Abertura do Atlântico Sul: a separação entre a América do Sul e a África
de c. 140 milhões de anos atrás (início da extensão no modelo) a c. 103 milhões (separação final no Atlântico equatorial); Heine et al. 2013 · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
A América do Sul e a África, unidas na Gondwana, se separaram no Cretáceo Inferior. Um modelo de 2013 reconstrói a abertura em etapas e indica separação final em cerca de 113 milhões de anos, na região de Santos e Benguela, e em 103 milhões, no Atlântico equatorial.
Um modelo para o rifte antes da ruptura
Heine, Zoethout e Müller, da Austrália e da Noruega, montaram um modelo de placas para o rifte (fenda de afastamento da crosta) do Atlântico Sul antes da ruptura. Reconstruíram as margens conjugadas, ou seja, as bordas que um dia se encaixaram, e as bacias intracontinentais na África e na América do Sul, o que dispensa antigas zonas de cisalhamento na Patagônia. No modelo, a extensão começa há cerca de 140 milhões de anos, leste-oeste e muito lenta, até o Hauteriviano tardio (cerca de 126 milhões), e depois acelera e gira para nordeste-sudoeste. Eles ligam essa história aos tipos de bacias de cada margem, como as bacias pré-sal. (Heine et al. 2013)
Quando o oceano se abriu, trecho a trecho
Segundo o modelo, a ruptura da litosfera (a camada rígida externa) ocorreu de forma diacrônica, ou seja, em tempos diferentes ao longo da margem, a partir do início do Aptiano. Começou no segmento de Sergipe-Alagoas e Rio Muni, no extremo norte do Atlântico Sul central. A separação final aconteceu por volta de 113 milhões de anos no segmento Santos-Benguela e, no Atlântico equatorial, entre a crista de Gana e a margem do Piauí-Ceará, há 103 milhões. Os autores concluem que a história de várias velocidades e direções controla a evolução dessas margens. Essas idades dependem do modelo. (Heine et al. 2013)
A água salgada que veio do norte
Mitsuru Arai, pesquisador da Petrobras, reuniu fósseis marinhos das bacias brasileiras: dinoflagelados, equinoides, foraminíferos, moluscos e peixes, bem presentes na bacia do Araripe. Para ele, as águas marinhas do Aptiano chegaram ao Brasil vindas do norte, pelo Tétis, atravessando uma passagem no atual Nordeste, e poucas reconstruções incluem essa passagem. A equipe de Gerson Fauth, da Unisinos, da UFRGS e da Petrobras, perfurou a Formação Riachuelo, na bacia de Sergipe-Alagoas, para estudar o intervalo Aptiano-Albiano e comparar o Atlântico Sul com o Tétis; o artigo descreve a perfuração, não resultados finais. (Arai 2014; Fauth et al. 2021)
Fontes
- Heine, C.; Zoethout, J.; Müller, R. D. (2013). "Kinematics of the South Atlantic rift". Solid Earth 4(2): 215–253. DOI 10.5194/se-4-215-2013. Acessar
- Arai, M. (2014). "Aptian/Albian (Early Cretaceous) paleogeography of the South Atlantic: a paleontological perspective". Brazilian Journal of Geology 44(2): 339–350. DOI 10.5327/Z2317-4889201400020012. Acessar
- Fauth, G.; Bruno, M. D. R.; Villegas-Martín, J.; Savian, J. F. et al. (2021). "Drilling the Aptian–Albian of the Sergipe–Alagoas Basin, Brazil: paleobiogeographic and paleoceanographic studies in the South Atlantic". Scientific Drilling 29: 1–17. DOI 10.5194/sd-29-1-2021. Acessar
Na mesma região
- Formação Santana, no Araripe: fósseis de um lago e de um mar raso c. 113 milhões de anos atrás (Aptiano tardio; Melo et al. 2020)
- Formação Santa Maria: dinossauros do Triássico no Rio Grande do Sul c. 233 milhões de anos atrás (Carniano médio; Pacheco et al. 2019, citando Langer et al. 2018)
- Mesossauros da Formação Irati e a ligação entre América do Sul e África c. 275 milhões de anos atrás (Kunguriano; Dall Agnol et al. 2025)
- Lapa do Santo Período 1 de ocupação de c. 12,7 a 7,9 mil anos cal AP; sepultamentos desde c. 10,6–10,3 mil anos cal AP, em três padrões funerários (10,6–9,7; 9,6–9,4; 8,6–8,2 mil anos cal AP) (Strauss et al. 2015); Araujo et al. 2018 dão 12.460–8.700 cal AP à primeira ocupação, seguida de hiato de c. 3.600 anos
- Caverna da Pedra Pintada c. 12,4–11,4 mil anos atrás (datas calibradas; Pereira e Moraes 2019)
- Mandioca e abóbora nas ilhas de floresta dos Llanos de Moxos (Bolívia): cultivo na Amazônia há mais de 10.000 anos c. 10.350 anos cal. AP (mandioca) e c. 10.250 anos cal. AP (abóbora), na Isla Manechi (Lombardo et al. 2020); as ilhas de floresta antrópicas começam c. 10.850 cal. AP