Massacre dos judeus de York (março de 1190)
mar. 1190 (Newburgh, na edição de Stevenson: véspera do Domingo de Ramos, 17 de março) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em março de 1190, a comunidade judaica de York, refugiada no castelo real, foi cercada por uma multidão. Segundo o cronista Guilherme de Newburgh, parte dos sitiados se matou na noite anterior e os sobreviventes foram mortos ao sair, depois de pedirem o batismo. Para Abulafia, o episódio faz parte da violência antijudaica de 1189–1190 na Inglaterra, ligada a cavaleiros endividados e ao fervor da cruzada.
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A comunidade judaica inglesa e a violência de 1189–1190
Segundo Abulafia, a comunidade judaica medieval da Inglaterra existiu entre 1066 e 1290, sob controle régio mais forte do que em qualquer outro lugar da cristandade latina; um departamento especial, o Exchequer dos Judeus, cuidava de seus negócios financeiros. Sob Henrique II ficou lucrativo especializar-se no empréstimo. Em 1189, as incertezas de um novo reinado coincidiram com o fervor de cavaleiros que haviam tomado a cruz. Os tumultos que acompanharam a coroação de Ricardo I em Londres, em setembro, se espalharam em fevereiro e março de 1190 por Norwich, King's Lynn, Stamford, Lincoln, York, Bury e outras cidades. (Abulafia)
O incêndio, o saque e o refúgio no castelo
Newburgh conta que os principais judeus de York eram Benedito e Joceu, ricos credores com casas imensas no centro. Benedito havia morrido em Londres. Segundo o cronista, muitos habitantes do condado juraram juntos contra os judeus, incitados por homens de alta posição endividados, e alguns que tomaram a cruz esperavam pagar a viagem com o saque. Numa noite, parte da cidade ardeu e bandos armados invadiram a casa de Benedito, mataram quem estava lá e levaram a riqueza. Os judeus, sobretudo Joceu, pediram ajuda ao governador do castelo real e se abrigaram nele com seus bens. (William of Newburgh (c. 1198). Historia rerum Anglicarum)
O cerco e a noite da decisão
O cronista diz que os judeus, sem armas suficientes nem comida, resistiram dias com pedras tiradas da própria parede; por fim chegaram máquinas de cerco. Um eremita premonstratense, que ele afirma ter incitado a multidão, morreu esmagado por uma pedra. Na noite anterior ao ataque final, um ancião, descrito como mestre da Lei vindo do outro lado do mar, teria proposto que todos entregassem a vida a Deus em vez de se converterem. Abulafia identifica esse ancião como Yom Tov de Joigny, rabino visitante do norte da França. Newburgh conta que os que recusaram se separaram, que Joceu degolou a esposa Ana e os filhos, e que o ancião então o degolou. (William of Newburgh (c. 1198). Historia rerum Anglicarum; Abulafia)
A manhã seguinte e os documentos de dívida
De manhã, segundo Newburgh, os sobreviventes apareceram nas ameias, jogaram os corpos e disseram aceitar o batismo. Chefes do grupo, entre eles Ricardo "Malbeste", prometeram segurança e mataram-nos ao saírem. Em seguida, os conjurados forçaram os guardiões da catedral a entregar os títulos de dívida depositados pelos judeus e os queimaram no meio da igreja. Os que haviam tomado a cruz partiram antes de qualquer inquérito. Abulafia acrescenta que Ricardo ordenou levar os culpados à justiça, mas só se cobraram multas pesadas de York; ninguém foi julgado. Dobson, citado por ela, mostra que poucos anos depois judeus já voltavam a se estabelecer na cidade. (William of Newburgh (c. 1198). Historia rerum Anglicarum; Abulafia)
Fontes
- William of Newburgh (c. 1198). Historia rerum Anglicarum, livro IV, caps. 9–11. Trad. Joseph Stevenson, The Church Historians of England, vol. 4, parte 2 (Londres: Seeleys, 1861). Internet Medieval Sourcebook (Fordham University), https://sourcebooks.web.fordham.edu/basis/williamofnewburgh-four.asp. Acessar
- Abulafia, A. S. (s.d.). "William of Newburgh on the attack on the Jews of York in 1190". Jewish/non-Jewish Relations (JNJR), seção "Primary sources: medieval", Universidade de Edimburgo (página que traz o latim de Howlett 1884 e tradução da própria autora). https://jnjr.div.ed.ac.uk/primary-sources/medieval/william-of-newburgh-on-the-attack-on-the-jews-of-york-in-1190/. Acessar
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