Atlas da História

"Armadilha da Glória" (Որոգայթ փառաց): projeto de constituição armênio de Shahamir Shahamiryan (1773)

1773 (redação, segundo Osipian); primeira edição em Madras, datada de 1775 na bibliografia de Osipian; data de impressão em debate · Anatólia e Cáucaso, Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em Madras, no sul da Índia, o comerciante armênio Shahamir Shahamiryan, nascido em Nova Julfa, e companheiros do seu círculo redigiram em armênio clássico um projeto de constituição para uma Armênia independente, com 415 artigos, que ficou conhecido como "Armadilha da Glória". Segundo o jurista Boris Osipian, o texto previa deputados eleitos, um conselho legislativo e um chefe de origem armênia com poderes limitados, e apoiava a libertação do domínio persa e turco pelas regiões de Karabakh, com ajuda do rei georgiano e da Rússia. Segundo Osipian, o catolicos de todos os armênios da época, Simeão de Erevã, julgou esses projetos inviáveis e perigosos.

Um comerciante de Nova Julfa em Madras

Segundo Osipian, os antepassados de Shahamir Shahamiryan vinham de Nakhichevan e passaram à Pérsia em 1605. Ele nasceu em 4 de novembro de 1723 em Nova Julfa, cidade fundada pelos armênios de Nakhichevan, e morreu em 1797. Jovem, mudou-se para a Índia e se fixou em Madras, onde foi alfaiate e depois negociante de ouro e pedras preciosas, que vendia por toda a Índia. Fundou uma tipografia própria e, nos anos 1770, organizou um grupo patriótico armênio, do qual fazia parte Movses Baghramyan, natural de Karabakh. O artigo diz que o projeto contou com o apoio e a coautoria de Joseph Emin e de Baghramyan, influenciados, segundo o autor, pela teoria constitucional inglesa. (Osipian 2022)

O que o projeto prometia

A obra, segundo Osipian, tem 415 artigos e prevê um chefe de origem armênia com poderes monárquico-constitucionais, a quem se lembra que o povo não foi criado para o príncipe. O autor diz que a lei devia garantir a segurança das pessoas e dos bens, e que o legislativo seria a Casa da Armênia, perante a qual responderia o Executivo. O texto citado pede que todos aprendam armênio e que os pais ensinem aos filhos o manejo das armas. Osipian chama atenção para o princípio, repetido no texto, de que o povo "deve ser seu próprio rei" e governar a si, sob a lei divina, e para a rejeição de qualquer rei armênio com poder autocrático. (Osipian 2022)

Programa do Sul, programa do Norte

Osipian descreve duas linhas do movimento armênio de libertação. O "Programa do Sul", de Shahamiryan e seu círculo em Madras, queria um Estado nas terras dos cinco meliks (chefes locais) de Karabakh, libertadas da dominação persa e turca com a ajuda do rei Erekle II da Geórgia e da Rússia de Catarina II. O "Programa do Norte", de armênios pró-russos como I. Lazarev e I. Argutinsky, defendia que sem o centralismo do Império a Armênia não sobreviveria. O autor diz que as duas linhas contavam com a ajuda russa, e que, depois da incorporação da Armênia oriental pelo Tratado de Turkmenchay (1828), todos os projetos de Armênia independente foram descartados. (Osipian 2022)

Fontes

  1. Osipian, B. (2022). "Shahamir S. Shahamiryan's 'The Snare of Glory' as the draft Constitution of Armenia of 1773". Fundamental Armenology 2(16): 136–144. DOI 10.54503/1829-4618-2022.2(16)-136. Em inglês; o autor dirige o Instituto de Lawmetria e Teoria Universal do Direito (Boston). Cita a edição de Avagyan (Monuments of Armenian Law, Yerevan, 2000, em russo). PDF aberto em fundamentalarmenology.am. Acessar

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