Atlas da História

Processo do Talmude em Paris (1240) e queima dos exemplares

processo em junho de 1240; queima dos exemplares em 1241 ou 1242 (datação em debate) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em junho de 1240, em Paris, o rei Luís IX reuniu rabinos para responder às acusações do judeu convertido Nicolau Donin contra o Talmude, que o papa Gregório IX havia mandado apreender em 1239. Há dois relatos que divergem: um resumo latino de interrogatório de dois rabinos por eclesiásticos e um relato hebraico, o Vikkuah, de uma disputa pública. Os exemplares apreendidos na França foram queimados na Place de Grève, em 1241 ou 1242 segundo a fonte.

Do requerimento de Donin à apreensão

Segundo Fidora, em 1238/9 Nicolau Donin, convertido do judaísmo, entregou ao papa Gregório IX uma lista de acusações ao judaísmo rabínico, as chamadas "Trinta e Cinco Artigos contra o Talmude", formadas por trechos do Talmude (com as glosas de Rashi) que ele traduzira para o latim. Tinson fala em trinta e oito artigos, sem explicar a diferença. O papa reagiu em carta de 9 de junho de 1239, em que dizia que os judeus não se contentavam com a Lei de Moisés e afirmavam que o Senhor dera outra lei, o Talmude, e ordenou que bispos e monarcas apreendessem todos os exemplares. Segundo Fidora, só Luís IX atendeu e, em junho de 1240, convocou a Paris os principais estudiosos judeus do reino. (Fidora 2022; Tinson 2024)

Duas narrativas do mesmo caso

Fidora resume a controvérsia: de um lado, o resumo latino mostra um inquérito de eclesiásticos; do outro, o Vikkuah mostra uma disputa na corte. Há quem desconfie do relato hebraico (Baer, em 1931; Hames, que o vê escrito à luz de Barcelona e da segunda disputa de Paris, por volta de 1269) e quem minimize o latino (Chazan, em 1988). Judah Galinsky identificou duas versões do Vikkuah, uma redigida logo após a disputa e a padrão depois da queima, e a primeira estaria mais próxima do relato cristão. Fidora segue Jeremy Cohen: o dossiê latino fala de dois procedimentos, uma disputa sob auspícios régios e um interrogatório mais formal. (Fidora 2022)

O Talmude como alvo e a queima

Segundo Tinson, a retórica cristã em Paris era negar ao Talmude qualquer autoridade, descrevendo-o como obra maliciosa de homens para suplantar a Lei hebraica, e depois em Barcelona buscaria nele uma camada original de verdade para provar que Jesus era o Messias. Em Paris, passagens em que um "Jesus" aparece de forma desfavorável foram um ponto difícil; o rabino Yehiel respondeu que não era o Jesus dos cristãos e brincou que "nem todo Luís é rei da França". Os argumentos não convenceram a assistência cristã e, segundo Tinson, vinte e quatro carroças de exemplares foram confiscadas e queimadas em 1242. Fidora cita a queima na Place de Grève em 1241/42. (Tinson 2024; Fidora 2022)

Fontes

  1. Fidora, Alexander (2022). "The Trial of 1240 against the Talmud: A Reassessment of the Christian Account plus a New Edition". Sefarad, 82:1 (jan.-jun. 2022), pp. 7-29. ISSN 0037-0894. DOI 10.3989/sefarad.022-001. Texto bruto lido em https://doi.org/10.3989/sefarad.022-001 (PDF aberto, CC BY 4.0), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
  2. Tinson, Kate (2024). "1263: Nachmanides and the Disputation of Barcelona in Sefer Vikuaḥ". Transmediterranean History, 6.1. DOI 10.18148/tmh/2024.6.1.82. Texto bruto lido (PDF aberto), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar

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