Atlas da História

Retomada otomana de Bagdá (1638) e Tratado de Zuhab (Kasr-ı Şirin, 1639)

24 de dezembro de 1638 (rendição de Bagdá) a 17 de maio de 1639 (assinatura em Zuhab); ratificação otomana no fim de 1639 · Mesopotâmia e Levante, Irã e planalto iraniano, Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em dezembro de 1638, depois de um cerco, o sultão otomano Murad IV retomou Bagdá, que estava em mãos safávidas desde 1624. Em maio de 1639, em Zuhab, perto de Kasr-ı Şirin, delegados do xá Safi e do grão-vizir otomano assinaram o tratado que encerrou a guerra iniciada em 1630: Bagdá, Basra e Şehrizor ficaram com os otomanos e Erevan voltou aos safávidas. A TDV observa que a linha de 1639 serviu de base a acordos posteriores (1746, 1823 e 1847).

O cerco e a queda de Bagdá em dezembro de 1638

Segundo a TDV (Yılmazer), Bagdá passou aos safávidas em 1624, e duas campanhas otomanas (1626 e 1630, esta com cerco) não deram resultado. Depois de tomar Erevan em agosto de 1635 (retomada pelos safávidas em abril de 1636), Murad IV partiu em maio de 1638 com o xeique-ul-islam Yahyâ Efendi e o almirante Kemankeş Kara Mustafa Paşa, chegou a Mossul em novembro e acompanhou o cerco de perto. Em 24 de dezembro de 1638 o comandante Bektaş Han rendeu-se e foi recebido com honras; o sultão deixou os soldados livres para ficar ou ir ao xá. A TDV registra que boatos de minas sob as torres reacenderam o combate por um dia e uma noite. Murad IV mandou reparar os túmulos de Abu Hanifa e de Abdülkadir Geylânî, deixou o grão-vizir em Bagdá e voltou a Istambul, onde chegou em junho de 1639. (Yılmazer 2020)

A negociação em Zuhab e o que o texto fixou

A TDV (Murphey) conta que o exército safávida de Rüstem Han estava a leste do rio Diyâle quando o grão-vizir Kemankeş Kara Mustafa Paşa avançou; ele recusou uma oferta de paz em troca de Kars e seguiu até a planície de Zuhab. O autor lembra que a fronteira tinha 2.185 km, mas só os 1.296 km entre o monte Ararat e o Chatt al-Arab eram disputados. As conversas começaram em 14 de maio de 1639, com o representante do xá, Saruhan, e o embaixador Şemseddin Muhammed Kulı Han, e o tratado foi assinado em 17 de maio; o texto foi levado a Istambul e confirmado no fim de novembro. O Iraque árabe (Bagdá, Basra e Şehrizor) ficou com os otomanos, Erevan com os safávidas, e foram proibidas incursões safávidas ao Iraque e a Kars, Ahıska e Van. Os safávidas reconheceram também o domínio otomano no Golfo de Basra. (Murphey 2001)

Seda, rotas e uma paz que durou

Para Murphey, a troca de territórios trouxe grandes benefícios econômicos aos otomanos. Com a capital safávida em Isfahan desde 1596 e Nova Julfa, fundada por Abas I em 1605 como centro dos mercadores armênios, as rotas se deslocaram para o sul; de lá, os comerciantes levavam seda e tecidos persas ao litoral, de onde seguiam por mar para a Índia ou para o Ocidente, ou por terra via Bagdá até Alepo e via Mossul até Diyarbekir. O verbete diz que o comércio exterior do Irã cresceu, com a exportação de seda subindo 50% entre 1640 e 1670, e que o quadro durou até a ascensão de Nadir Xá em 1736. Segundo a TDV, o tratado foi renovado em Kerden (1746) e serviu de base aos tratados de Erzurum de 1823 e 1847. Van den Berg (2022) lê o mesmo tratado do ângulo safávida, como perda de território no reinado de Safi. (Murphey 2001; van den Berg 2022)

Fontes

  1. Murphey, Rhoads (2001). "Kasrışîrin Antlaşması". TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 24, p. 575. TDV İslâm Araştırmaları Merkezi. https://islamansiklopedisi.org.tr/kasrisirin-antlasmasi. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  2. Yılmazer, Ziya (2020). "Murad IV" (parte 1). TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 31, p. 177-183. TDV İslâm Araştırmaları Merkezi. https://islamansiklopedisi.org.tr/murad-iv. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  3. van den Berg, Gabrielle (2022). "The Safavids between Pen and Sword". In: Weeda, C. V.; Stein, R.; Sicking, L. H. J. (eds.), Comparative Rural History of the North Sea Area (Communities, Environment and Regulation in the Premodern World, CORN 20). Turnhout: Brepols, p. 289-310. DOI 10.1484/M.CORN-EB.5.129382. Texto bruto lido (PDF, CC BY-NC 4.0), em 30/10/2026. Acessar

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