Atlas da História

Rashi (Salomão bar Isaac), rabino de Troyes, comentarista da Bíblia e do Talmude, 1040–1105

1040, em Troyes, a 13 jul. 1105, em Troyes (Jewish Encyclopedia) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo a Jewish Encyclopedia, Rashi (Salomão bar Isaac) nasceu em Troyes em 1040 e morreu ali em 13 de julho de 1105. Estudou em Worms e Mainz, voltou a Troyes por volta dos 25 anos e fundou ali, c. 1070, uma escola que passou a rivalizar com as renanas. Seus comentários à Bíblia e ao Talmude, com mais de três mil glosas em francês escritas em letras hebraicas, tornaram-se a base do estudo desses textos entre os judeus.

Troyes, Worms e Mainz

A Jewish Encyclopedia afirma que Rashi nasceu em Troyes em 1040, e que a ideia de que viria de Lunel nasceu de uma confusão com outro Salomão, o de Lunel. Estudou por um tempo em Worms, primeiro com Jacó bar Yaqar, de quem fala com grande veneração, e depois com Isaac ben Eleazar ha-Levi e com seu parente Isaac bar Judá, chefe da escola de Mainz, ilustre por Gershom bar Judá. O verbete rejeita as lendas de viagens por Europa, Ásia e África, de um encontro com Maimônides e de um casamento em Praga. Por volta dos 25 anos, deixou os mestres, com quem manteve boas relações, e voltou a Troyes. (Jacobs)

A escola de Troyes e a família

Segundo a fonte, a volta de Rashi a Troyes foi decisiva: as escolas da Champanha e do norte da França passaram a rivalizar com as renanas e logo as superaram. Ele provavelmente atuou como rabino na cidade, mas vivia sobretudo do vinhedo e da produção de vinho. Por volta de 1070 fundou uma escola que atraiu muitos discípulos, entre eles Simcá de Vitry e Semaías. Não teve filhos homens, mas três filhas; Míriam e Jocabed casaram-se com discípulos, Judá bar Natã e Meir bar Samuel, e por isso sua família, diz a fonte, difundiu o saber rabínico na França. Os filhos de Meir, entre eles Jacó Tam, abriram a série dos tosafistas. (Jacobs)

Os comentários à Bíblia e ao Talmude

A Jewish Encyclopedia diz que os comentários de Rashi à Bíblia e ao Talmude não são contínuos, mas glosas a termos e frases difíceis. Os bíblicos se apoiam nos Targumim e na Massora e combinam o sentido literal, peshat, com o homilético, derash. O comentário ao Talmude, mais original, fixou uma recensão do texto que virou a recebida. Rashi traduz palavras e frases para o francês, em letras hebraicas: são 3.157 glosas (laazim), um vocabulário de 2.000 palavras, úteis, diz a fonte, para reconstruir o francês antigo. O verbete observa que ele não conhecia línguas estrangeiras, salvo o francês e poucas palavras de alemão. (Jacobs)

Cruzada, lendas e difusão

Segundo a Jewish Encyclopedia, os últimos anos de Rashi foram entristecidos pelos massacres do início da Primeira Cruzada (1095–1096), em que perdeu parentes e amigos. Sua fama gerou muitas lendas, como a da casa de Troyes onde as moscas não entravam e a do túmulo em Praga. A obra se espalhou depressa: o comentário ao Pentateuco, impresso em Reggio em 1475, é o primeiro livro hebraico de data conhecida, segundo o verbete, e gerou supercomentários, como o Sifte Hakhamim. O monge francês Nicolau de Lira (m. 1340) dependeu dele, e, por meio de Nicolau, a exegese de Lutero lhe deve algo, segundo o verbete. (Jacobs)

Fontes

  1. Jacobs, Joseph; Liber, Morris; Seligsohn, M. "Rashi (Solomon bar Isaac)". The Jewish Encyclopedia, vol. 10, pp. 324–328 (páginas indicadas no próprio site; ano do volume não lido na página). https://www.jewishencyclopedia.com/articles/12585-rashi-solomon-bar-isaac (baixado em 30/10/2026). Acessar

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