Sufrágio feminino na Turquia
1930 (conselhos municipais) e 1934 (parlamento) · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Reconhecimento, em duas etapas, do direito das mulheres de votar e ser votadas na Turquia: em 1930 para os conselhos municipais e, desde 1934, com base constitucional, para o parlamento. Safiye Hüseyin Elbi esteve entre as primeiras mulheres eleitas para o conselho municipal de Istambul (Dalaman 2025).
Lei municipal de 1930 e lei das aldeias de 1933
A Lei dos Municípios (nº 1580) foi aprovada pela Grande Assembleia Nacional em 3 de abril de 1930 e publicada no Diário Oficial de 14 de abril; seus artigos 23 e 24 deram às mulheres o direito de votar e de se candidatar aos conselhos municipais (Doğru 2023; Evcin 2022). Nos debates de março, o ministro do Interior, Şükrü Kaya, apresentou a medida como reconhecimento de uma igualdade que já existiria entre homens e mulheres; ao mesmo tempo, segundo Evcin, deputados e parte da imprensa levantaram objeções à presença feminina na política. O tema já havia surgido em 1927, no debate da lei do serviço militar, quando o deputado Hakkı Tarık (Us) associou um eventual voto feminino ao dever de defesa e Yunus Nadi respondeu que as duas questões não tinham relação. Em 26 de outubro de 1933, a Lei 2329 alterou os artigos 20 e 30 da Lei das Aldeias (nº 442): o muhtar e o conselho de anciãos passaram a ser eleitos entre as mulheres e os homens da aldeia, o que levou o direito ao nível mais local da administração. (Evcin 2022; Doğru 2023)
Dezembro de 1934: as leis 2598 e 2599
A data exata da mudança constitucional aparece em duas fontes que remetem ao Diário Oficial: em 5 de dezembro de 1934 a Assembleia aprovou a Lei 2599, que reescreveu os artigos 10 e 11 da Constituição de 1924 (Teşkilât-ı Esasiye) e foi publicada em 11 de dezembro (Doğru 2023; Evcin 2022). Toda pessoa turca, mulher ou homem, passou a votar para deputado aos 22 anos completos e a poder ser eleita aos 30. Na mesma data, a Lei 2598 substituiu, na lei eleitoral parlamentar, o termo “zükur” (varões) por “mulher e homem”. A proposta partiu do primeiro-ministro İsmet İnönü, que no plenário invocou a atuação das mulheres durante a Guerra de Independência; o deputado Sadri Maksudi (Arsal) citou Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos e Rússia como precedentes. Evcin observa que França, Itália, Suíça, Bélgica e Japão ainda não reconheciam esse direito naquele momento. Na mesma sessão foi aceita a renovação antecipada da Assembleia, que abriu caminho para as eleições de 1935. (Doğru 2023; Evcin 2022)
Istambul, 1930: candidatas de dois partidos
Em Istambul, o Partido Republicano do Povo (CHF) pôs mulheres no topo das listas de quatro distritos em 1930: Nakiye Hanım em Beyoğlu, Rana Sani Yaver em Eminönü, Latife Bekir em Fatih e Safiye Hüseyin em Kadıköy, segundo Dalaman (2025), que se apoia no jornal Vakit. O Partido Republicano Livre, a experiência de oposição daquele ano, também apresentou candidatas: Makbule Hanım e Nezihe Muhiddin em Beyoğlu e a escritora Suat Derviş em Beyazıt. Todas as candidatas do CHF foram eleitas, e a sessão inaugural do conselho de Istambul, em 6 de novembro de 1930, reuniu pela primeira vez vereadores homens e seis mulheres. Safiye Hüseyin, enfermeira de formação, entrou na comissão de saúde e, a seu pedido, também na de educação. Dalaman reconstrói ainda o recuo posterior: em 1933 ela continuou suplente na direção do partido em Istambul, queixou-se por carta ao secretário-geral Recep Peker e, em 1934, não se reelegeu; a ligação entre as críticas à cúpula e a derrota é apresentada como avaliação, não como fato documentado. (Dalaman 2025)
