Mesossauros da Formação Irati e a ligação entre América do Sul e África
c. 275 milhões de anos atrás (Kunguriano; Dall Agnol et al. 2025) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Folhelhos da Formação Irati, na Bacia do Paraná, guardam esqueletos de mesossauros, répteis aquáticos de cerca de 275 milhões de anos. O mesmo grupo aparece no Uruguai, na Namíbia e na África do Sul, o que reforça a ligação entre os dois continentes no Permiano.
Um mar interior no oeste da Pangeia
Os mesossauros viveram no mar Irati-Whitehill, um mar epicontinental (raso e interno ao continente) que cobria a borda ocidental da Pangeia, o supercontinente do fim do Paleozoico. Os estratos da Formação Irati são datados do Artinskiano tardio ao Kunguriano inicial, e Dall Agnol et al. (2025) usam a idade de cerca de 275 milhões de anos para a unidade. As camadas equivalentes são a Formação Mangrullo, no Uruguai, a Whitehill, na África do Sul, a Huab, na Namíbia, e a San Miguel, no Paraguai. A carta cronoestratigráfica internacional dá ao Kunguriano o intervalo de cerca de 283 a 274 milhões de anos. (Dall Agnol et al. 2025; International Commission on Stratigraphy 2026)
Fósseis dos dois lados do Atlântico
Restos de mesossauros são conhecidos no Uruguai, no Brasil, na Namíbia e na África do Sul, e fragmentos raros foram citados também no Paraguai. Como o grupo tem pouco tempo de existência e distribuição restrita, serviu de fóssil-guia (que marca uma faixa de tempo) para o início do Permiano em Gondwana. Piñeiro e colegas lembram que essa distribuição foi tratada como um dos melhores argumentos paleogeográficos para a junção física entre América do Sul e África, ideia ligada a Wegener e retomada por Oelofsen e Araújo em 1983. Hoje o atlas mostra os dois continentes unidos nessa época. (Piñeiro et al. 2021; Dall Agnol et al. 2025)
Carcaças preservadas em água salgada e sem oxigênio
Piñeiro et al. (2012) estudaram a Formação Mangrullo, equivalente uruguaia da Irati, e descrevem uma comunidade pobre em espécies: mesossauros, crustáceos pigocefalomorfos e vermes que deixaram o traço fóssil Chondrites. Para os autores, ela viveu em condições de lagoa, com períodos hipersalinos (de salinidade muito alta), e o fundo sem oxigênio retardou a decomposição e impediu organismos escavadores, o que preservou até tecidos moles. Silva et al. (2017) analisaram conteúdos estomacais de exemplares da Irati, em Goiás, e concluem que a dieta era sobretudo de pigocefalomorfos, com possível canibalismo ou consumo de carcaças. (Piñeiro et al. 2012; Silva et al. 2017)
Uma espécie, duas ou três?
Os mesossauros brasileiros foram descritos em três gêneros, cada um com uma espécie: Mesosaurus tenuidens, Stereosternum tumidum e Brazilosaurus sanpauloensis. Piñeiro, Ferigolo, Mones e Núñez Demarco (2021), de instituições do Uruguai e do Brasil, reexaminaram os exemplares-tipo e mediram os caracteres usados para separar os grupos. Concluem que as diferenças podem refletir fossilização e idade do animal, e reconhecem só Mesosaurus nas bacias do Paraná e do Karoo, possivelmente com indivíduos anões. Silva et al. (2017) já citavam estudos que viam no máximo duas espécies na Bacia do Paraná. (Piñeiro et al. 2021; Silva et al. 2017)
Fontes
- Dall Agnol, L.; Fraga, M. C.; Vega, C. S. (2025). "Osteological profile of new Mesosauridae from the Irati Formation (Paraná Basin)". Geologia USP. Série Científica 25(3): 21–33. DOI 10.11606/issn.2316-9095.v25-231877. Acessar
- Piñeiro, G.; Ferigolo, J.; Mones, A.; Núñez Demarco, P. (2021). "Mesosaur taxonomy reappraisal: are Stereosternum and Brazilosaurus valid taxa?". Revista Brasileira de Paleontologia 24(3): 205–235. DOI 10.4072/rbp.2021.3.04. Acessar
- Piñeiro, G.; Ramos, A.; Goso, C.; Scarabino, F.; Laurin, M. (2012). "Unusual environmental conditions preserve a Permian mesosaur-bearing Konservat-Lagerstätte from Uruguay". Acta Palaeontologica Polonica 57(2): 299–318. DOI 10.4202/app.2010.0113. Acessar
- Silva, R. R.; Ferigolo, J.; Bajdek, P.; Piñeiro, G. (2017). "The Feeding Habits of Mesosauridae". Frontiers in Earth Science 5: 23. DOI 10.3389/feart.2017.00023. Acessar
- International Commission on Stratigraphy (2026). International Chronostratigraphic Chart, v2026/06. https://stratigraphy.org/chart (consultado em 07/10/2026). Acessar
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