Atlas da História

Expansão das línguas bantas

c. 5.000 anos atrás (origem) até os registros de DNA antigo de c. 688 AP · África Central, África Oriental, África Austral

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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As mais de 500 línguas bantas, faladas por cerca de 240 milhões de pessoas, descendem de uma origem perto da fronteira entre Nigéria e Camarões, c. 5.000 anos atrás. Reconstruções linguísticas divergem sobre o caminho, pela floresta ou pelas bordas; língua, genética e arqueologia contam histórias parciais.

Língua, genes e escavações: três histórias

Mais de 500 línguas são classificadas como bantas, e Koile et al. (2022) as ligam a uma origem perto da fronteira entre Nigéria e Camarões, no golfo da Guiné; Grollemund et al. (2015) falam em savana do noroeste de Camarões. Fortes-Lima et al. (2024) apontam o início da expansão entre 6.000 e 4.000 anos atrás. Cada método responde a perguntas diferentes: a linguística reconstrói ramos de línguas, a genética mede ancestralidade e a arqueologia data objetos e sítios. Falar uma língua banta não equivale a pertencer a um povo ou a uma ancestralidade; Fortes-Lima et al. encontram mistura com grupos locais e, controlada a geografia, nenhuma correlação entre distâncias genéticas e linguísticas. (Koile et al. 2022; Grollemund et al. 2015; Fortes-Lima et al. 2024)

Duas rotas em disputa

Koile et al. (2022) datam a raiz da árvore em 5.110 anos atrás e a travessia da floresta em 3.890 anos atrás; o ramo oriental se separa c. 3.150 anos atrás (ou c. 2.630, com outra calibração). O teste favorece o interior da floresta, e não o corredor do Sangha, que só teria se aberto c. 2.500 anos atrás. Já Grollemund et al. (2015) colocam a linhagem principal na borda sul da floresta, por corredores de savana, com atrasos de c. 300 anos nas travessias de mata, e os falantes das línguas bantas orientais descenderiam de grupos que seguiram para o norte. Os dois trabalhos usam métodos filogenéticos com dados lexicais diferentes, e a escolha afeta as datas. (Koile et al. 2022; Grollemund et al. 2015)

O que a genética acrescenta

Fortes-Lima et al. (2024) analisaram 1.763 pessoas de 147 populações em 14 países, mais 12 genomas da Idade do Ferro tardia (97 a 688 anos atrás). O padrão de diversidade, que diminui com a distância da África Ocidental, apoia um modelo de fundadores em série; Zâmbia e oeste da República Democrática do Congo aparecem como encruzilhadas de interação. Há migração efetiva intensa pela costa do Índico, do Quênia ao leste da África do Sul. Os indivíduos sul-africanos desde 688 anos atrás mostram continuidade, e os zambianos desde 311 anos atrás são heterogêneos. Os autores ressalvam que a expansão seguiu camadas de movimentos sobrepostos. (Fortes-Lima et al. 2024)

Floresta, clima e lacunas

Garcin et al. (2018) leram os sedimentos do lago Barombi: um evento de plantas C4 c. 2.600 anos atrás, com retorno rápido da floresta c. 2.020 anos atrás, que eles ligam à ação humana (agricultura, ferro, talvez a expansão banta), e não só ao clima. Koile et al. (2022) observam que a evidência arqueológica segura de ocupação do interior antes de 2.500 anos atrás é quase inexistente, o que deixa a rota da floresta apoiada sobretudo na linguística. Grollemund et al. (2015) registram bolsões de savana nas costas do Gabão e do Congo já c. 4.000 anos atrás. Datas e rotas, portanto, seguem em revisão. (Garcin et al. 2018; Koile et al. 2022; Grollemund et al. 2015)

Fontes

  1. Koile, E.; Greenhill, S. J.; Blasi, D. E.; Bouckaert, R.; Gray, R. D. (2022). "Phylogeographic analysis of the Bantu language expansion supports a rainforest route". Proceedings of the National Academy of Sciences 119(32): e2112853119. DOI 10.1073/pnas.2112853119. Acessar
  2. Fortes-Lima, C. A. et al. (2024). "The genetic legacy of the expansion of Bantu-speaking peoples in Africa". Nature 625(7995): 540–547. DOI 10.1038/s41586-023-06770-6. Acessar
  3. Grollemund, R.; Branford, S.; Bostoen, K.; Meade, A.; Venditti, C.; Pagel, M. (2015). "Bantu expansion shows that habitat alters the route and pace of human dispersals". Proceedings of the National Academy of Sciences 112(43): 13296–13301. DOI 10.1073/pnas.1503793112. Acessar
  4. Garcin, Y.; Deschamps, P.; Ménot, G.; de Saulieu, G. et al. (2018). "Early anthropogenic impact on Western Central African rainforests 2,600 y ago". Proceedings of the National Academy of Sciences 115(13): 3261–3266. DOI 10.1073/pnas.1715336115. Acessar

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