Fevereiro de 1935: voto em dois graus e partido único
A primeira eleição parlamentar com voto feminino, em 8 de fevereiro de 1935, seguiu o sistema em dois graus usado até 1946: o eleitorado escolhia eleitores de segundo grau, e estes escolhiam os deputados. Só o CHF concorria, e a lista final de candidatos foi fechada em 2 de fevereiro por um conselho presidido por Mustafa Kemal no palácio de Dolmabahçe (Evcin 2022). Evcin conta 399 eleitos: 13 independentes e 386 do CHF, entre os quais 17 mulheres; uma eleição suplementar em 1936 levou Hatice Özgenel, por Çankırı, e o total chegou a 18, cerca de 4,5%. Doğru (2023) fala em 18 mulheres já em 1935 entre 397 deputados, diferença que parece vir da inclusão da eleição suplementar. O censo de 1935, citado por Evcin, registrava cerca de 90% de analfabetismo entre as mulheres e 71% entre os homens. A presença não se sustentou: Dalaman (2025) conta 15 deputadas em 1939, 16 em 1943 e 9 em 1946, e Doğru registra 3 em 1950, já com vários partidos. (Evcin 2022; Doğru 2023; Dalaman 2025)
Bolu: a reforma vista de uma província
Evcin (2022) acompanha a mudança pelo jornal oficial da província de Bolu, cidade da Anatólia. Bâhire (Morova), nascida em 1897 na Bósnia e professora de desenho em Bolu, foi eleita para o conselho municipal em 1930 e reeleita em 1934. Memórias locais situam num jantar em Bolu, em 17 de julho de 1934, a decisão de Mustafa Kemal de levar o voto parlamentar feminino à Assembleia; Evcin adota essa versão, mas ela depende de relatos posteriores e deve ser lida como hipótese. Em 8 de dezembro de 1934, mulheres de Bolu se reuniram na Casa do Povo local e anunciaram que se filiariam ao CHF. Nos números de 1935 que Evcin reproduz, a província tinha 76.623 mulheres e 60.923 homens aptos a votar no primeiro grau, e votaram 46.304 mulheres e 38.871 homens. Nenhuma mulher entrou na lista de deputados de Bolu, e Bâhire Bediz saiu candidata por Konya; mesmo assim, duas mulheres foram eleitas para a assembleia provincial de 16 membros, e na aldeia de Çorak Emine Halil passou a integrar o conselho de anciãos. (Evcin 2022)
Fontes
- Doğru, D. (2023). "Türkiye’de Kadınların Siyasal Haklarını Kazanması ve Siyasal Temsilde Karşılaşılan Sorunlar". Ankara Üniversitesi Hukuk Fakültesi Dergisi 72(1): 247–293. DOI 10.33629/auhfd.1248155. Acessar
- Dalaman, Z. B. (2025). "Osmanlı’dan Cumhuriyet’e Geçiş Sürecinde Bir Modernleşme Aktörü: Safiye Hüseyin Elbi’nin Siyasi Kariyeri ve Kadın Hakları Mücadelesine Katkıları (1930-1946)". Belgi Dergisi 30: 51–74. DOI 10.33431/belgi.1671701. Acessar
- Büyükkağnici, A. (2026). "Türkiye’de Birinci Dalga Feminizmin Paradoksu: Kadınsız İnkılap ve Nezihe Muhiddin’in Silinen Mücadelesi". Advances in Women’s Studies 8(1): 24–31. DOI 10.51621/aws.1833151. Acessar
- Evcin, E. (2022). "Bolu Kamuoyundaki Yankıları ile Türk Kadınının Siyasal Haklarına Kavuşması". İstanbul Üniversitesi Kadın Araştırmaları Dergisi 24: 55–90. DOI 10.26650/iukad.2022.1084573. Acessar
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