Atlas da História

Sarazm (sítio protourbano)

4º milênio – fim do 3º milênio a.C. (UNESCO) · Ásia Central e Interior

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Assentamento protourbano no Tajiquistão, ocupado do 4º milênio a.C. até uma data ainda debatida (entre c. 2700 a.C. e o fim do 3º milênio a.C.), entre montanhas usadas por pastores nômades e um vale de agricultura irrigada. Trabalhava metais, sobretudo cobre (a UNESCO cita também estanho; análises de Isakov e Lyonnet indicam cobre sem liga intencional) e, segundo a UNESCO, mantinha trocas que iam das estepes ao planalto iraniano, ao vale do Indo e ao Oceano Índico.

Um sítio salvo da expansão agrícola

Sarazm fica numa colina de loess na margem esquerda do rio Zeravshan, a c. 900 m de altitude, entre Samarcanda e Penjikent; o nome, segundo a UNESCO, quer dizer "onde a terra começa". Em 1976 o morador Ashurali Tajlanov levou objetos achados na superfície a A. I. Isakov, da base arqueológica de Penjikent, que conseguiu impedir que o kolkhoz estendesse ali seus campos: a irrigação moderna, com canos, desvios de água de longa distância e bombeamento, vinha expondo os depósitos ao arado. As escavações começaram no outono de 1977, e em 1984 uma equipe francesa do CNRS se juntou aos trabalhos. O sítio ocupa de 100 a 150 ha, no mínimo 1,5 km de leste a oeste e 0,9 km de norte a sul, embora tenha pouco relevo e poucos achados na superfície (Besenval e Isakov 1989). Desde 2010 está na lista do Patrimônio Mundial (Babadjanova 2022). (Besenval e Isakov 1989; UNESCO, lista nº 1141; Babadjanova 2022)

Colares de ouro e lápis-lazúli

Em 1985, na sondagem IV, uma sepultura com três enterramentos trouxe um colar de contas de ouro maciço, contas de prata, centenas de contas de lápis-lazúli, turquesa e cornalina, braceletes de concha e um espelho de cobre. Besenval e Isakov (1989) a julgaram sem paralelo na Ásia Central do 4º milênio a.C., pelo que se conhecia na época. Uma sepultura infantil tinha cerca de cem contas de lápis-lazúli. Na sondagem VII, escavada de 1985 a 1987, apareceram casas de tijolo cru com paredes pintadas de vermelho ou de azul, e o sítio recebeu uma série de datas por radiocarbono. (Besenval e Isakov 1989)

Cerâmica do Turcomenistão e do Baluchistão

A cerâmica de Sarazm forma dois grandes grupos, um ligado ao sul do Turcomenistão e outro ao Baluchistão, com cacos isolados do nordeste do Irã e do antigo delta do Amu Darya (Isakov e Lyonnet 1988). Pesquisadores soviéticos viam nisso uma colonização vinda do Turcomenistão; os autores questionam se havia produção local e tratam a cerâmica como pista de trocas e de movimentos de gente. Besenval e Isakov (1989) consideram que essa cerâmica parece vir de fora e seria um caso singular, se confirmado, e descrevem Sarazm como a extensão mais a nordeste das comunidades agrícolas do sul do Turcomenistão, do planalto iraniano e do Baluchistão. (Isakov e Lyonnet 1988; Besenval e Isakov 1989)

Metais e a hipótese da mineração

Os objetos de metal analisados por Isakov e Lyonnet (1988) são essencialmente de cobre, sem liga intencional. Para Besenval e Isakov (1989), a capacidade agrícola do vale não explica sozinha a riqueza do sítio; eles levantam a hipótese de um papel ligado à mineração, pois o alto Zeravshan tem ouro, prata, cobre, chumbo, mercúrio, estanho e turquesa, e Sarazm fica na saída desse vale. O trabalho do lápis-lazúli e os resíduos de metalurgia reforçam a hipótese. Babadjanova (2022) também descreve Sarazm como centro metalúrgico com matéria-prima local, em contato com o Irã, o Baluchistão, o Afeganistão e a Índia. A UNESCO fala de uma complementaridade entre pastoreio e agricultura inicial, à qual se somaram o metal e o artesanato. (Besenval e Isakov 1989; Isakov e Lyonnet 1988; Babadjanova 2022; UNESCO, lista nº 1141)

Uma cronologia em disputa

As datas variam conforme a fonte. Isakov e Lyonnet (1988), pela cerâmica, propuseram uma ocupação de não mais de 700 a 800 anos: fundação pouco antes de 3500 a.C. e fase final c. 2700–2600 a.C., antes do período harappiano; as datas de radiocarbono, porém, não batiam com esse quadro. Babadjanova (2022) apresenta quatro períodos, de 3500 a 2000 a.C., e a UNESCO fala do 4º milênio ao fim do 3º. Isakov e Lyonnet notaram ainda um abandono súbito, como em Geoksyur, e sugeriram, como hipótese, uma ligação com o declínio de outros sítios (Kara-Depe, Mundigak, Mehrgarh, Shahr-i Sokhta) no momento em que se formavam sociedades mais urbanizadas, como a harappiana e a de Namazga IV. (Isakov e Lyonnet 1988; Babadjanova 2022; UNESCO, lista nº 1141)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Proto-urban Site of Sarazm", lista nº 1141. https://whc.unesco.org/en/list/1141/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Mutin, B. (2023). Sarazm: A Site along the Proto-Silk Road at the Intersection of the Steppe and Oasis Cultures: Results from Excavation VII. Brepols (OXUS 1). DOI 10.1484/m.oxus-eb.5.131848; ISBN 9782503602943. Acessar
  3. Besenval, R.; Isakov, A. I. (1989). "Sarazm et les débuts du peuplement agricole dans la région de Samarkand". Arts asiatiques 44: 5–20. DOI 10.3406/arasi.1989.1254. Acessar
  4. Isakov, A.; Lyonnet, B. (1988). "Céramiques de Sarazm (Tadjikistan, URSS) : problèmes d'échanges et de peuplement à la fin du Chalcolithique et au début de l'Age du Bronze". Paléorient 14(1): 31–47. DOI 10.3406/paleo.1988.4437. Acessar
  5. Babadjanova, M. M. (2022). "Historical and Archaeological Monument of Sarazm – Monument of UNESCO World Heritage". Vestnik RGGU. Seriia Evraziiskie issledovaniia. Istoriia. Politologiia. Mezhdunarodnye otnosheniia n. 1: 184–189. DOI 10.28995/2686-7648-2022-1-184-189. Acessar

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