Proibição do tabaco e fechamento dos cafés de Istambul sob Murad IV (1631-1633)
1631 (ordem de 21 de setembro contra o tabaco) a 2 de setembro de 1633 (decreto que fecha os cafés de Istambul); proibições do tabaco já existiam desde a década de 1610 · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Depois de um grande incêndio em Istambul em agosto de 1633, atribuído por alguns a fumantes de tabaco em cafés, o sultão Murad IV obteve do xeique-ul-islam uma fetva que declarava o café e o tabaco 'inovação ruim' (bid'at-ı seyyie), e em 2 de setembro de 1633 mandou fechar os cafés da cidade; um registro do bairro de Eyüb lista 120 lojas fechadas e fornos demolidos. As ordens, que já proibiam o tabaco desde os anos 1610, foram repetidas em 1631 e estendidas a Bursa, mas os cafés e o consumo continuaram, e as proibições perderam força nas décadas seguintes.
Do tabaco ao café: ordens desde os anos 1610
Karagöz (2020) mostra pelos registros de assuntos importantes (mühimme) que o tabaco já era alvo de proibições desde os anos 1610 e que seu cultivo e comércio continuavam apesar delas. Em 12 de março de 1631, um cavaleiro (sipahi) chamado Yusuf recebeu a função de aplicar a proibição do tabaco em todos os distritos da ala esquerda de Rumeli, o que incluía confiscar para o tesouro as terras onde ele fosse plantado. Ainda em 1631 (10 Cemaziyülahir 1040) uma ordem tratou de militares de Edirne que o comerciavam, e em 21 de setembro de 1631 foi emitida outra ordem aos cádis de Rumeli e cópias a muitas províncias, com a justificativa de que o consumo afastava o povo do trabalho e causava incêndios e desordem. A autora sublinha que a execução da proibição virou um dever remunerado, o 'serviço do tabaco'. (Karagöz 2020)
Agosto e setembro de 1633: incêndio, fetva e decreto
Segundo Naîmâ, relatado por Karagöz, um incêndio de agosto de 1633 começou num estaleiro de barcos em Cibalikapı e se espalhou até Unkapanı, Zeyrek e Saraçhane; dizia-se que o fogo teria vindo de fumantes de tabaco em cafés, e isso teria pesado em Murad IV. Foi obtida do xeique-ul-islam Ahizâde Hüseyin Efendi uma fetva que declarava café e tabaco 'inovação ruim', e cerca de um mês depois, em 2 de setembro de 1633, um decreto dirigido ao cádi e ao subaşı de Eyüb mandou fechar os cafés. A autora cita um registro segundo o qual 120 lojas de café de Eyüb, Topçular, Yedikule e Alibeyköy foram fechadas e os fornos derrubados, com uma lista por bairro feita pelo cádi de Eyüb e pelo chefe dos esgotos; ela nota que, ao contrário de outras ordens, essa lista incluiu todos os cafés do bairro. Em 1633 um decreto enviado a Bursa mandou também derrubar os cafés e aplicar pena de 'siyaset' aos fumantes. (Karagöz 2020)
Efeito limitado e depois controle e tributo
Karagöz (2020) observa que, mesmo sob Murad IV, a proibição funcionou melhor em Istambul, que os cafés permaneceram abertos fora da capital (Evliya Çelebi e Naîmâ já diziam isso) e que muitos foram convertidos em outras lojas ou quartos para alugar. Nos registros de Hasköy há casos de pessoas levadas ao cádi por fumar ou vender tabaco, como o de Yani, um não muçulmano, em 11 de dezembro de 1639; o desfecho não consta. Para o fim do século, a autora vê crescer a tendência a controlar e tributar, citando as taxas sobre cafés e a renda do 'tahmis' em Ayntab, e uma fetva do xeique-ul-islam Yenişehirli Abdullah Efendi (m. 1743) que declara o café lícito. Ela nota que a demanda europeia por café era fonte de renda para o Estado otomano. (Karagöz 2020)
Fontes
- Karagöz, Fatma Gül (2020). "17. Yüzyılda Mühimme Defterleri ve Ayntâb/Antep Şer'iye Sicilleri Örneklerinde Kahvehânelerin Kapatılması ve Tütün Yasaklarının Uygulanması". Hacettepe Üniversitesi Hukuk Fakültesi Dergisi 10(2): 494-554. DOI 10.32957/hacettepehdf.765820. Texto bruto lido (PDF), em 30/10/2026. Acessar
- Çavuşoğlu, Semiramis (2001). "Kadızâdeliler". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 24, p. 100-102. https://islamansiklopedisi.org.tr/kadizadeliler. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Movimento Kadızadeli e a disputa com os sufis em Istambul década de 1630 a c. 1685 (da pregação de Kadızâde Mehmed em Istambul à morte de Vanî Mehmed; a TDV registra reflexos ainda em 1692)
- Hatice Turhan Sultan (c. 1627–1683): mãe de Mehmed IV, valide sultan por 35 anos e patrona da Yeni Valide Camii nascimento tido como de 1627 (tradição repetida pela TDV, sem fonte direta); morreu em Edirne em 5 jul. 1683 (10 receb de 1094), segundo Karaca (TDV), com data de agosto em algumas fontes
- Eremia Çelebi Kömürciyan (1637–1695): escritor armênio de Istambul, secretário do patriarcado e cronista da cidade nasceu em Istambul em 12 ou 13 maio de 1637 e morreu em 15 jul. 1695, segundo Yılmazer (TDV)
- Evliya Çelebi (1611–c. 1684): viajante e autor do Seyahatnâme, em dez volumes nasceu em Istambul em 25 mar. 1611 (10 muharrem de 1020 da Hégira), segundo o que ele mesmo escreve; morreu em data e lugar incertos, entre cerca de 1682 e 1684
- Kâtib Çelebi (Katip Çelebi, Hacı Halife), 1609–1657: funcionário, bibliógrafo, historiador e geógrafo de Istambul nasceu em Istambul em fev. 1609 (zilkade de 1017 da Hégira) e morreu em 6 out. 1657 (27 zilhicce de 1067), segundo Gökyay (TDV)
- Mesquita do Sultão Ahmed (Istambul), 1609–1617: planta central, cúpula sobre quatro pilares e seis minaretes obra iniciada em 1018 da Hégira (1609), mesquita aberta ao culto em 1025 (1616) e concluída com o mobiliário em 1026 (1617); o conjunto (külliye) foi construído entre 1609 e 1620 (1018–1029 H), segundo Çobanoğlu (TDV)