Atlas da História

Massacres de judeus na Renânia (1096): o ataque a Mainz, a crônica de Salomão bar Sansão e o debate sobre a ordem dos fatos

primavera e verão de 1096 (Wikidata P585: 1096). O ataque a Mainz é datado de 27 maio 1096, terça-feira, 3 de sivan, no texto de Salomão bar Sansão da coletânea de Marcus. · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Na primavera e no verão de 1096, bandos de cruzados e moradores atacaram comunidades judaicas das cidades do Reno, como Speyer, Worms, Mainz e Colônia. Em Mainz, em 27 de maio (3 de sivan), segundo o cronista hebraico Salomão bar Sansão, o conde Emico e seu bando entraram na cidade e atacaram os judeus abrigados no palácio do arcebispo; muitos deles se mataram e mataram os filhos para não serem batizados à força. Fontes citadas por Moll dão de 600 a 1.100 mortos em Mainz, e a historiografia discute se o ataque foi planejado e se as conversões forçadas vieram antes ou depois da matança.

O contexto, segundo a introdução de Marcus

Na introdução da coletânea, Jacob Marcus diz que em 1095 a Igreja proclamou uma cruzada e que na primavera de 1096 bandos de cruzados liderados por monges e soldados partiram. Para ele, muitos eram piedosos, mas também havia servos fugidos, homens de negócios ambiciosos, aventureiros e criminosos. Marcus escreve que, ao passar pela Alemanha, esse grupo matou milhares de judeus nas maiores cidades, como Speyer, Worms, Mainz e Colônia. Em maio de 1096 um bando liderado por Emico, nobre alemão, forçou a entrada em Mainz e depois no palácio arquiepiscopal, onde os judeus se abrigavam. (Salomão bar Sansão)

Mainz em 27 de maio, segundo Salomão bar Sansão

Segundo Salomão bar Sansão, ao meio-dia de terça-feira, 3 de sivan, Emico chegou com seu exército à porta da cidade e os cidadãos a abriram. Os judeus vestiram armaduras e, com rabi Kalonymus ben Meshullam à frente, lutaram até o portão do palácio, mas o inimigo o tomou. O arcebispo, segundo a crônica, fugiu, pois se pensava em matá-lo também por ter falado bem dos judeus, e a nota editorial diz que Ruthard fora pago para defender os judeus e depois foi acusado de ter recebido parte dos bens saqueados. Cercados no pátio, muitos se mataram e mataram os filhos, e a crônica descreve esses atos como sacrifício pela unidade do Nome. (Salomão bar Sansão)

Quantos morreram em Mainz

Segundo nota de Moll, o número de mortos em Mainz varia entre as fontes. Alberto de Aachen fala em cerca de 700 mortos antes do suicídio coletivo; o Annalista Saxo, citado por Malkiel, em 900; Stow nota que os livros memoriais judaicos nomeiam 600 mortos; Salomão bar Sansão registra "1.100 oferendas num dia". Em Colônia, Alberto de Aachen diz que cerca de 200 judeus fugiram de barco para Neuss e foram mortos pelos peregrinos que os encontraram. O texto de Moll não dá estimativa para o total do Reno. (Moll; Salomão bar Sansão)

Batismo, suicídio e o conde Emico

Moll conta, a partir de Salomão bar Sansão, que Kalonymus e 52 judeus se esconderam no palácio do arcebispo e que o bispo, em Rüdesheim, disse que não podia salvá-los e que deviam aceitar a religião cristã ou pagar pelo pecado dos antepassados; escolheram morrer. O mestre Isaac, o parnás, foi batizado à força no dia dos ataques para proteger a família. Moll discute quem foi Emico: o conde de Flonheim, que as fontes só põem em Mainz, e que não se deve confundir com Emico de Leiningen. Segundo Moll, a lista de cruzados que se juntaram a ele em Mainz inclui Thomas de Marle, Drogo de Nesle e Clarembaldo de Vendeuil, e o bando se desfez a caminho de Constantinopla com a morte de Emico. (Moll)

Fontes

  1. Salomão bar Sansão, "The Crusaders in Mainz, May 27, 1096" (crônica hebraica escrita por volta de 1140, segundo a introdução). Em Jacob R. Marcus, The Jew in the Medieval World: A Sourcebook, 315-1791, Nova York: JPS, 1938, pp. 115-120. Fordham University, Internet Medieval Sourcebook: https://sourcebooks.fordham.edu/source/1096jews-mainz.asp. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  2. Moll, James. "Conversion, Annihilation, or Suicide: The 1096 Jewish Pogroms in the Rhineland". Artigo em periódico (pp. 63-73 na paginação do PDF; o nome do periódico não aparece no texto extraído, só na URL: history.hanover.edu/hhr/22/HHR2022moll.pdf). Texto bruto lido em 30/10/2026.

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