Abrigo de Shum Laka
sepultamentos de c. 8 mil e c. 3 mil anos atrás (Lipson et al. 2020) · África Central
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Abrigo rochoso nos Grassfields do oeste de Camarões, na região que Lipson et al. (2020) apontam como provável berço das línguas bantas, com longa sequência de ocupação e cerâmica já na camada do sepultamento de c. 8 mil anos atrás (c. 7 mil anos radiocarbônicos sem calibração). O DNA de quatro crianças ali sepultadas há c. 8 mil e 3 mil anos as aproxima de caçadores-coletores do oeste da África Central, e não dos atuais falantes de bantu.
Quatro crianças, duas épocas, dois pares de parentes
Lipson et al. (2020) obtiveram o DNA de quatro crianças enterradas no abrigo em duas fases, c. 8 mil e c. 3 mil anos atrás. Em cada fase, os dois indivíduos eram parentes: no par de c. 8 mil anos, em quarto grau; no de c. 3 mil anos, em segundo grau, o que corresponde a tio e sobrinha, tia e sobrinho ou meios-irmãos. Para os autores, o resultado apoia a leitura de Shum Laka como cemitério de uma família extensa nos dois períodos. O DNA mostra ainda sinais de endogamia recente. (Lipson et al. 2020)
Uma linhagem paterna rara
Um dos meninos do par de c. 8 mil anos tem o haplogrupo A00 do cromossomo Y. Segundo Lipson et al., essa linhagem hoje só aparece em frequência apreciável em Camarões, entre os mbo e os bangwa, e se separou das demais c. 300 mil a 200 mil anos atrás. Os outros dois meninos têm o macro-haplogrupo B, comum entre caçadores-coletores da África Central. Na ascendência geral, as crianças se aproximam dos caçadores-coletores do oeste da África Central, como os baka, os bakola e os bedzan de Camarões e os aka da República Centro-Africana, com um componente de uma linhagem “fantasma”, sem correspondente nas populações amostradas, e outro ligado à África Ocidental. (Lipson et al. 2020)
Os Grassfields e a expansão banta
Para comparar, Lipson et al. amostraram 63 pessoas de cinco populações atuais de Camarões. Bostoen et al. (2015) ajudam a situar o abrigo no debate sobre as línguas bantas: segundo eles, a abertura de savanas na confluência dos rios Sanaga e Mbam, entre c. 4000 e 3500 anos AP, facilitou a fixação dos primeiros falantes de banto perto da atual Yaoundé, sem uma expansão em larga escala. A expansão rápida, acompanhada de cereais e metalurgia, só viria por volta de 2500 anos AP. Na cronologia de Bostoen et al., portanto, os sepultamentos de c. 3 mil anos de Shum Laka são anteriores a essa fase rápida. (Lipson et al. 2020; Bostoen et al. 2015)
Fontes
- Lipson, M.; Ribot, I.; Mallick, S.; Rohland, N. et al. (2020). "Ancient West African foragers in the context of African population history". Nature 577: 665–670. DOI 10.1038/s41586-020-1929-1. Acessar
- Lavachery, P. (2001). "The Holocene Archaeological Sequence of Shum Laka Rock Shelter (Grassfields, Western Cameroon)". African Archaeological Review 18: 213–247. DOI 10.1023/a:1013114008855. Acessar
- Bostoen, K.; Clist, B.; Doumenge, C.; Grollemund, R. et al. (2015). "Middle to Late Holocene Paleoclimatic Change and the Early Bantu Expansion in the Rain Forests of Western Central Africa". Current Anthropology 56(3): 354–384. DOI 10.1086/681436. Acessar
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