Atlas da História

Revolta de Patrona Halil (Istambul, 1730)

fim de set.–nov. 1730 (Wikidata: 28 set.–1 out.; deposição de Ahmed III em 1 out. e execução de Patrona em nov., segundo Karagedikli; "Sexta-feira Negra" de 29 set., segundo Koçu citado por Yaşaroğlu) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em fins de setembro de 1730, Patrona Halil, marinheiro de origem albanesa, e cerca de trinta companheiros saíram descalços do Banho de Beyazıt, em Istambul, fecharam o comércio e ganharam a adesão dos janízaros enquanto o sultão e o exército se preparavam para uma campanha contra o Irã. Os rebeldes exigiram a entrega de funcionários do Estado, entre eles o grão-vizir Nevşehirli Damat İbrahim Paşa, que foi estrangulado, e Ahmed III abdicou em 1º de outubro em favor do sobrinho Mahmud I, que mandou executar Patrona em novembro. Para o historiador Yaşaroğlu, a revolta encerrou o período chamado Era das Tulipas.

Antes da revolta: luxo, Passarowitz e a questão persa

Karagedikli aponta como pano de fundo as dificuldades econômicas agravadas pelo gasto com palácios e festas da Era das Tulipas, a derrota na guerra contra a Áustria (1715–1718) e o Tratado de Passarowitz, que fez famílias deslocadas dos Bálcãs afluírem a Istambul. Yaşaroğlu soma a causa externa: cita Ahmet Refik, via Altınay, para dizer que o avanço russo no norte do Irã pôs os muçulmanos persas a pedir ajuda ao califa, e que o grão-vizir, querendo evitar atrito com a Rússia, tentou manter a paz. Pressionado, acabou declarando guerra ao Irã, o que, segundo o autor, foi sobretudo um gesto para acalmar a opinião pública. O sultão e o exército já haviam passado a Üsküdar para a campanha quando a revolta começou. (Yaşaroğlu 2019; Karagedikli 2024)

Os trinta descalços e a sexta-feira sem chamado à oração

Segundo Yaşaroğlu, Patrona, Muslu Beşe e o dono de café Kahveci Ali Usta decidiram, num café de janízaros, dar o golpe, que marcaram para o feriado de quinta e sexta. Na noite de quarta para quinta, trinta homens se reuniram no Banho de Beyazıt e saíram de manhã sob uma bandeira improvisada, descalços. Os comerciantes fecharam as lojas, e o agá dos janízaros fugiu para Üsküdar. Os rebeldes esperaram à porta do quartel, conseguiram a adesão dos janízaros, expuseram os caldeirões da corporação, tomaram o Arsenal e puseram um juiz da sua escolha. Segundo Koçu, citado pelo autor, na sexta-feira, 29 de setembro, não houve chamado à oração em Istambul, e muitas famílias se refugiaram em mesquitas imperiais. (Yaşaroğlu 2019)

A lista, os estrangulamentos e a abdicação

Em resposta ao enviado do sultão, os rebeldes entregaram uma lista de 37 dignitários, em que constavam o grão-vizir, seus dois genros, o xeique do islã e o poeta Nedim. O autor diz que o sultão aceitou entregar três: o grão-vizir e seus dois genros foram estrangulados com aprovação de uma fatwa, e o xeique do islã foi deposto e exilado. Yaşaroğlu relata ainda que os rebeldes, ao receber o corpo, o arrastaram até a porta do palácio, ofensa que o sultão entendeu como recado. Segundo a crônica de Abdi citada por ele, 70 mil soldados reunidos em Meydan-ı Lahm declararam não querer mais Ahmed III. O sultão abdicou, pedindo a proteção da vida dos seus filhos, e o príncipe Mahmud foi tirado do aposento fechado e entronizado. (Yaşaroğlu 2019)

Depois: pavilhões destruídos e o fim de Patrona

Segundo Yaşaroğlu, os rebeldes abriram os registros das corporações militares a muitos novos nomes, o que, em sua leitura, tirou a disciplina das tropas até o fim dos janízaros em 1826. Os pavilhões e jardins de tulipas de Sadabad foram destruídos em três dias, apesar das tentativas do sultão de impedir. Os próprios chefes do Estado, afirma o autor, armaram uma emboscada: Patrona e seus homens foram chamados ao palácio e mortos por Halil Ağa, um dos comandantes (çorbacı) dos janízaros. Karagedikli confirma a execução em novembro de 1730 e acrescenta a punição aos pais de Patrona em 1731, com a suspeita contra os albaneses de Istambul no período posterior. (Yaşaroğlu 2019; Karagedikli 2024)

Fontes

  1. Yaşaroğlu, H. (2019). "Nevşehirli Damat İbrahim Paşa Yahut Bir Yenilik Hamlesinin Hazin Sonu (Patrona Halil Darbesi)". Turkish Studies – Historical Analysis 14(3): 643–667. DOI 10.29228/TurkishStudies.22560. Em turco, com resumo em inglês; o autor é da Universidade Muğla Sıtkı Koçman. Cita como fontes M. Münir Aktepe, Altınay, Koçu, Uzunçarşılı e a crônica de Abdi. Acessar
  2. Karagedikli, G. (2024). "A Letter Concerning the Parents of Patrona Halil". Keshif: E-Journal for Ottoman-Turkish Micro Editions 2/2: 62–66. DOI 10.25365/kshf-24-02-08. Edição de uma carta do registro do tribunal muçulmano de Tekfurdağı (Tekirdağ), de maio de 1731, com transcrição, tradução inglesa e fac-símile; acesso aberto, CC BY 4.0. Acessar

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