Invasão de Timur à Síria mameluca e cerco e saque de Damasco (1400-1401)
Do fim de 1400 a março-abril de 1401 (803 da hégira). Wikidata P580/P582 dá o cerco de Damasco de dez. 1400 a mar. 1401; segundo Jackson, o sultão Faraj recuou ao Egito em jumada I de 803 (jan. 1401) e Timur se retirou para além do Eufrates em sha'ban de 803 (mar.-abr. 1401). A carta de vitória de Timur sobre a Síria, de 27 out. 1400, só vai até a queda de Alepo. · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Entre o fim de 1400 e a primavera de 1401, Timur invadiu a Síria governada pelos mamelucos do Cairo, tomou Alepo e Damasco e voltou para além do Eufrates. Segundo Jackson, algumas cidades foram saqueadas e muitos habitantes levados a Samarcanda; em Damasco, depois de extorquir enormes quantias, Timur entregou a cidade às tropas, e a Grande Mesquita dos Omíadas pegou fogo. Quem pôs o fogo e por que Damasco foi tratada com tanta dureza é objeto de versões que não coincidem.
A extorsão de Damasco segundo Mignanelli
Segundo Jackson, que resume o relato de Mignanelli, no início Timur disse aos quatro cádis enviados para negociar que só queria os bens do sultão Faraj e dos que tinham fugido, enquanto seus agentes faziam inventários dos bens dos cidadãos, como precaução contra saques. Tomada a cidadela, ele exigiu dinheiro pelos esforços da tropa, criticou as moedas, de prata adulterada, e pediu somas maiores, alegando em seguida o pagamento das tropas do Khorasan e os custos da volta a Samarcanda. Quando os cádis pagaram, Timur entregou a cidade às tropas, que usaram os inventários para arrancar riqueza com tormentos. Por fim, mandou reunir jovens, mulheres e artesãos qualificados e levá-los a seu acampamento antes de partir para o Iraque. (Jackson 2024)
Os ulemás e Ibn Khaldun diante de Timur
Jackson conta que Ibn Khaldun, que estava em Damasco quando Faraj e seu exército voltaram ao Egito em janeiro de 1401, foi recebido por Timur mais de uma vez durante algumas semanas no acampamento chagatai. Timur pediu a ele um relatório escrito sobre as regiões entre o Egito e o Magreb, e há historiadores que viram aí um plano de campanha no norte da África; Jackson o atribui ao interesse de Timur em oportunidades comerciais. Entre os ulemás que Timur interrogou, o hanbalita al-Nabulusi defendeu a superioridade do califa Abu Bakr sobre Ali e foi afastado da presença de Timur; Ibn Hijji cita outros advogados e estudiosos de Damasco torturados. (Jackson 2024)
Resultados: indenizações, Samarcanda e vassalagem
Segundo Jackson, a invasão da Síria mameluca teve impacto menos drástico que outras de Timur: algumas cidades foram saqueadas e um número significativo de habitantes foi transportado para Samarcanda, mas Timur não avançou além do Eufrates. Faraj depois enviou presentes e pôs o nome de Timur e o do khan nominal nas moedas e no sermão de sexta-feira, e Timur parece ter se contentado com isso, o que reduziu o sultão a governador tributário. Jackson acrescenta que essa vassalagem acabou com a morte de Timur, em sha'ban de 807 (fevereiro de 1405). Timur deixou Damasco com pressa em 1401 por causa da revanche dos jalayíridas em Bagdá. (Jackson 2024)
Fontes
- Jackson, Peter (2024). "Some Reflections on Timur's Invasion of Mamluk Syria". Mamluk Studies Review 27: 109 e seguintes. DOI 10.6082/ztnm-b146 (acesso aberto, CC-BY). Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
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