Pontas de osso de farpas grandes do Maglemosiano tardio (Dinamarca e Escânia), c. 7700–6500 a.C.: costelas de uro e lâminas por pressão
Pontas de farpas grandes datadas em 9658–8413 cal. AP (95,4%), isto é, 7708–6463 a.C. (ano astronômico −7708 a −6463), segundo Jensen et al. (2020); eles situam o reaparecimento das pontas após o hiato em c. 9650 cal. AP. O registro vai do início ao fim dessa faixa. A tradição das pontas farpadas como um todo é mais antiga (pontas de farpas finas, c. 11.200–10.100 cal. AP) e não é o tema deste registro · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Jensen e colegas (2020), 126 pontas de osso farpadas do sul da Escandinávia, achadas em antigos lagos hoje turfeiras, formam dois grupos separados por um hiato de cerca de 600 anos nas datas de radiocarbono. As pontas de farpas grandes, do fim do Boreal e início do Atlântico (9658–8413 cal. AP), eram feitas sobretudo de costelas de bovinos, e a análise de proteínas indica uma escolha deliberada da matéria-prima. Os autores associam o reaparecimento das pontas ao início das lâminas por pressão na região.
Duas fases separadas por um hiato de 600 anos
Os autores analisaram 126 pontas de osso farpadas do sul da Escandinávia, todas achadas em sistemas de antigos lagos hoje cobertos por turfa. Antes do estudo havia só cinco datas de radiocarbono para pontas dinamarquesas; com datas publicadas da Escânia, datas inéditas da Dinamarca e 21 medições novas, modelaram 50 pontas. As pontas de farpas finas ficam entre cerca de 11.200 e 10.100 cal. AP. As de farpas grandes concentram-se entre 9658 e 8413 cal. AP, no fim do Boreal e início do Atlântico. Entre os dois grupos há uma lacuna de quase 600 anos, que o artigo liga a um hiato também visível nas datas de sítios de habitação do leste da Dinamarca. (Jensen et al. 2020)
Que animais deram os ossos: análise de proteínas
Cento e vinte pontas passaram por ZooMS, método que identifica a espécie pelo colágeno. Setenta e quatro eram de cervídeos, 43 de bovinos e três de urso-pardo. Nas pontas de farpas finas predominam os ossos longos de cervídeos, escolha que os autores veem como provavelmente deliberada, apesar de outros grandes ungulados viverem na região. Nas de farpas grandes, a parcela feita de costelas de bovino sobe de 6% para 93%, e o urso aparece pela primeira vez. Como os bisões da região já tinham desaparecido, os autores deduzem que essas costelas eram de uro, e dizem que as peças são das últimas lembranças da espécie nas ilhas dinamarquesas, que sumiu de lá por volta de 7000 cal. AP. (Jensen et al. 2020)
Lâminas por pressão e pontas ranhuradas
Por muito tempo se acreditou que as pontas de farpas grandes tinham surgido antes dos primeiros sinais de indústria de lâminas por pressão na Dinamarca, em torno de 9000 cal. AP. Uma data nova, de uma ponta ranhurada achada em Fugle Å, perto de Ulkestrup Lyng, em Store Åmose (8360 ± 55 anos 14C), mostra que o lascamento por pressão é contemporâneo do reaparecimento das pontas grandes. As lâminas por pressão serviam de gume em pontas de osso ranhuradas. Os autores veem a difusão da técnica por Escânia até a Dinamarca, a partir de influências da Suécia, e citam a análise de Huseby Klev, onde a tecnologia aparece em contexto de 10.040–9610 cal. AP. (Jensen et al. 2020; Kashuba et al. 2019)
O fim das farpas e o começo do Kongemose
