Atlas da História

Ciro e Tomyris: a campanha contra os massagetas além do Araxes (c. 530 a.C.), na narrativa de Heródoto

c. 530 a.C. (ano de morte de Ciro no Wikidata; Heródoto dá 29 anos de reinado, sem ano absoluto) · Ásia Central e Interior

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Heródoto, depois de conquistar a Babilônia Ciro quis subjugar os massagetas, um povo a leste do Araxes, governado pela rainha Tomyris, viúva. Tomyris recusou o pedido de casamento que Ciro usou como pretexto e lhe propôs que se retirasse ou que cruzasse o rio, e o rei persa escolheu cruzar, seguindo o conselho de Creso. Depois de um banquete armado como ardil e da morte do filho de Tomyris, Spargapises, a batalha final terminou com a derrota persa e a morte de Ciro, que Heródoto diz ser a mais crível entre as muitas versões.

Por que Ciro quis os massagetas

Heródoto diz que, vencida a Babilônia, Ciro quis submeter os massagetas, povo grande e poderoso que vive a leste, além do Araxes e diante dos issedones, e que alguns chamam de citas. Dá dois motivos: o nascimento, que lhe parecia mais que humano, e as vitórias, pois nenhuma nação que atacou lhe escapou. Os massagetas eram então governados por uma rainha, Tomyris, cujo marido morrera. Ciro lhe propôs casamento, mas ela entendeu que ele queria o reino, e recusou. Então ele marchou ao Araxes e ergueu pontes e torres sobre o rio. (Heródoto. As Histórias (The Histories))

A mensagem de Tomyris e o conselho de Creso

Enquanto Ciro construía as pontes, Tomyris mandou um arauto: que parasse, que fosse rei do seu país e a deixasse reinar sobre os seus; se quisesse medir forças, que ela recuaria três dias de marcha a partir do Araxes para ele atravessar, ou, se preferisse, que ele recuasse. Os persas aconselharam deixar Tomyris entrar; Creso discordou, dizendo que recuar diante de uma mulher seria vergonhoso, e propôs atravessar, deixar um banquete com carne e muito vinho puro e recuar com a parte mais fraca do exército. Ciro seguiu Creso. Heródoto conta que Ciro sonhou com Dario, filho de Histaspes, com asas sobre a Ásia e a Europa. (Heródoto. As Histórias (The Histories))

O banquete, Spargapises e a batalha

Segundo Heródoto, um terço do exército massageta atacou os que haviam ficado e os matou, depois comeu e dormiu; os persas voltaram e mataram muitos e capturaram outros, entre eles Spargapises, filho de Tomyris e comandante. Tomyris lhe mandou pedir o filho de volta, jurando pelo sol, senhor dos massagetas, dar a Ciro sangue em abundância. Libertado, Spargapises se matou. Na batalha seguinte, que Heródoto julga a mais feroz já travada por povos não gregos, os massagetas venceram, a maior parte do exército persa morreu e Ciro caiu. Heródoto diz que Tomyris enfiou a cabeça de Ciro num odre cheio de sangue humano. Acrescenta que muitas histórias circulam sobre a morte de Ciro e que esta lhe parece a mais crível. (Heródoto. As Histórias (The Histories))

Fontes

  1. Heródoto. As Histórias (The Histories), livro 1, caps. 201 a 216 (a campanha de Ciro contra os massagetas e a morte de Ciro). Tradução inglesa de A. D. Godley, versão modernizada por Steven Ott, com notas geográficas do Perseus, pela edição do Perseus Project (Universidade Tufts), repositório PerseusDL no GitHub: https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0016/tlg001/tlg0016.tlg001.perseus-eng2.xml (baixado e lido em 29/10/2026; a numeração dos capítulos não vem no texto bruto e foi inferida da ordem tradicional). Acessar

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