Tratado de Georgievsk (1783): Kartli-Kakheti sob proteção russa
24 jul. 1783 (assinatura em Georgievsk); artigo adicional aprovado por Catarina II em 30 set. 1783 e assinado em Tbilisi em 24 jan. 1784, segundo Tabuashvili · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 24 de julho de 1783, na fortaleza de Georgievsk, no Cáucaso Norte, o reino georgiano de Kartli-Kakheti, do rei Erekle II, e o Império Russo assinaram o tratado que pôs o reino sob a proteção de Catarina II. Segundo o historiador georgiano Apolon Tabuashvili, o conjunto tinha o corpo do tratado, artigos separados e um juramento de fidelidade, e um artigo adicional sobre a unção e a coroação dos reis georgianos só foi aprovado em 30 de setembro de 1783, depois de insistência de Erekle. Para o autor, o pedido buscava uma garantia a mais de que o reino não seria abolido, depois da anexação russa do canato da Crimeia.
As três peças e o artigo que veio depois
Segundo Tabuashvili, o tratado foi concluído em 24 de julho de 1783 na fortaleza de Georgievsk. Assinaram pela Rússia o general Pavel Potemkin, comandante do Corpo do Cáucaso, e pela Geórgia os príncipes Ivane Bagrationi (Mukhranbatoni) e Garsevan Chavchavadze. Três documentos foram firmados: o corpo do tratado, os artigos separados e um juramento de fidelidade. O artigo adicional veio depois: Pavel Potemkin o assinou em dezembro de 1783 e os dois enviados georgianos, em 24 de janeiro de 1784, dia previsto para a ratificação em Tbilisi. Por isso a versão georgiana traz essa data e esse lugar, e a russa não traz data nem lugar. (Tabuashvili 2025)
Seis semanas de hesitação em Tbilisi
Em abril de 1783, Grigory Potemkin enviou a Erekle II o projeto de tratado e avisou que a imperatriz atendera a todas as exigências georgianas. Em 9–10 de maio, Pavel Potemkin pediu que o rei escolhesse dois embaixadores. Erekle adiou a decisão por quase um mês e meio, discutindo o texto em detalhe, e só em 28 de junho consentiu em assinar. No mesmo dia, em carta a Grigory Potemkin, lembrou que os monarcas da Geórgia unida sempre haviam sido ungidos e coroados, que Teimuraz, seu pai, o fora sob Nader Shah, e que ele próprio não pudera fazer a cerimônia ao subir ao trono. Os embaixadores chegaram a Mozdok em 15 de julho e discutiram com os russos de 19 a 23 de julho. (Tabuashvili 2025)
O enviado a São Petersburgo e a aprovação de 30 de setembro
Depois da assinatura, Erekle II mandou ao fim de agosto de 1783 o príncipe Sulkhan Tumanishvili à corte imperial, com relatório de 25 de agosto dirigido diretamente a Catarina II, e voltou a pedir o artigo adicional. Segundo Tabuashvili, ele sublinhou que já recebera no tratado a promessa de que o reino não seria abolido. Após a ratificação de 21 de setembro, Catarina II aprovou o artigo em 30 de setembro de 1783, e nele Erekle já aparece com o tratamento de "Alteza". O autor nota que o rei nunca exerceu o direito: não foi coroado, e conclui que seu objetivo era ter o direito inscrito no tratado. (Tabuashvili 2025)
A sombra da Crimeia
O argumento central de Tabuashvili é que a prudência de Erekle II se explica pelo que se passava na Crimeia. O manifesto de Catarina II de 8 de abril de 1783 incorporou o canato ao Império, e em maio–junho a notícia se espalhou, com o juramento de lealdade da população local concluído no fim de junho. O autor destaca que a abolição ocorreu quando o trono do canato era ocupado por Shahin-Giray, tido como aliado do Império, e lembra que os georgianos mantinham comércio estreito com a Crimeia e recebiam notícias de lá. Em carta de junho, Pavel Potemkin disse não ter mandato para tornar o manifesto público na Geórgia, embora o rei devesse ao menos ser informado. (Tabuashvili 2025)
Fontes
- Tabuashvili, A. (2025). "The impact of the Crimean question on Georgian-Russian relations (1783—1784)". MAIASP n. 19, 2025, pp. 510–515. DOI 10.53737/2713-2021.2025.28.12.025. Texto em inglês e resumo em russo; o autor é professor da Universidade Estatal de Tbilisi e pesquisador do Centro Nacional de Manuscritos da Geórgia. PDF aberto em maiask.ru. Acessar
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