Atlas da História

Malintzin (La Malinche)

c. 1500 – década de 1520 (sem datas exatas nas fontes lidas) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Mulher nahua entregue aos espanhóis em Tabasco, em março de 1519, serviu de intérprete a Hernán Cortés e o acompanhou da costa a Tenochtitlan. Segundo Bernal, foi dada primeiro a Alonso Hernández Puertocarrero; quando ele partiu para a Espanha, Cortés a tomou, e os dois tiveram um filho, Martín Cortés. Bernal Díaz a descreve como indispensável para a comunicação, e os historiadores debatem sua origem e a imagem de traidora que lhe foi atribuída depois.

Lienzo de Tlaxcala: Malintzin e Hernán Cortés
Cena do Lienzo de Tlaxcala em que Malintzin aparece ao lado de Cortés. A pintura foi feita por tlaxcaltecas, aliados dos espanhóis, e conta a conquista do ponto de vista deles, o que pesa na imagem que ela dá de Malintzin. Lienzo de Tlaxcala: Malintzin e Hernán Cortés, Diego Muñoz Camargo (cópia de c. 1585), c. 1585. Domínio público. Ver no acervo

Origem contada por Bernal Díaz

Bernal Díaz, que a conheceu, escreve que Marina era filha de senhores de Painala, a cerca de 24 milhas de Coatzacoalcos, que ficou órfã de pai muito cedo e foi entregue em segredo a gente de Xicalango, depois aos habitantes de Tabasco e por fim a Cortés. Ela falava a língua do Coatzacoalcos (nahuatl) e a de Tabasco, de modo que traduzia para Aguilar, que passava ao espanhol. Segundo o cronista, sem ela os espanhóis não teriam entendido o mexicano. (Díaz del Castillo 1844)

O nome Malinche e o papel nas negociações

Bernal explica que os povos por onde a expedição passou chamavam Cortés de Malinche, porque Marina estava sempre ao seu lado nas embaixadas e negociações, e os dois passaram a ser vistos como uma unidade. O cronista descreve ainda sua firmeza em Tlaxcala, quando os espanhóis estavam feridos e cercados, e no cerco do México. Ele diz que, apesar de ser filha do país, ela nunca demonstrou desânimo diante do perigo. (Díaz del Castillo 1844)

Casamento, expedição e reencontro familiar

Segundo Bernal, na expedição às Hibueras, Cortés levou Marina como única intérprete, pois Aguilar morrera. Perto de Orizaba, ela foi casada com Juan Jaramillo diante de testemunhas. Em Coatzacoalcos, o cronista diz que a mãe dela e o meio-irmão compareceram quando Cortés reuniu os caciques, temendo ser mortos, e que Marina os reconheceu e pediu que enxugassem as lágrimas. O tradutor Lockhart anota que a expedição saiu em outubro de 1524, e não em 1523, como escreve Bernal. (Díaz del Castillo 1844)

Origem em debate e imagem posterior

Fitzmaurice questiona a ideia, comum na etno-história, de que Malintzin teria vindo da escravidão: examina vieses culturais nas fontes e a lógica de troca de noivas na sociedade maia e mexica para propor que ela foi dada como esposa. Pérez-Lagunes mostra que, séculos depois, ela passou a ser chamada de traidora e de mãe simbólica do mestiço, sobretudo em ensaios como o de Octavio Paz, enquanto leituras recentes a veem com iniciativa própria. (Fitzmaurice 2023; Pérez-Lagunes 2001)

Fontes

  1. Díaz del Castillo, B. (1844). The Memoirs of the Conquistador Bernal Diaz del Castillo, vols. 1–2. Trad. J. I. Lockhart. Londres: J. Hatchard and Son. Projeto Gutenberg, ebooks 32474 e 32475.
  2. Fitzmaurice, R. E. (2023). "Malintzin's Origins: Slave? Or Cultural Confusion?". Ethnohistory 70(3): 329–350. DOI 10.1215/00141801-10443447. Acessar
  3. Pérez-Lagunes, R. (2001). The Myth of La Malinche: From the Chronicles to Modern Mexican Theater. Tese de doutorado, Virginia Tech. http://hdl.handle.net/10919/32901. Acessar

Na mesma região