Mandioca e abóbora nas ilhas de floresta dos Llanos de Moxos (Bolívia): cultivo na Amazônia há mais de 10.000 anos
c. 10.350 anos cal. AP (mandioca) e c. 10.250 anos cal. AP (abóbora), na Isla Manechi (Lombardo et al. 2020); as ilhas de floresta antrópicas começam c. 10.850 cal. AP · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Lombardo e colegas (2020) acharam fitólitos de mandioca (Manihot) e de abóbora (Cucurbita) em camadas de ilhas de floresta artificiais da savana inundável dos Llanos de Moxos, na Bolívia: c. 10.350 e c. 10.250 anos cal. AP na Isla Manechi. Segundo eles, são as evidências mais antigas desses cultivos na Amazônia, e as ilhas de floresta, em número estimado de 4.700, começam c. 10.850 cal. AP. O milho aparece só c. 6850 cal. AP.
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O que os fitólitos indicam
Lombardo et al. (2020) analisaram fitólitos de perfis datados de 30 ilhas de floresta. O fitólito em forma de coração, de células secretoras de Manihot, aparece na Isla Manechi, datada de c. 10.350 cal. AP, e na Isla del Tesoro, de c. 8250 cal. AP. Esferas em escama, da casca de Cucurbita, estão em camadas de c. 10.250 cal. AP na Isla Manechi e c. 9850 cal. AP no Sítio 575. Fitólitos de espiga de milho (rondéis de topo ondulado) aparecem em c. 6850 cal. AP, no Sítio 570. Os autores chamam a presença de Cucurbita desde c. 10.250 cal. AP de a evidência mais antiga na Amazônia. (Lombardo et al. 2020)
As ilhas de floresta
Segundo Lombardo et al. (2020), 66 datações AMS de 31 sítios arqueológicos cobrem a ocupação das ilhas de floresta ao longo do Holoceno, de c. 10.850 a 2300 cal. AP. Os autores estimam ao menos 4.700 ilhas antrópicas, num total de 6.643 mapeadas, em uma savana sazonalmente inundada sem árvores; elas somam cerca de 24 km² de floresta. Escrevem que as ilhas férteis foram provavelmente as hortas domésticas onde se cultivavam essas plantas, e que plantas de órgãos subterrâneos ricas em carboidratos, hoje consumidas por grupos indígenas, devem ter fornecido boa parte das calorias dos primeiros habitantes. (Lombardo et al. 2020)
Teotônio, no rio Madeira
Watling et al. (2018) apresentam dados arqueobotânicos do sítio Teotônio, numa barranca de 40 m na margem sul do rio Madeira: mandioca, abóbora (Cucurbita sp.) e feijão (Phaseolus sp.) em depósitos de c. 9000 a 5000 cal. AP, ao lado de frutos como pequiá e goiaba. Para os autores, o início da domesticação da paisagem no sítio ocorreu na fase Girau, de pelo menos 9500 cal. AP, antes da formação das terras pretas. (Watling et al. 2018)
Fontes
- Lombardo, U.; Iriarte, J.; Hilbert, L.; Ruiz-Pérez, J.; Capriles, J. M.; Veit, H. (2020). "Early Holocene crop cultivation and landscape modification in Amazonia". Nature 581: 190–193. DOI 10.1038/s41586-020-2162-7. Manuscrito de autor lido em texto bruto no Europe PMC (PMC7250647) em 31/10/2026. Afiliações listadas: Universidade de Berna, Universidade de Exeter, Universidade de São Paulo (Museu de Arqueologia e Etnologia), Universitat Pompeu Fabra, Penn State e Universidad Mayor de San Andrés (La Paz). Acessar
- Watling, J.; Shock, M. P.; Mongeló, G. Z.; Almeida, F. O.; Kater, T.; De Oliveira, P. E.; Neves, E. G. (2018). "Direct archaeological evidence for Southwestern Amazonia as an early plant domestication and food production centre". PLOS ONE 13(7): e0199868. DOI 10.1371/journal.pone.0199868. Texto completo lido em 31/10/2026 (Europe PMC, PMC6059402). Afiliações listadas: Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Oeste do Pará e Universidade Federal de Sergipe. Acessar
Na mesma região
- Lagoa Santa (Minas Gerais): a interrupção de milênios na ocupação dos abrigos e a "persistência cultural extrema" (c. 8700–5100 cal AP) c. 8700 a 5100 cal AP (c. 6750–3150 a.C.), intervalo entre as duas ocupações de Lapa do Santo, segundo Araujo e outros (2018); a leitura regional de Araujo e outros (2025) dá c. 8200 a 5300 cal AP
- Lapa do Santo (Lagoa Santa, Minas Gerais): do corpo manipulado ao poço de ossos, o terceiro padrão funerário (c. 8600–8200 cal AP) c. 8600–8200 cal AP (c. 6650–6250 a.C.), terceiro padrão funerário (LSMP-3) do abrigo, segundo Strauss e outros (2015); os padrões anteriores vão de c. 10,6 a 9,4 mil anos cal AP
- Caverna da Pedra Pintada c. 12,4–11,4 mil anos atrás (datas calibradas; Pereira e Moraes 2019)
- Lapa do Santo Período 1 de ocupação de c. 12,7 a 7,9 mil anos cal AP; sepultamentos desde c. 10,6–10,3 mil anos cal AP, em três padrões funerários (10,6–9,7; 9,6–9,4; 8,6–8,2 mil anos cal AP) (Strauss et al. 2015); Araujo et al. 2018 dão 12.460–8.700 cal AP à primeira ocupação, seguida de hiato de c. 3.600 anos
- Sambaqui Monte Castelo: evidência de domesticação do arroz ocupação desde c. 6 mil anos AP e ao menos até a fase Bacabal, que começa c. 4.300 AP (Villagran et al. 2022); o fim real não tem data confiável
- Santa Ana–La Florida: o uso mais antigo conhecido do cacau c. 3350 a.C., c. 5.300 anos atrás (Zarrillo et al. 2018)