Atlas da História

Parlamento de Quilín

6 jan. 1641 · Cone Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Parlamento realizado em janeiro de 1641 junto ao rio Quillén, no sul do Chile, entre autoridades espanholas e linhagens mapuche aliadas entre si do Biobío ao Cruces. Integra uma série de parlamentos de 1593 a 1647, e a paz acertada ali durou pouco.

Linhagens e reguas na fronteira do Biobío

Ortiz Aguilera (2015) revisa a historiografia da fronteira: Sergio Villalobos falou em "vida fronteiriça", e Foerster e Vergara em "relações interétnicas". O autor propõe pensar em relações entre linhagens (reguas), porque as alianças e rivalidades entre elas explicam quem negociava com os espanhóis. Depois da batalha de Curalaba, em 1598, a fronteira se fixou no Biobío a partir de 1601. Nos autos de paz de Paicaví, em 1605, aparecem 47 linhagens, mais do que na paz de Concepção, dois anos depois; grupos como Arauco, Lebo, Tirúa, Purén e Tucapel estiveram nas duas ocasiões, talvez pelo respeito conquistado na guerra do fim do século XVI. (Ortiz Aguilera 2015)

Canelo e sangue de chilihueque no rio Quillén

A "Relação verdadeira" da paz, de 1641, narra a chegada do marquês de Baides com 65 caciques à frente, entre eles Lincopichón, Antegueno e Liencura. Antegueno, como senhor da terra, segurava um ramo de canelo, sinal de paz, e explicou que o costume mandava sacrificar "ovelhas da terra", os chilihueques, antes de qualquer acordo, para que ninguém pudesse depois voltar atrás. Foram sacrificados 28 animais, e os presentes aspergiram o canelo com seu sangue. Liencura, cacique de 60 anos, fez um discurso sobre os sofrimentos da guerra que levou todos a aclamar a paz (Ortiz Aguilera 2015). Machuca Sierra e Gloël (2025) contrastam os números do relato, 160 caciques e c. 1.400 mocetones, com a ata, que lista 56 nomes, e registram mais de 1.300 soldados e 940 yanaconas do lado espanhol. (Ortiz Aguilera 2015; Gloël e Machuca Sierra 2025)

O que as capitulações diziam

A principal condição apresentada pelos caciques foi a de não serem entregues em encomenda aos espanhóis, ficando sob a proteção direta do rei, a quem reconheciam vassalagem. Comprometeram-se a voltar em seis meses às terras de onde a guerra os tinha expulsado, aceitaram que os espanhóis reconstruíssem suas antigas cidades, prometeram acudir quando chamados para a guerra e devolver os cativos espanhóis; cada parcialidade deu dois reféns, e 22 cativos foram entregues logo (Ortiz Aguilera 2015). Com a paz, a fronteira deixou temporariamente o Biobío e passou ao Toltén. Para Ortiz Aguilera, as alianças entre linhagens eram instáveis, e por isso a paz não se manteve. (Ortiz Aguilera 2015)

Tratado entre nações ou ato de vassalagem?

Machuca Sierra e Gloël (2025) comparam os parlamentos de 1593 a 1647 e passam em revista as leituras de Quilín. Villalobos atribuiu aos mapuche um papel subordinado; Bengoa destacou que foi o único acordo do período incluído numa coleção de tratados de 1740 e viu nele vassalos livres; Lincoqueo e Contreras o leem como koyang, um acordo de nação a nação; Levaggi o insere na tradição castelhana das Ordenanças de 1573; outros falam em formas híbridas. Os autores concluem que requerimento, vassalagem e obediência se repetem em todos os parlamentos e que não há reconhecimento explícito de soberania, cuja leitura consideram anacrônica. Lembram ainda que, em 1647, um segundo encontro em Quilín foi o primeiro chamado de "Parlamento Geral", com 94 a 98 nomes na ata. (Gloël e Machuca Sierra 2025)

Fontes

  1. Ortiz Aguilera, C. (2015). "El parlamento de Quilín del año 1641: una aproximación a las relaciones interlinajes a partir de la vida fronteriza". Cuadernos de Historia (Santiago) 42: 7–31. DOI 10.4067/s0719-12432015000100001. Acessar
  2. Gloël, M.; Machuca Sierra, V. (2025). "El Parlamento de Quilín de 1641: ¿Excepcionalidad histórica?". Justicia 30(48). DOI 10.17081/just.30.48.8565. Acessar

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