A maioria das pontas de farpas grandes pertence à cultura Maglemose, mas sete datas entram no início do Kongemose (c. 8500–7400 cal. AP), depois do qual pontas simples, sem farpas, parecem ter sido preferidas, ao menos no centro da Escânia. A passagem coincide com a chegada de armas de ponta trapezoidal. Os autores dizem que há mais de uma explicação e as deixam em aberto: reorganização econômica, com as comunidades indo para as costas, ou chegada de novos migrantes. Sinalizam ainda que a datação do período do hiato em outras partes da Europa, como a Finlândia oriental e a Alemanha central, mostra lacunas semelhantes. (Jensen et al. 2020)
Fontes
- Jensen, Theis Zetner Trolle; Sjöström, Arne; Fischer, Anders; Rosengren, Erika; Lanigan, Liam Thomas; Bennike, Ole; Richter, Kristine Korzow; Gron, Kurt Joseph; Mackie, Meaghan; Mortensen, Morten Fischer; et al. (2020). "An integrated analysis of Maglemose bone points reframes the Early Mesolithic of Southern Scandinavia". Scientific Reports 10: 17244, publicado em 14 out. 2020. DOI 10.1038/s41598-020-74258-8. Texto integral via Europe PMC (PMC7560828), lido em texto bruto em 30/10/2026. Autoria principal ligada à Universidade de Copenhague. Acessar
- Kashuba, Natalija; Kırdök, Emrah; Damlien, Hege; Manninen, Mikael A.; Nordqvist, Bengt; Persson, Per; Götherström, Anders (2019). "Ancient DNA from mastics solidifies connection between material culture and genetics of mesolithic hunter–gatherers in Scandinavia". Communications Biology 2: 185, publicado em 15 mai. 2019. DOI 10.1038/s42003-019-0399-1. Texto integral via Europe PMC (PMC6520363), lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Mount Sandel (Irlanda do Norte): as grandes cabanas de c. 7700 a.C. e o povoamento da Irlanda c. 7700 cal a.C. para o uso das grandes cabanas, segundo Bayliss e Woodman (2009) citados por Little e outros (2017); ano astronômico = −7700 + 1 = −7699
- Casas mesolíticas à beira do Lago de Ancylus, em Östergötland (Suécia), de c. 7800 a.C., e a crítica ao modelo de mobilidade sazonal c. 7800–6000 cal a.C.: a primeira fase de Kränge, com duas construções, é de 7800–7140 cal a.C. segundo Carlsson (2017); o autor diz que a ocupação seguiu quase contínua até c. 6000 cal a.C.; anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Indivíduo Hum2 de Hummervikholmen (sudoeste da Noruega): homem mesolítico de c. 7502–7325 a.C., com genoma de 4× de cobertura Restos datados em 9452–9275 cal. AP (2 sigma, probabilidade combinada das amostras de Hummervikholmen, corrigida pelo reservatório marinho), isto é, 7502–7325 a.C. (ano astronômico −7502 a −7325), segundo Günther et al. (2018). A faixa vale também para Hum1; o registro vai do início ao fim dela, e a data de nascimento é desconhecida
- Alcatrão de casca de bétula mascado em Huseby Klev (oeste da Suécia): adesivo de ferramentas e DNA de três pessoas, c. 7930–7590 a.C. Amostras de alcatrão mascado datadas em 9880–9540 cal. AP (Kashuba et al. 2019), isto é, 7930–7590 a.C. (ano astronômico −7930 a −7590); o contexto do poço fundo é datado em 10.040–9610 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa das amostras
- Alinhamento de fossas de Warren Field, em Crathes (Aberdeenshire, Escócia): um possível medidor luni-solar do tempo, no início do 8º milênio a.C. Início do 8º milênio a.C. (Gaffney et al. 2013): as 12 fossas já estariam cavadas e o monumento teria a forma final "no início do 8º milênio a.C.", em torno de 8000 a.C. (ano astronômico −7999). A faixa de radiocarbono das fossas está em Murray et al. (2009), não lido, e a construção pode ter começado antes
- Blick Mead (Inglaterra): caçadores-coletores junto à nascente do Avon desde c. 8000 a.C. e o debate sobre a paisagem de Stonehenge 8000–3400 a.C. (datas 'BCE' no artigo, para a atividade humana no sítio), segundo Hudson e outros (2022); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1; o próprio artigo diz 'cerca de 4000 anos' de uso