Resíduos de plantas em cerâmica de Takarkori e Uan Afuda (Saara da Líbia): o preparo de gramíneas e plantas aquáticas desde c. 8200 a.C.
A partir de c. 10.200 cal AP (ano astronômico −8250, 1950 − cal AP), data calibrada das camadas com cerâmica de Takarkori segundo Rotunno e Crema (2025). O resumo de Dunne et al. dá "8200–6400 bc" para os recipientes analisados, sem dizer se a faixa é calibrada; por isso ela não é usada como ano de calendário. · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Dunne, Mercuri, Evershed, Bruni e di Lernia (2016) analisaram lipídios absorvidos em cacos de cerâmica dos sítios de Takarkori e Uan Afuda, no Saara líbio, e dizem ter achado a evidência direta mais antiga do mundo de plantas processadas em potes, datada de 8200 a 6400 a.C. Pelos padrões de ceras vegetais e dos isótopos de carbono, os autores concluem que gramíneas C3/C4 e plantas aquáticas das savanas e lagos do Saara verde eram processadas de forma sustentada e sistemática. A conclusão de que os potes serviam também ao preparo de plantas, e não só de produtos animais, vem desse resumo; o texto completo do artigo não foi lido.
O que os autores dizem ter achado
O resumo de Dunne e colegas (2016) conta que os resíduos extraídos dos cacos de Takarkori e Uan Afuda mostram distribuições de número de carbonos e valores de δ13C característicos de n-alcanos e ácidos alcanoicos de ceras de plantas. A leitura dos autores é que esses padrões indicam processamento sustentado e sistemático de gramíneas C3 e C4 e de plantas aquáticas, colhidas nas savanas e nos lagos do Saara verde do Holoceno inicial e médio. Eles dão ao conjunto a data de 8200 a 6400 a.C. e o consideram a evidência direta mais antiga, no mundo, do processamento de plantas em cerâmica. (Dunne et al. 2017)
O abrigo de Takarkori e sua sequência
Segundo di Lernia e colegas (2024), o abrigo de Takarkori, no sul do Tadrart Acacus, foi escavado em quatro campanhas, de 2003 a 2006, e tem uma sequência de mais de 5.000 anos: primeiro caçadores-coletores-pescadores da fase Acacus Tardio, depois a longa ocupação do Neolítico Pastoril. As estruturas de pedra, as lareiras, as mós e os cacos indicam um uso semirresidencial na fase mais antiga. Os restos botânicos, entre eles cestaria e cordame, vêm sobretudo do Acacus Tardio, e o sítio dá uma amostra rara de materiais perecíveis conservados no deserto. (di Lernia et al. 2024)
Estocar e preparar plantas silvestres
O mesmo estudo de 2024 descreve, para a segunda parte do Acacus Tardio (9500 a 8600 anos cal AP), a coleta sistemática de painço e sorgo silvestres e seu armazenamento em cestos e em concavidades escavadas na rocha. Os autores notam que os cestos podem ter sido também esteiras de chão, e deixam claro que a interpretação é uma hipótese. Em conjunto com os resíduos da cerâmica, a imagem que resulta, segundo eles, é a de um grupo com amplo conhecimento do ambiente, que unia coleta, armazenamento e cozimento de plantas silvestres. (di Lernia et al. 2024)
Fontes
- Dunne, Julie; Mercuri, Anna Maria; Evershed, Richard P.; Bruni, Silvia; di Lernia, Savino (2016, online em 19/12/2016). "Earliest direct evidence of plant processing in prehistoric Saharan pottery". Nature Plants 3: 16194 (2017). Resumo lido em https://www.nature.com/articles/nplants2016194 em 30/10/2026. DOI não verificado. Acessar
- di Lernia, Savino et al. (2024). "Spatial analyses of archaeobotanical record reveal site uses and activities at Early to Middle Holocene Takarkori (Libya, Central Sahara)". PLOS ONE. DOI 10.1371/journal.pone.0310739 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://journals.plos.org em 30/10/2026. Lista completa de autores não conferida. Acessar
- Rotunno, Rocco; Crema, Enrico R. (2025). "Bayesian analyses of radiocarbon dates suggest multiple origins of ceramic technology in Early Holocene Africa". Nature Communications 16: 8819. DOI 10.1038/s41467-025-63887-0 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://www.nature.com/articles/s41467-025-63887-0 em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Primeira ocupação do abrigo de Takarkori por caçadores-coletores-pescadores do Acacus Tardio (c. 8250 a.C.) fase Acacus Tardio 1 (LA1): 10 200–9400 anos cal AP (di Lernia e outros, 2024), isto é, c. 8250–7450 cal a.C.; o Acacus Tardio inteiro vai até c. 8000 cal AP
- Arte rupestre das "Cabeças Redondas" do Saara central: a cronologia em disputa e a leitura ritual das pinturas datação em debate: entre o 10º milênio BP (segundo Mori e Jelínek) e o 8º milênio BP (segundo Muzzolini); as datas BP citadas não foram dadas como calibradas, então o intervalo aqui é só uma ordem de grandeza
- Recolonização do Saara por caçadores-coletores-pescadores com a umidade do início do Holoceno (c. 10,5 mil anos atrás) c. 10,5 mil anos atrás ("10.5 ka" em Brierley e outros, 2018); em ano astronômico, c. 8550 a.C.
- Cerâmica de impressão basculante, contas de casca de ovo de avestruz e moagem no sítio de Sphinx (Jebel Sabaloka, Sudão), a partir do fim do 9º milênio a.C. A ocupação de Sphinx (Mesolítico de Cartum, ou Cartum Antigo) é datada de 8750 a 4750 a.C. cal por Brukner Havelková et al. (2022), que citam um trabalho dos escavadores ainda não publicado; Varadzinová e Varadzin (2017) falam do "fim do nono milênio" ao fim do sexto milênio cal a.C. As cinco datas diretas de contas de casca de ovo de avestruz vão de 8276 a 7312 cal a.C. (95,4%). O ano -8749 (8750 a.C. em ano astronômico) é a marca do início da ocupação, não da cerâmica ou das contas, cuja datação específica na camada não foi conferida
- Estrutura de pedra e madeira interpretada como curral de carneiros-da-barbária selvagens no abrigo de Takarkori (Tadrart Acacus, Líbia), fase Acacus Tardio 2, c. 9500–8600 anos atrás fase Acacus Tardio 2 (LA2) de Takarkori: c. 9500–8600 cal AP (c. 7550–6650 a.C. em ano astronômico), segundo a Tabela 1 de di Lernia et al. (2024); a estrutura em si (F7-180) é atribuída a essa fase, sem data própria no texto lido. Os anos −7550 e −6650 são os limites da fase e valem como marcas no tempo
- Início do Capsiano no Magrebe (c. 9000 a.C.), depois do Iberomaurusiano, e o debate sobre a unidade dessas entidades Capsiano: c. 9000 a 5400 cal a.C. (Perrault 2025); o Iberomaurusiano o precede, de c. 23000 a 10000 cal a.C. segundo a mesma fonte