Atlas da História

A guerra de Kurukshetra no Mahabharata

partes mais antigas conservadas não anteriores a c. 400 a.C.; crescimento até c. 400 d.C. (Brockington 1998) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

O Mahabharata narra a guerra de dezoito dias entre os primos Pandavas e Kauravas em Kurukshetra. O texto cresceu por séculos; escavações em sítios que o poema nomeia mostram uma cultura de cerâmica cinzenta pintada, mas especialistas divergem sobre ligar esses vestígios à guerra.

Um poema que cresceu por séculos

Segundo Brockington, as partes mais antigas conservadas do Mahabharata dificilmente são muito anteriores a c. 400 a.C., e o texto passou por tantas reelaborações que o antigo e o novo ficaram em boa parte misturados. Ele cita o esquema de Hopkins, que propõe etapas entre c. 400 a.C. e c. 400 d.C., e lembra que a obra tem partes didáticas posteriores ao núcleo narrativo. Lal, por sua vez, descreve a ampliação do poema do Jaya, de cerca de 8.800 versos, ao Bharata, de 24.000, e ao Mahabharata de quase 100.000 versos. (Brockington 1998; Lal)

A data da guerra e as leituras da tradição

Brockington observa que o cálculo tradicional indiano situa a guerra em 3101 ou 3102 a.C., o que não combina com o resto da evidência, e que outra tradição a coloca no século XV a.C., ainda muito cedo para as provas disponíveis. Ele considera possível, se a guerra ocorreu, que tenha sido no início do século IX a.C., mas diz que a questão da historicidade parece insolúvel. Sugere ainda que um conflito local pode ter virado, na boca dos bardos, uma guerra de toda a Índia, como na Ilíada todo o mundo grego cerca Troia. (Brockington 1998)

O que as escavações mostram e o debate

Lal afirma que sítios ligados ao poema compartilham a cerâmica cinzenta pintada, que a destruição do assentamento de Hastinapura por uma inundação tem eco na literatura e que a continuidade da cerâmica em Kausambi acompanha a transferência da capital após a inundação, segundo o texto. Brockington contrapõe que essa cultura ocupa a mesma área que a dos povos védicos tardios, que as datas recentes (800-350 a.C.) são posteriores aos prováveis eventos e que identificar vestígios com um povo específico é frágil, pois a língua não deixa traços na cultura material. (Lal; Brockington 1998)

A leitura do poema hoje

Brockington descreve o Mahabharata como obra que ultrapassou o período heroico em que se passa e serviu de veículo para fases sucessivas da cultura indiana, incluindo o ensino religioso da Bhagavad Gita, incorporada pelos adeptos de Krishna. Essa dupla camada, narrativa e didática, explica por que o poema é lido ao mesmo tempo como história de uma família, texto de dharma e escritura religiosa. (Brockington 1998)

Fontes

  1. Brockington, J. (1998). The Sanskrit Epics. Leiden: Brill (Handbuch der Orientalistik, II.12). Cópia aberta: DOI 10.5281/zenodo.6411280. Acessar
  2. Brockington, J. (1998). The Sanskrit Epics. Leiden: Brill, cap. 4, seção "Archaeology and the epic" (e cap. 3, datação do poema). Cópia aberta: DOI 10.5281/zenodo.6411280. Acessar
  3. Lal, B. B. (1978-79; reimpr. 2024). "Was Ayodhya A Mythical City?". Indology Journal (indologyjournal.org), PDF aberto: https://indologyjournal.org/index.php/ijoi/article/download/37/24. Acessar

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