Primeira ocupação do abrigo de Takarkori por caçadores-coletores-pescadores do Acacus Tardio (c. 8250 a.C.)
fase Acacus Tardio 1 (LA1): 10 200–9400 anos cal AP (di Lernia e outros, 2024), isto é, c. 8250–7450 cal a.C.; o Acacus Tardio inteiro vai até c. 8000 cal AP · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo di Lernia e colegas (2024), o abrigo rochoso de Takarkori, no Tadrart Acacus (sudoeste da Líbia), foi ocupado pela primeira vez por grupos de caçadores-coletores-pescadores na fase chamada Acacus Tardio 1, entre 10 200 e 9400 anos cal AP. Estruturas de pedra, fogueiras, pedras de moer e fragmentos de cerâmica indicam uso semirresidencial do abrigo pelos moradores do Acacus Tardio. Nessa fase, na área norte, uma estrutura de lajes grandes com duas fogueiras foi interpretada pelos autores como uma cabana.
O abrigo e sua sequência de ocupações
Segundo di Lernia e colegas, Takarkori foi investigado pelo Wadi Takarkori Project, um programa territorial no sul do Tadrart Acacus, em quatro campanhas de escavação entre 2003 e 2006, depois interrompidas por eventos geopolíticos ligados à Primavera Árabe. A sequência arqueológica cobre mais de 5000 anos: do Acacus Tardio, de caçadores-coletores-pescadores, às fases Pastoril Antiga, Média e Tardia do Neolítico Pastoril, com pastores de gado e de ovinos e caprinos nas duas últimas. A escavação estratigráfica foi apoiada por muitas datas de radiocarbono, que os autores citam sem detalhar neste artigo. (di Lernia et al. 2024)
O ambiente do Acacus Tardio
Os autores resumem as reconstruções paleoambientais anteriores: durante o Acacus Tardio dominavam pastagens e savanas esparsas com árvores, além de habitats permanentes de água doce com plantas aquáticas e juncos. O clima teria ficado progressivamente mais instável perto do fim da fase, culminando numa fase árida em torno do chamado evento de 8,2 mil anos. Essas reconstruções vêm de estudos anteriores citados por eles e não foram lidas aqui. (di Lernia et al. 2024)
Espaço e atividades em LA1
Segundo di Lernia e colegas, o horizonte LA1, relativo à primeira ocupação do sítio por grupos de caçadores-coletores-pescadores, foi encontrado só no setor norte. Ali há uma estrutura formal de lajes grandes, provavelmente associada a duas fogueiras no lado leste, junto à parede do abrigo. Para sustentar a leitura como cabana, os autores citam outros sítios onde se hipotetizaram moradias de estrutura leve de madeira, com postes de Acacia/Vachellia ou Tamarix, e raízes de árvore. As fases seguintes, LA2 (9500–8600 cal AP) e LA3 (9000–8000 cal AP), começam depois do início da janela deste registro e não foram detalhadas aqui. (di Lernia et al. 2024)
Fontes
- di Lernia, Savino; Buldrini, Francesco; Florenzano, Assunta; Mercuri, Anna Maria; Nardi, Marta; Rotunno, Rocco; Garvey, Jillian (2024). "Spatial analyses of archaeobotanical record reveal site uses and activities at Early to Middle Holocene Takarkori (Libya, Central Sahara)". PLOS ONE 19(10): e0310739, publicado em 23 out. 2024. DOI 10.1371/journal.pone.0310739. Texto lido em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11498675/ (acesso aberto, CC BY), em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Resíduos de plantas em cerâmica de Takarkori e Uan Afuda (Saara da Líbia): o preparo de gramíneas e plantas aquáticas desde c. 8200 a.C. A partir de c. 10.200 cal AP (ano astronômico −8250, 1950 − cal AP), data calibrada das camadas com cerâmica de Takarkori segundo Rotunno e Crema (2025). O resumo de Dunne et al. dá "8200–6400 bc" para os recipientes analisados, sem dizer se a faixa é calibrada; por isso ela não é usada como ano de calendário.
- Arte rupestre das "Cabeças Redondas" do Saara central: a cronologia em disputa e a leitura ritual das pinturas datação em debate: entre o 10º milênio BP (segundo Mori e Jelínek) e o 8º milênio BP (segundo Muzzolini); as datas BP citadas não foram dadas como calibradas, então o intervalo aqui é só uma ordem de grandeza
- Recolonização do Saara por caçadores-coletores-pescadores com a umidade do início do Holoceno (c. 10,5 mil anos atrás) c. 10,5 mil anos atrás ("10.5 ka" em Brierley e outros, 2018); em ano astronômico, c. 8550 a.C.
- Cerâmica de impressão basculante, contas de casca de ovo de avestruz e moagem no sítio de Sphinx (Jebel Sabaloka, Sudão), a partir do fim do 9º milênio a.C. A ocupação de Sphinx (Mesolítico de Cartum, ou Cartum Antigo) é datada de 8750 a 4750 a.C. cal por Brukner Havelková et al. (2022), que citam um trabalho dos escavadores ainda não publicado; Varadzinová e Varadzin (2017) falam do "fim do nono milênio" ao fim do sexto milênio cal a.C. As cinco datas diretas de contas de casca de ovo de avestruz vão de 8276 a 7312 cal a.C. (95,4%). O ano -8749 (8750 a.C. em ano astronômico) é a marca do início da ocupação, não da cerâmica ou das contas, cuja datação específica na camada não foi conferida
- Estrutura de pedra e madeira interpretada como curral de carneiros-da-barbária selvagens no abrigo de Takarkori (Tadrart Acacus, Líbia), fase Acacus Tardio 2, c. 9500–8600 anos atrás fase Acacus Tardio 2 (LA2) de Takarkori: c. 9500–8600 cal AP (c. 7550–6650 a.C. em ano astronômico), segundo a Tabela 1 de di Lernia et al. (2024); a estrutura em si (F7-180) é atribuída a essa fase, sem data própria no texto lido. Os anos −7550 e −6650 são os limites da fase e valem como marcas no tempo
- Início do Capsiano no Magrebe (c. 9000 a.C.), depois do Iberomaurusiano, e o debate sobre a unidade dessas entidades Capsiano: c. 9000 a 5400 cal a.C. (Perrault 2025); o Iberomaurusiano o precede, de c. 23000 a 10000 cal a.C. segundo a mesma fonte