Arte rupestre das "Cabeças Redondas" do Saara central: a cronologia em disputa e a leitura ritual das pinturas
datação em debate: entre o 10º milênio BP (segundo Mori e Jelínek) e o 8º milênio BP (segundo Muzzolini); as datas BP citadas não foram dadas como calibradas, então o intervalo aqui é só uma ordem de grandeza · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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As pinturas chamadas Cabeças Redondas, pelo formato circular das cabeças das figuras humanas, são consideradas por Jitka Soukopova as mais antigas do Saara central, feitas nas montanhas do Tassili n'Ajjer, do Tadrart argelino e do Acacus líbio. Sua idade é disputada: alguns autores as põem no 10º milênio BP e outros só no 8º. Soukopova propõe lê-las como arte ligada a rituais, por comparação com a arte rupestre dos san.
O que são as Cabeças Redondas
Segundo Soukopova (2011), o nome vem da forma circular das cabeças das figuras antropomorfas. As pinturas, conhecidas desde os anos 1950, foram descritas e classificadas, mas sua interpretação ainda não tinha sido tentada porque era considerada inadequada ou inalcançável. Ela usa evidência arqueológica, a paisagem e a comparação com a arte de outros povos de caçadores-coletores para propor leituras. Em artigo posterior, observa que o conjunto é dominado por figuras humanas, seguidas de animais selvagens, com chifres, máscaras e pinturas corporais que sugeririam ocasiões especiais. (Soukopova 2011; Soukopova)
Mulheres, homens e rituais
Segundo Soukopova, nas figuras humanas cerca de 50% são masculinas e 10% femininas, o resto não sendo identificável. Os adornos característicos do conjunto são exclusivos dos homens, e há cenas em que homens ornamentados aparecem ao lado de mulheres sem decoração; por isso ela vê o papel dos homens como predominante nos rituais e o das mulheres como provavelmente menor. Mas descreve também cenas em que mulheres são protagonistas: fileiras de mulheres de braços erguidos, que podem indicar postura de adoração, mulheres grávidas e uma cena no Acacus líbio com uma mulher mascarada e pintada no corpo diante de outra sentada. (Soukopova)
Transe, natação ou iniciação
As figuras que parecem voar ou nadar recebem leituras diferentes: segundo Soukopova (2011), a literatura as interpretou de modos diversos, e a linha de leitura que ela discute é a que liga a arte rupestre ao transe e às visões xamânicas, a partir de Lewis-Williams. A própria autora propõe ver nas pinturas sinais de ritos, entre eles de iniciação. Como a interpretação depende de analogias com a arte dos san e de associações entre cenas, ela é apresentada pela autora como proposta, não como fato estabelecido. (Soukopova 2011)
Fontes
- Soukopova, Jitka (2011). "The Earliest Rock Paintings of the Central Sahara: Approaching Interpretation". Time and Mind 4(2): 193–216, jul. 2011. PDF lido em https://roundheadsahara.com/wp-content/uploads/2024/09/2011-The_Earliest_Rock_Paintings_of_the_Centr.pdf, em 29/10/2026. Acessar
- Soukopova, Jitka. "Women and prehistoric rituals in the Round Head rock art of the Sahara". Expression n. 26 (número lido no cabeçalho do PDF; ano e páginas a conferir). PDF lido em https://roundheadsahara.com/wp-content/uploads/2024/09/2019-Women-and-rituals.pdf, em 29/10/2026. Acessar
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