo Marcus, diz que a proibição era também de entrada por cem anos, mas que antes de vinte anos o conselho e os magistrados concordaram em readmitir os judeus por vinte anos, e eles voltaram em 1368. Marcus nota ainda que a peste chegou a Estrasburgo no verão de 1349, depois da queima, e que Königshofen estima em cerca de dezesseis mil os mortos na cidade. (Closener; Marcus)
Fontes
- Closener, Fritsche. Strassburgische Chronik (Closener's Strassburgische Chronik). Stuttgart: Litterarischer Verein, 1842 (com prefácio assinado Strobel, Estrasburgo, agosto de 1842). Passagens sobre o ano de 1349 (verbetes sobre os judeus e a semana da troca do conselho), em texto digitalizado lido em archive.org/details/strassburgische02closgoog em 31/10/2026; o OCR é falho em alguns pontos.
- Marcus, Jacob R. The Jew in the Medieval World: A Source Book, 315-1791. Cincinnati: Union of American Hebrew Congregations, 1938, seção 'The State and the Jew', itens sobre 1348-1349 (confissão de Agimet; Königshofen sobre a peste e a queima dos judeus; epitáfio de Asher aben Turiel). Texto lido em archive.org/details/JewMedievalWorld em 31/10/2026. Glosas entre colchetes são do compilador.
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