Rama e Ayodhya no Ramayana
composto entre c. 500 a.C. e 300 d.C. (Brockington 1998) · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O Ramayana, atribuído pela tradição a Valmiki, narra o exílio de Rama, rei de Ayodhya, o rapto de Sita para Lanka e a volta triunfal. O texto atual cresceu entre c. 500 a.C. e 300 d.C. Escavações em Ayodhya e a identidade da cidade são temas de debate entre arqueólogos e historiadores.
Valmiki e a formação do texto
Para Brockington, a tradição indiana é unânime em dizer que a versão original foi composta pelo sábio Valmiki e transmitida oralmente, mas o texto hoje conhecido foi composto ao longo de muitos séculos, entre talvez 500 a.C. e 300 d.C., período em que também foi posto por escrito. Ele lista propostas de datação do núcleo: Jacobi, entre os séculos VIII e VI a.C.; Goldman, não depois de meados do século VI a.C.; e Alles, época Sunga. Hoje a obra tem sete livros, ou kandas. (Brockington 1998)
Ayodhya e o debate sobre a cidade
Lal conta que Joshi questionou a identificação da Ayodhya atual com a do poema, citando uma cidade descrita de forma simbólica no Taittiriya Aranyaka. Lal responde, com versos do Atharvaveda, que ali o termo é um adjetivo, 'invencível', aplicado ao corpo humano, e não um nome de cidade. Segundo Brockington, a Ayodhya do poema é descrita com certo realismo, e uma proposta é que a cidade só se desenvolveu como tal na época de Pusyamitra, mais tarde que o núcleo imaginado do poema. (Lal; Brockington 1998)
Propostas arqueológicas e seus limites
Brockington cita tentativas de situar os eventos do Ramayana no registro arqueológico: Krishna Kumar liga a cerâmica ocre e os cobres do Ganges ao Ramayana e propõe o século XV a.C.; S. B. Roy sugeriu 2000-1700 a.C. e identificou Lanka com Mohenjo-daro; Romila Thapar, mais cautelosa, nota que os rakshasas concentrados nos Vindhyas poderiam lembrar culturas calcolíticas. Ele trata o conjunto como fantasioso ou especulativo, sem base para correlacionar texto e vestígios. (Brockington 1998)
Ayodhya na vida e na justiça hoje
Mehta descreve Ayodhya, em Uttar Pradesh, como centro de peregrinação de devotos de Rama, que a consideram sua janmasthan, o local de nascimento, e relata a disputa em torno do templo e da mesquita Babri, demolida em 1992, que passou por tribunais desde 1885. Segundo Mehta, o juiz Sharma, do Alto Tribunal de Allahabad (2010), apoiou-se numa escavação do Archaeological Survey of India feita em 2002, que teria revelado uma grande estrutura datável do século X em diante; é a leitura de um juiz, e Mehta escreve antes do desfecho judicial de 2019, com o litígio ainda em curso. O artigo trata de como o nome Rama se liga à topografia da cidade. (Mehta 2015)
Fontes
- Brockington, J. (1998). The Sanskrit Epics. Leiden: Brill (Handbuch der Orientalistik, II.12). Cópia aberta: DOI 10.5281/zenodo.6411280. Acessar
- Brockington, J. (1998). The Sanskrit Epics. Leiden: Brill, cap. 8, discussão sobre arqueologia, Ayodhya e a datação do Ramayana. Cópia aberta: DOI 10.5281/zenodo.6411280. Acessar
- Lal, B. B. (1978-79; reimpr. 2024). "Was Ayodhya A Mythical City?". Indology Journal (indologyjournal.org), PDF aberto: https://indologyjournal.org/index.php/ijoi/article/download/37/24. Acessar
- Mehta, D. (2015). "Naming the Deity, Naming the City: Rama and Ayodhya". South Asia Multidisciplinary Academic Journal 12. DOI 10.4000/samaj.4053. Acessar
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