Batalha de Marj Dabiq
24 ago. 1516 (Wikidata) · Mesopotâmia e Levante
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Batalha de 24 de agosto de 1516, perto de Dabiq, na atual Síria, em que o exército otomano de Selim I derrotou o do Sultanato Mameluco, na guerra de 1516–1517 que pôs fim a esse sultanato. Çavdaroğlu (2017) atribui a vitória otomana ao uso ofensivo das armas de fogo, à informação militar e à maior centralização do Estado otomano.
Pólvora nos dois lados
Os mamelucos conheciam as armas de fogo havia muito tempo. Çavdaroğlu (2017) registra o uso de canhão em 1389–1390 e uma unidade de mosqueteiros criada pelo sultão Qaytbay em 1490 e depois dissolvida. Segundo o resumo de Fuess (2020), as armas de pólvora chegaram ao sultanato no séc. XIV, aprendidas por intermédio da Europa central. (Çavdaroğlu 2017; Fuess 2020)
A campanha de 1516
O sultão Qansuh al-Ghawri partiu em 18 de maio de 1516, acompanhado do califa abássida al-Mutawakkil e dos juízes (qadis). Do lado otomano, uma fatwa justificou a guerra, e um serviço de informação acompanhava os movimentos do adversário; Selim I chegou a Antep em 18 de agosto. Segundo Çavdaroğlu, os exércitos eram equivalentes em tamanho, mas os otomanos alinharam cerca de 150 canhões presos por correntes e janízaros armados de mosquetes. Al-Ghawri morreu na batalha, e Tumanbay assumiu a defesa mameluca, derrotada em Gaza, em Khan Yunis e, em janeiro de 1517, em Ridaniye. O autor conclui que pesaram a informação militar e a centralização do Estado otomano. (Çavdaroğlu 2017)
Leituras árabes de 1516
Al-Mohtar (2017) relata um congresso realizado em Beirute em abril de 2017 que ligou Marj Dabiq a Sykes-Picot. Khaled Ziadeh destacou que a marcha otomana para a Síria e o Egito eliminou o Estado mameluco e pôs fim à diversidade política em torno do Mediterrâneo. Wajih Kawtharani sustentou que a história da cessão do califado pelo último califa abássida a Selim não resiste à crítica: fontes da época, como Ibn Iyas, não a mencionam, e a narrativa só surge no fim do séc. XVIII, depois do tratado de Küçük Kaynarca (1774), ganhando ênfase sob Abdülhamid II. Sayyar al-Jamil leu os quatro séculos de 1516 a 1916 como uma história em que os árabes conservaram sua identidade social e cultural. (al-Mohtar 2017)
Fontes
- Çavdaroğlu, B. E. (2017). "Askeri dönüşüm çağında Mercidabık ve Ridaniye savaşları üzerine bir tahlil". Ulakbilge Dergisi 5(14). DOI 10.7816/ulakbilge-05-14-04. Acessar
- Fuess, A. (2020). "The role of military technology and firearms in the Ottoman conquest of the Mamluk realm 1516-1517". ذاكرة العرب 4(4): 10–23. DOI 10.21608/zarab.2020.332625. Acessar
- al-Mohtar, G. (المهتار، غاندي) (2017). "من مرج دابق إلى سايكس-بيكو: العثمانيون والعرب في مؤتمر ببيروت". أسطور للدراسات التاريخية 6: 321–337. DOI 10.12816/0040952. Acessar
- Ibn Iyas (1921). An Account of the Ottoman Conquest of Egypt in the Year A.H. 922 (A.D. 1516). Trad. W. H. Salmon. Oriental Translation Fund, Nova Série 25. Londres: Royal Asiatic Society (edição de fonte, sem ISBN). Pp. 46–47.
Na mesma região
- Invasão de Timur à Síria mameluca e cerco e saque de Damasco (1400-1401) Do fim de 1400 a março-abril de 1401 (803 da hégira). Wikidata P580/P582 dá o cerco de Damasco de dez. 1400 a mar. 1401; segundo Jackson, o sultão Faraj recuou ao Egito em jumada I de 803 (jan. 1401) e Timur se retirou para além do Eufrates em sha'ban de 803 (mar.-abr. 1401). A carta de vitória de Timur sobre a Síria, de 27 out. 1400, só vai até a queda de Alepo.
- Retomada otomana de Bagdá (1638) e Tratado de Zuhab (Kasr-ı Şirin, 1639) 24 de dezembro de 1638 (rendição de Bagdá) a 17 de maio de 1639 (assinatura em Zuhab); ratificação otomana no fim de 1639
- Muhammad Amin al-Muhibbi (1651–1699): erudito, poeta e biógrafo de Damasco, autor de Khulasat al-athar nasceu em Damasco em 1061 da Hégira (1651) e morreu em 18 jumada I de 1111 (11 nov. 1699), segundo Durmuş (TDV)
- Peste persa ou de Abu Chafchir (1772–1773) 1772–1773 (anos dados por Karami e pelo Wikidata; meses não conferidos)
- Cerco de Bagdá 29 jan. a 10 fev. 1258 (calendário juliano)
- Butrus al-Bustani 1819 – 1 mai. 1883 (Ergin, TDV İslâm Ansiklopedisi)