Alcatrão de casca de bétula mascado em Huseby Klev (oeste da Suécia): adesivo de ferramentas e DNA de três pessoas, c. 7930–7590 a.C.
Amostras de alcatrão mascado datadas em 9880–9540 cal. AP (Kashuba et al. 2019), isto é, 7930–7590 a.C. (ano astronômico −7930 a −7590); o contexto do poço fundo é datado em 10.040–9610 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa das amostras · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Kashuba e colegas (2019), os fragmentos de alcatrão de casca de bétula mascado achados em Huseby Klev serviam de adesivo na fabricação de ferramentas compostas e guardaram DNA de saliva: os autores obtiveram genomas de três indivíduos, datados de 9880 a 9540 cal. AP. O sítio tem lâminas por pressão de tradição oriental e restos de pontas de osso com alcatrão. Uma análise posterior do mesmo material (Kırdök et al. 2024) leu nele bactérias bucais e vestígios de dieta.
O alcatrão e o que as marcas de dentes indicam
Segundo Kashuba e colegas (2019), os pedaços de Huseby Klev têm aspecto de chiclete mascado, cor escura e superfície brilhante, e muitos trazem marcas de dentes. Eles contam 115 achados de alcatrão no sítio; oito peças do poço fundo foram analisadas quimicamente (sete eram alcatrão de casca de bétula). O artigo lembra que a produção do alcatrão exige conhecimento, e por isso as marcas de dentes costumam ser lidas como sinal de preparo, para deixá-lo mais viscoso e maleável, e não só de mascar por prazer. Kırdök e colegas (2024) falam em cerca de 90 peças mascadas, número diferente do anterior; o texto lido não explica a diferença. (Kashuba et al. 2019; Kırdök et al. 2024)
Lâminas por pressão e pontas compostas
O estudo tecnológico de Kashuba e colegas (2019) examinou 1849 artefatos de sílex do poço fundo, dos quais 86 serviram de base para a classificação detalhada. Os autores veem o sítio como lugar de produção, para onde se levava a matéria-prima pouco trabalhada, e identificam a tecnologia oriental de lâminas por pressão, com lâminas regulares usadas para fazer pontas farpadas, micrólitos e lâminas retocadas. Estas últimas provavelmente serviam de inserções em ferramentas compostas com ranhura, coladas com alcatrão de casca de bétula. Uma ponta de osso com restos de alcatrão e fragmentos de pontas com ranhura achados nas proximidades sustentam esse uso. (Kashuba et al. 2019)
Genomas tirados da saliva do alcatrão
Dos oito pedaços testados, três renderam genoma (ble004, ble007 e ble008), com cobertura entre 0,1× e 0,49×. Nos testes iniciais o DNA humano antigo ficou entre 2% e 8% do total; um kit para amostras com muitos inibidores elevou isso a 23% numa das peças. Os três têm o haplogrupo mitocondrial U5a2d, e os sexos genéticos são dois XX e um XY. As peças datam de 9880 a 9540 cal. AP. Os autores concluem que as amostras são de caçadores-coletores escandinavos, com mais componente ocidental que oriental, e propõem que o DNA de alcatrão sirva para estudar também o ambiente e a ecologia, em regiões onde ossos não se conservam. (Kashuba et al. 2019)
Bactérias bucais, dieta e ambiente
Na reanálise metagenômica, Kırdök e colegas (2024) estimam que de 39% a 57% do material das três peças vem de microbioma bucal e de cálculo dental. Reconstruíram genomas de bactérias bucais e acharam, entre elas, espécies do chamado complexo vermelho, associado à periodontite. Entre as espécies de eucariotos, aparecem avelã, truta, pato-real, raposa-vermelha, lapa e cervo, em geral compatíveis com os restos do sítio (lobo, raposa, avelã, cervo e pato-real); os autores admitem que a truta pode ser efeito de genomas de referência incompletos de peixes, descartam a raposa-do-ártico pelo clima ameno do local e confirmam a raposa-vermelha por mapeamento do genoma mitocondrial. Os autores citam ainda estudo de estrôncio segundo o qual os moradores se deslocavam por vias d'água até 20 km para caçar. (Kırdök et al. 2024)
Fontes
- Kashuba, Natalija; Kırdök, Emrah; Damlien, Hege; Manninen, Mikael A.; Nordqvist, Bengt; Persson, Per; Götherström, Anders (2019). "Ancient DNA from mastics solidifies connection between material culture and genetics of mesolithic hunter–gatherers in Scandinavia". Communications Biology 2: 185, publicado em 15 mai. 2019. DOI 10.1038/s42003-019-0399-1. Texto integral via Europe PMC (PMC6520363), lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
- Kırdök, Emrah; Kashuba, Natalija; Damlien, Hege; Manninen, Mikael A.; Nordqvist, Bengt; Kjellström, Anna; Jakobsson, Mattias; Lindberg, A. Michael; Storå, Jan; Persson, Per; Andersson, Björn; Aravena, Andrés; Götherström, Anders (2024). "Metagenomic analysis of Mesolithic chewed pitch reveals poor oral health among stone age individuals". Scientific Reports, publicado em 18 jan. 2024. DOI 10.1038/s41598-023-48762-6. Texto integral via Europe PMC (PMC10796427), lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
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