Atlas da História

A colonização da Islândia por Ingólfr no Landnámabók

recensão Sturlubók composta c. 1275–80; Hauksbók compilada entre 1302 e 1310 (Egeler 2022) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

O Landnámabók, o 'Livro dos Assentamentos', conta como Ingólfr e seu parente Hjǫrleifr zarparam da Noruega para a Islândia e como Ingólfr se fixou em Reykjarvík onde seus pilares de assento aportaram. O texto foi fixado nos séculos XIII e XIV; a arqueologia confirma a ocupação no fim do século IX, sem atestar os indivíduos.

Recensões e compiladores do texto

Segundo Egeler, não existe um texto único e autoritativo do Landnámabók: há três recensões medievais e duas do início da Era Moderna. A Sturlubók foi provavelmente composta por volta de 1275–80 e chegou numa cópia do século XVII. A Hauksbók foi compilada por Haukr Erlendsson entre 1302 e 1310, em parte no autógrafo; a Melabók, do início do século XIV, sobrevive em duas folhas de uma cópia do século XV. Haukr afirma ter combinado o livro de Sturla com o de Styrmir, o Sábio, retendo de cada um o que explicava mais. (Egeler 2022)

Antes de Ingólfr, segundo o próprio texto

O prólogo da recensão de Hauksbók diz que, antes dos nórdicos, viviam na ilha os papar, descritos como cristãos que se supunha vindos das Ilhas Britânicas, porque após o desaparecimento deles foram achados livros, sinos e báculos irlandeses em Papey e Papýli. O texto ainda relata as chegadas anteriores de Garðarr, de Naddoddr e de Flóki, que sacrificou a três corvos para achar o rumo. A fixação de Ingólfr aparece assim como o último de vários encontros com a ilha. (Egeler 2022)

O que a pesquisa arqueológica mostra

Vésteinsson e McGovern relatam que a pesquisa intensiva sobre a Era Viking na Islândia produziu muitos dados que apoiam uma colonização no fim do século IX. Pessoas chegaram antes de 870, mas a ocupação abrangente só ocorreu depois dessa data. Em Mývatnssveit, no nordeste, escavaram-se mais de 30 sítios, e os autores calculam que ao menos 24.000 pessoas teriam sido transportadas em menos de 20 anos; eles próprios dizem que a conclusão permanece hipotética sem dados comparáveis de outras regiões. (Vésteinsson e McGovern 2012)

Memória, animais e a leitura atual do texto

Evans Tang e Milek lembram que o Landnámabók sobrevive em manuscritos do século XIII, tidos como revisões de material reunido no século XII, e o leem como reescrita consciente da Era Viking, que reflete e reinventa memórias culturais. Na comparação com os dados zooarqueológicos de sítios do período de colonização (c. 870–930), mostram que o gado, os cavalos, porcos, cabras e ovelhas chegaram com os colonos, e que o texto guarda a ideia de uma ilha povoada por gente e animais juntos. (Evans Tang e Milek 2025)

Fontes

  1. Egeler, M. (trad.) (2022). Book of Settlements: The Hauksbók Recension of Landnámabók. Viking Society for Northern Research. ISBN 9781914070020.
  2. Vésteinsson, O.; McGovern, T. H. (2012). "The Peopling of Iceland". Norwegian Archaeological Review 45(2): 206–218. DOI 10.1080/00293652.2012.721792. Acessar
  3. Evans Tang, H. J.; Milek, K. (2025). "Cattle, cooperation, and the co-settlement of Iceland". Viking Special Volume 3: 121–146. DOI 10.5617/vikingsv.12201. Acessar

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