Atlas da História

Mahāpajāpatī Gotamī

contemporânea do Buda, sem datas nos textos lidos; a cronologia dele é debatida (c. séc. VI–V a.C.) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Mahāpajāpatī Gotamī é, nos textos budistas, a tia que criou o Buda depois da morte da mãe dele. No AN 8.51 ela pede três vezes que as mulheres possam deixar a vida laica; depois de uma caminhada até Vesālī e da intercessão de Ānanda, sua ordenação se dá ao aceitar oito princípios de respeito, o que funda a ordem de monjas. As versões do relato divergem, como mostra Anālayo (2011).

O pedido e a recusa em Kapilavatthu

No Gotamīsutta (AN 8.51), na tradução de Sujato, o Buda está na terra dos sakyas, perto de Kapilavatthu, quando Mahāpajāpatī Gotamī se aproxima e pede que as mulheres possam deixar a vida laica pela vida sem casa, no ensinamento proclamado por ele. Ele responde "Basta, Gotamī", pedindo que ela não insista, e repete a recusa na segunda e na terceira vez. Triste e em lágrimas, ela o saúda e vai embora. (Sujato)

A caminhada até Vesālī

O mesmo sutta conta que o Buda seguiu para Vesālī, onde ficou no Grande Bosque, no salão do telhado pontudo. Gotamī raspou o cabelo, vestiu o hábito ocre e foi para lá com várias mulheres sakyas, a pé. Ānanda a viu chorando junto ao portão, com os pés inchados e os membros cobertos de poeira, e foi pedir ao Buda. Depois de três recusas, perguntou se uma mulher que deixasse a vida laica seria capaz de alcançar os frutos do caminho; o Buda disse que sim. Ānanda lembrou ainda que ela fora a tia que o criou e que o amamentou depois da morte da mãe dele. (Sujato)

Os oito princípios de respeito

Segundo o AN 8.51, o Buda diz a Ānanda que, se Gotamī aceitar oito princípios de respeito, essa será sua ordenação. Entre eles: a monja, mesmo com cem anos de ordenação, deve se levantar e saudar o monge ordenado naquele dia; não deve passar a estação das chuvas em mosteiro sem monges; deve pedir ensinamento e data do dia de jejum quinzenalmente à comunidade de monges; a ordenação plena se pede às duas comunidades; e a monja não pode criticar o monge. Gotamī os aceita como quem põe uma guirlanda de flores sobre a cabeça. O Buda então diz que o ensinamento, que teria durado mil anos, durará apenas quinhentos. (Sujato)

Versões paralelas e leituras

Anālayo (2011) traduz o relato do Madhyama-āgama, em chinês, e o compara com o AN 8.51 e com outros textos, entre eles o Vinaya dos dharmaguptakas, o Vinaya dos mahāsāṃghikas e o dos mūlasarvāstivādins. Ele nota que, em várias versões, Gotamī e as outras mulheres raspam o cabelo e vestem o hábito depois de uma recusa do Buda. Argumenta que isso seria estranho como ato de rebeldia aberta, e que a fala do Buda no MĀ 116, ao propor que ela viva como renunciante, dá outra leitura do episódio. Ele também chama atenção para a aceitação e a alteração posterior de uma das regras, como indício de acréscimo tardio. (Anālayo 2011)

Fontes

  1. Sujato, Bhikkhu (trad.). "Gotamīsutta" (Aṅguttara Nikāya 8.51). SuttaCentral, edição bilara em inglês, texto de acesso aberto. https://suttacentral.net/an8.51/en/sujato (consultado em 29/10/2026). Acessar
  2. Anālayo, Bhikkhu (2011). "Mahāpajāpatī's Going Forth in the Madhyama-āgama". Journal of Buddhist Ethics 18: 268–317. https://www.buddhismuskunde.uni-hamburg.de/pdf/5-personen/analayo/mahapajapati.pdf (consultado em 29/10/2026). Acessar
  3. Cousins, L. S. (1996). "The Dating of the Historical Buddha: A Review Article". Journal of the Royal Asiatic Society, 3ª série, 6(1): 57–63. DOI 10.1017/S1356186300014760. (lido na reedição de 2005, cópia digitalizada em https://www.ahandfulofleaves.org/documents/Articles/The%20Dating%20of%20the%20Historical%20Buddha_A%20review%20article_JRAS_Cousins_1996.pdf, consultado em 29/10/2026). Acessar

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