Siddhattha Gotama (o Buda)
c. 563–483 a.C. pela "cronologia longa corrigida"; c. 480–400 a.C. pela cronologia mediana (Cousins 1996); tradições budistas dão datas ainda mais antigas · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Siddhattha Gotama, chamado de o Buda, é o mestre cuja ordem de mendicantes deu origem ao budismo. Nos suttas páli lidos ele ensina em Magadha e arredores e morre perto de Kusinārā, aos oitenta anos, segundo o DN 16. As datas de sua vida são discutidas: a cronologia longa corrigida põe a morte em c. 486–483 a.C., e Cousins (1996), resenhando o simpósio de Göttingen, propõe c. 400 a.C.
O que os suttas mostram da vida dele
No Mahāparinibbānasutta (DN 16), na tradução de Sujato, o Buda está perto de Rājagaha quando o rei Ajātasattu de Magadha pergunta, por seu ministro, sobre atacar os vajjis. Ele segue por Pāṭali, Vesālī e Pāvā até Kusinārā e diz a Ānanda: "I'm currently eighty years old", comparando o próprio corpo a uma carroça velha mantida por uma corda. Morre entre duas árvores sal no bosque dos mallas, em Upavattana, perto de Kusinārā. No MN 26, relata em primeira pessoa que deixou os mestres Āḷāra Kālāma e Uddaka e percorreu as terras de Magadha até Uruvelā. (Sujato; Sujato)
Uma data, várias tradições
Cousins (1996) lembra que o autor dos Anais Azuis, no século XV, já escrevia que há "grande desacordo" entre os eruditos sobre o nascimento e o nirvana do Mestre. No Leste Asiático a data tradicional da morte era 949 a.C. (com variante de 878); antes do século V d.C. circulava 686 a.C. Na tradição tibeto-mongol, 881 a.C., ligada à cronologia de Shambhala do Kalacakra. A tradição do sul guarda 543 a.C. e não registra discordância. Segundo Cousins, as datas chinesas foram obtidas ligando episódios da vida do Buda, como terremotos, a fenômenos de registros chineses, o que mostra que os missionários não trouxeram informação cronológica precisa. (Cousins 1996)
Do consenso de 486 a.C. à cronologia mediana
Segundo Cousins (1996), a partir do século XIX os eruditos corrigiram a tradição do sul pelos sincronismos gregos de Candragupta e Aśoka e chegaram, no início do século XX, a um consenso em torno de 483 ou 486 a.C. para a morte. Três razões o abalaram: a arqueologia não se encaixava numa data tão antiga, o "Registro Pontilhado" chinês pode ter origem sinhala e não ser independente, e muitas fontes sarvāstivādins põem a coroação de Aśoka cerca de cem anos depois do Mahaparinibbana. Nakamura, Norman e Gombrich propõem, com Bareau, c. 400 a.C. com margem de vinte anos. Cousins conclui que nenhum método prova a data exata e fala de c. 400 a.C., escolhendo o número redondo de propósito. (Cousins 1996)
Quem viveu no mesmo tempo
Cousins (1996) tira uma consequência: se o Buda morreu por volta de 400 a.C., a data de Mahāvīra e as de reis como Pasenadi e Bimbisāra descem na mesma proporção, porque fazem parte do mesmo contexto histórico, e a das Upaniṣads e as possíveis ligações com o mundo grego precisam ser repensadas. No DN 2, o rei Ajātasattu de Magadha ouve de seus ministros uma lista de mestres religiosos de seu tempo, em que aparece o asceta jaina do clã Ñātika, e acaba procurando o Buda no Bosque de Mangueiras de Jīvaka, em Rājagaha. (Cousins 1996; Sujato)
Fontes
- Cousins, L. S. (1996). "The Dating of the Historical Buddha: A Review Article". Journal of the Royal Asiatic Society, 3ª série, 6(1): 57–63. DOI 10.1017/S1356186300014760. (lido na reedição em P. Williams (org.), Buddhism: Critical Concepts in Religious Studies, vol. I, 2005, cópia digitalizada em https://www.ahandfulofleaves.org/documents/Articles/The%20Dating%20of%20the%20Historical%20Buddha_A%20review%20article_JRAS_Cousins_1996.pdf, consultado em 29/10/2026). Acessar
- Sujato, Bhikkhu (trad.). "Mahāparinibbānasutta" (Dīgha Nikāya 16). SuttaCentral, edição bilara em inglês, texto de acesso aberto. https://suttacentral.net/dn16/en/sujato (consultado em 29/10/2026). Acessar
- Sujato, Bhikkhu (trad.). "Ariyapariyesanasutta" (Majjhima Nikāya 26, A Busca Nobre). SuttaCentral, edição bilara em inglês, texto de acesso aberto. https://suttacentral.net/mn26/en/sujato (consultado em 29/10/2026). Acessar
- Sujato, Bhikkhu (trad.). "Sāmaññaphalasutta" (Dīgha Nikāya 2). SuttaCentral, edição bilara em inglês, texto de acesso aberto. https://suttacentral.net/dn2/en/sujato (consultado em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Os mestres śramaṇa no Sāmaññaphalasutta: seis doutrinas sobre os frutos da vida ascética, na versão budista séc. VI–V a.C., por convenção do atlas; os textos não dão ano e as datas do Buda e de Mahavira estão em debate
- Mahāvīra (Vardhamāna) 599–527 a.C. na tradição jaina dos svetâmbaras (cálculo do atlas a partir de Jacobi 1884); eruditos recentes o põem mais tarde (Cousins 1996)
- Mahajanapadas: os dezesseis grandes países e Magadha sob Bimbisara c. 600–345 a.C. (datas do Wikidata; os textos páli não dão datas absolutas)
- Mahāpajāpatī Gotamī contemporânea do Buda, sem datas nos textos lidos; a cronologia dele é debatida (c. séc. VI–V a.C.)
- Rama e Ayodhya no Ramayana composto entre c. 500 a.C. e 300 d.C. (Brockington 1998)
- Gārgī Vācaknavī, interlocutora de Yājñavalkya na corte de Janaka, nos textos dos sécs. VIII–VI a.C. (datas estimadas) Sem data própria: figura de um texto que a literatura dá como composto entre c. 700 e 500 a.C. (Brian Black, no IEP, citando Olivelle 1998). O ano −650 é o meio do séc. VII a.C., usado só como marca no mapa, sem afirmar quando ela viveu