Os mestres śramaṇa no Sāmaññaphalasutta: seis doutrinas sobre os frutos da vida ascética, na versão budista
séc. VI–V a.C., por convenção do atlas; os textos não dão ano e as datas do Buda e de Mahavira estão em debate · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No Sāmaññaphalasutta (Dīgha Nikāya 2), o rei Ajātasattu de Magadha conta ao Buda que ouviu seis mestres que lideravam ordens: Pūraṇa Kassapa, Makkhali Gosāla, Ajita do manto de cabelo, Pakudha Kaccāyana, o asceta jaina do clã Ñātika e Sañjaya Belaṭṭhiputta. Segundo o texto, as respostas foram a inação moral, o determinismo, o aniquilacionismo, os sete elementos eternos, a contenção quádrupla e a evasiva. O Buda responde com os frutos visíveis da vida ascética.
Pūraṇa Kassapa e Makkhali Gosāla
Pūraṇa Kassapa, segundo o rei, ensinou que quem age não comete mal ao punir, mutilar, matar ou roubar, e que nem a generosidade nem a verdade trazem mérito: o texto o rotula de doutrina da inação. Gosāla, o asceta do bastão de bambu, teria dito que não há causa para a corrupção nem para a purificação dos seres, que ninguém age por vontade própria e que, moldados por destino, circunstância e natureza, os seres atravessam um número fixo de nascimentos até pôr fim ao sofrimento. O texto chama essa de doutrina da purificação pela transmigração; cita os ājīvikas numa lista de 4.900 ascetas. (Dīgha Nikāya 2)
Ajita, Pakudha e a evasiva de Sañjaya
Ajita do manto de cabelo, na versão do texto, negou sentido à oferenda e ao sacrifício, negou outra vida e disse que o corpo se desfaz nos quatro elementos ao morrer, de modo que tanto o tolo quanto o sábio são aniquilados: a doutrina que o texto chama de aniquilacionismo. Pakudha Kaccāyana teria ensinado sete substâncias não criadas (terra, água, fogo, ar, prazer, dor e a alma), de modo que cortar uma cabeça com a espada não tira a vida de ninguém. Sañjaya Belaṭṭhiputta, perguntado se há outro mundo, responde que não diz que é assim, nem de outro modo, e não nega que não seja; o texto chama isso de evasiva. (Dīgha Nikāya 2)
O asceta jaina e o contexto em Rājagaha
Na versão do texto, o asceta jaina do clã Ñātika respondeu com a contenção quádrupla: aquele que está contido em tudo o que há a conter, 'sem nós', é chamado autorrealizado, autocontrolado e firme. O rei diz que não aprovou nem rejeitou nenhuma das respostas e partiu descontente. A cena se passa em Rājagaha, numa noite de lua cheia; Jīvaka Komārabhacca aconselha o rei a visitar o Buda, que estaria em seu bosque de mangueiras com 1.250 monges. O texto acrescenta que, no fim, o rei confessa ter matado o pai e se declara seguidor leigo. (Dīgha Nikāya 2)
Fontes
- Dīgha Nikāya 2, Sāmaññaphalasutta (Os frutos da vida ascética). Tradução inglesa de Bhikkhu Sujato, com o texto páli da edição Mahāsaṅgīti Tipiṭaka (Buddhavasse 2500), pela API de dados do SuttaCentral: https://suttacentral.net/api/bilarasuttas/dn2/sujato?lang=en (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Siddhattha Gotama (o Buda) c. 563–483 a.C. pela "cronologia longa corrigida"; c. 480–400 a.C. pela cronologia mediana (Cousins 1996); tradições budistas dão datas ainda mais antigas
- Mahāpajāpatī Gotamī contemporânea do Buda, sem datas nos textos lidos; a cronologia dele é debatida (c. séc. VI–V a.C.)
- Mahāvīra (Vardhamāna) 599–527 a.C. na tradição jaina dos svetâmbaras (cálculo do atlas a partir de Jacobi 1884); eruditos recentes o põem mais tarde (Cousins 1996)
- Mahajanapadas: os dezesseis grandes países e Magadha sob Bimbisara c. 600–345 a.C. (datas do Wikidata; os textos páli não dão datas absolutas)
- Rama e Ayodhya no Ramayana composto entre c. 500 a.C. e 300 d.C. (Brockington 1998)
- Gārgī Vācaknavī, interlocutora de Yājñavalkya na corte de Janaka, nos textos dos sécs. VIII–VI a.C. (datas estimadas) Sem data própria: figura de um texto que a literatura dá como composto entre c. 700 e 500 a.C. (Brian Black, no IEP, citando Olivelle 1998). O ano −650 é o meio do séc. VII a.C., usado só como marca no mapa, sem afirmar quando ela viveu