Atlas da História

Crise da floresta tropical da África Central (3º milênio AP)

c. 3 mil a 2 mil anos atrás (3º milênio AP) · África Central

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Por volta de 2.600 anos atrás, segundo Garcin et al. (2018), partes da floresta tropical da África Central deram lugar a savanas, na mesma época da expansão de falantes de línguas bantas, que levavam agricultura e metalurgia do ferro. A causa é debatida: mudança climática, desmatamento humano ou a soma dos dois.

Um sinal guardado no fundo do Atlântico

Bayon et al. (2012) analisaram um testemunho de sedimento marinho colhido no Atlântico, diante da África Central, e acompanharam a razão entre alumínio e potássio, indicador da intensidade do intemperismo químico nas bacias de origem. Por volta de 2.500 anos atrás, o sinal muda de forma abrupta. Os autores atribuíram a mudança ao desmatamento e ao uso da terra por populações agricultoras da Idade do Ferro, e não apenas ao clima. (Bayon et al. 2012)

A objeção climática

Neumann et al. (2012) contestaram essa leitura num comentário publicado na mesma revista: não haveria evidência em terra de desmatamento humano nessa escala, e a abertura da floresta se explicaria sobretudo pelo clima. Na resposta, Bayon et al. (2012b) mantiveram que a ação humana contribuiu para o sinal registrado no sedimento. (Neumann et al. 2012; Bayon et al. 2012)

O testemunho do lago Barombi

Garcin et al. (2018) voltaram ao problema com os sedimentos do lago Barombi, em Camarões. Ali, a vegetação muda de repente por volta de 2.600 anos calibrados AP, e a floresta se recompõe por volta de 2.020 anos calibrados AP. Os isótopos de hidrogênio (δD) não indicam mudança hidrológica ao mesmo tempo. Cruzando esses dados com a base de dados arqueológica regional, os autores atribuem a fragmentação da floresta à ação humana, com agricultura e metalurgia do ferro, possivelmente ligadas à expansão banta. (Garcin et al. 2018)

Duas crises em tempos diferentes

Bostoen et al. (2015) propõem uma cronologia em duas etapas: a crise climática atingiu primeiro a periferia da floresta, c. 4000 anos AP, e só depois o seu núcleo, c. 2500 anos AP. As primeiras savanas, na confluência dos rios Sanaga e Mbam, teriam facilitado a fixação de falantes de banto perto de Yaoundé sem desencadear uma expansão em larga escala. Esta, com cereais e metalurgia, só viria por volta de 2500 anos AP, e o intervalo do rio Sangha funcionou como corredor através da floresta. A proposta revisa hipóteses que ligavam a expansão às aberturas de c. 3000 anos AP. (Bostoen et al. 2015)

Fontes

  1. Bayon, G.; Dennielou, B.; Etoubleau, J.; Ponzevera, E. et al. (2012). "Intensifying Weathering and Land Use in Iron Age Central Africa". Science 335: 1219–1222. DOI 10.1126/science.1215400. Acessar
  2. Neumann, K.; Eggert, M. K. H.; Oslisly, R.; Clist, B. et al. (2012). "Comment on 'Intensifying Weathering and Land Use in Iron Age Central Africa'". Science 337: 1040. DOI 10.1126/science.1221747. Acessar
  3. Bayon, G.; Dennielou, B.; Etoubleau, J.; Ponzevera, E. et al. (2012). "Response to Comments on 'Intensifying Weathering and Land Use in Iron Age Central Africa'". Science 337: 1040. DOI 10.1126/science.1222458. Acessar
  4. Garcin, Y.; Deschamps, P.; Ménot, G.; de Saulieu, G. et al. (2018). "Early anthropogenic impact on Western Central African rainforests 2,600 y ago". Proceedings of the National Academy of Sciences 115(13): 3261–3266. DOI 10.1073/pnas.1715336115. Acessar
  5. Bostoen, K.; Clist, B.; Doumenge, C.; Grollemund, R. et al. (2015). "Middle to Late Holocene Paleoclimatic Change and the Early Bantu Expansion in the Rain Forests of Western Central Africa". Current Anthropology 56(3): 354–384. DOI 10.1086/681436. Acessar

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