Atlas da História

Império Máuria

c. 322–185 a.C. (Wikidata) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Império da Índia antiga entre os séculos IV e II a.C. Sob o imperador Asoka, éditos gravados em pedra divulgaram por todo o território as orientações morais e políticas do soberano.

Fragmento de pedra em anel com deusas e palmeiras
Fragmento de pedra anelar com figuras de deusas e palmeiras, de época próxima à do Império Máuria. O museu não liga a peça ao império; serve como exemplo de escultura em pedra da Índia do período. Fragmento de pedra em anel com deusas e palmeiras, artesãos indianos não identificados, séc. III–II a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

A herança aquemênida no noroeste

Em 305 ou 304 a.C., Seleuco I cedeu por tratado a Chandragupta Maurya os territórios ao sul do Hindu Kush: a Aracósia (região de Kandahar), partes dos Paropamísadas, da Ária e da Gedrósia, além do Punjab e do Sind. Essas terras tinham sido satrapias aquemênidas por dois séculos e passaram a uma dinastia sediada no vale do Ganges. Fussman (1987) mostra que a burocracia aquemênida, que usava língua iraniana e escrita aramaica, continuou a funcionar sob os Máurias: Asoka mandou traduzir éditos para o arameo-iraniano em Taxila, Pol-e Darunta e Kandahar, e a escrita kharoshthi das inscrições do noroeste deriva do aramaico. A própria palavra dhammalipi, com que Asoka designa seus éditos, traz o iraniano dipi, "escrita". Em Laghman, inscrições curtas em arameo-iraniano indicam uma rota entre a Índia e a Báctria. (Encyclopaedia Iranica)

Pedra lavrada, colunas e Pataliputra

Não há arquitetura de pedra lavrada na Índia antes da época máuria, e Fussman (1987) liga seu surgimento, com toda probabilidade, à chegada de arquitetos e artesãos iranianos que ficaram sem trabalho com o fim do império aquemênida. Em Pataliputra (Patna) foram achadas em 1912–13 as ruínas de um palácio atribuído a Chandragupta, ou talvez a Bindusara ou Asoka, com uma grande sala hipostila que lembra as apadanas aquemênidas. As chamadas colunas de Asoka, muitas erguidas depois dele, misturam elementos iranianos, como o material, o polimento e partes do capitel, e indianos, como os fustes monolíticos, o modo de ereção e o simbolismo. Alguns historiadores da arte veem até a mão de escultores helenísticos nas peças mais refinadas, como a de Sarnath; outros, como S. P. Gupta, negam qualquer influência iraniana. (Encyclopaedia Iranica)

Éditos em grego e aramaico em Kandahar

Em Kandahar, a antiga Alexandria da Aracósia, apareceram dois éditos de Asoka (c. 270–230 a.C.) em grego: um bilíngue grego-aramaico, achado em 1957, e outro só em grego, achado em 1963. Segundo Maniscalco (2018), ambos resumem, para os leitores locais, a conversão e os princípios morais que Asoka adotou depois da sangrenta conquista de Kalinga, ocorrida no oitavo ano de seu reinado segundo a versão grega. O texto bilíngue diz que, completados dez anos de reinado, o rei Piodasses (Priyadarshi) mostrou a piedade aos homens, que ele se abstém de matar seres vivos e que caçadores e pescadores do rei deixaram de caçar. Para Fussman (1987), as versões gregas se dirigiam a uma colônia grega numerosa, ali desde Alexandre, da qual Asoka recrutava enviados ao mundo helenístico. (Maniscalco 2018; Encyclopaedia Iranica)

Kandahar era território máuria?

Os éditos levaram Schlumberger e a escola francesa a ver a Aracósia sob domínio máuria desde o pacto entre Seleuco e Chandragupta, c. 305 a.C. Fussman (1987) segue essa linha e observa que, do ponto de vista de Asoka, a "conversão" do rei selêucida Antíoco ao dharma, citada no édito XIII, significava o reconhecimento de sua suserania. Maniscalco (2018) contesta: o grego se explicaria pela propaganda dirigida aos reinos helenísticos, aos quais Asoka dizia levar sua mensagem, e não provaria a posse física da região. Ele também duvida da originalidade dos textos gregos e critica certezas dos primeiros estudiosos que, a seu ver, passaram a ser aceitas sem nova demonstração. (Maniscalco 2018; Encyclopaedia Iranica)

Fontes

  1. Singh, U. (2008). A History of Ancient and Early Medieval India. Pearson Education. ISBN 9788131711200.
  2. Thapar, R. (2002). Early India: From the Origins to AD 1300. Allen Lane; University of California Press (2003). ISBN 9780713994070; 9780520238992.
  3. Encyclopaedia Iranica, "Aśoka ii. Aśoka and Iran" (G. Fussman, vol. II, fasc. 7-8, p. 779–785, 1987). https://www.iranicaonline.org/articles/asoka-mauryan-emperor/asoka-ii-asoka-and-iran/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
  4. Maniscalco, F. (2018). "A New Interpretation of the Edicts of Aśoka from Kandahar". Annali di Ca' Foscari. Serie orientale 54: 239–264. DOI 10.30687/AnnOr/2385-3042/2018/01/011. Acessar

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