Mount Sandel (Irlanda do Norte): as grandes cabanas de c. 7700 a.C. e o povoamento da Irlanda
c. 7700 cal a.C. para o uso das grandes cabanas, segundo Bayliss e Woodman (2009) citados por Little e outros (2017); ano astronômico = −7700 + 1 = −7699 · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Mount Sandel, em Coleraine (Irlanda do Norte), guarda uma sequência de cabanas e fossas de caçadores-coletores mesolíticos e as datas de radiocarbono mais antigas do Mesolítico da ilha, segundo Bayliss e Woodman (2009). Little e colegas (2017) tratam o uso das grandes cabanas, por volta de 7700 a.C., como a primeira evidência arqueológica substancial de povoamento da Irlanda, que já recebera visitas bem anteriores, talvez só exploratórias. A redatação bayesiana indica que a fase principal de construção das cabanas durou talvez só uma ou duas gerações.
Antes das cabanas: ossos de urso com marcas de corte
Little e colegas dizem que a presença humana na Irlanda é conhecida desde o Tardiglaciar por datas recentes de ossos de urso-pardo de cavernas do oeste da ilha (Dowd e Carden, 2016). Uma patela cortada da caverna Alice and Gwendoline, no condado de Clare, data de c. 10.800–10.500 cal a.C., quase no começo do Dryas Recente, e uma vértebra com marcas de corte da caverna Catacombs, também em Clare, de 9080–8400 cal a.C., mostra a atividade humana mais antiga do Holoceno na Irlanda. Os autores acrescentam que pouco se sabe do contexto humano desses achados. (Little et al. 2017)
As cabanas e a cronologia bayesiana
Segundo o resumo de Bayliss e Woodman (2009), Mount Sandel é há muito um sítio emblemático do Mesolítico irlandês, com uma sequência de cabanas e fossas e as datas de radiocarbono mais antigas da ilha para o período. Little e colegas citam o modelo desses autores para as 'pequenas fossas': criadas em 7720–7595 cal a.C. e preenchidas em 7630–7535 cal a.C. Eles alertam que o modelo supõe que a fossa onde estavam os machados polidos foi escavada na mesma época das outras fossas datadas, sem datas nem estratigrafia que o confirmem para essa fossa específica. (Little et al. 2017; Bayliss e Woodman 2009)
Hermitage: a cremação mais antiga registrada na Irlanda
No sítio de Hermitage, perto de Castleconnell, condado de Limerick, na margem do Shannon, Little e colegas descrevem duas cremações e uma provável terceira. A fossa A, de um adulto, data de 7530–7320 cal a.C., e os autores a apresentam como o sepultamento e o conjunto funerário mais antigos registrados na Irlanda; a fossa B, de outro adulto, de 7090–7030 cal a.C.; a fossa C, de fragmentos mínimos, de 6610–6370 cal a.C. Na fossa A havia uma enxó (adze) totalmente polida, que os autores consideram o mais antigo exemplar seguramente datado do tipo na Europa e que teria sido embotada de propósito antes do sepultamento. Eles dizem que só duas ocorrências do Mesolítico Antigo irlandês têm tratamento dos mortos: Hermitage e a caverna de Killuragh. (Little et al. 2017)
Fontes
- Little, Aimée; van Gijn, Annelou; Collins, Tracy; Cooney, Gabriel; Elliott, Ben; Gilhooly, Bernard; Charlton, Sophy; Warren, Graeme (2017). "Stone Dead: Uncovering Early Mesolithic Mortuary Rites, Hermitage, Ireland". Cambridge Archaeological Journal 27(2): 223–243 (publicado online em 2016). DOI 10.1017/S0959774316000536. Texto bruto lido no PDF depositado no repositório da Universidade de Newcastle (https://doi.org/10.25405/ncl.34390677, arquivo figshare 69975879), baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026; a numeração de páginas da versão impressa não foi conferida. Acessar
- Bayliss, Alex; Woodman, Peter (2009). "A New Bayesian Chronology for Mesolithic Occupation at Mount Sandel, Northern Ireland". Proceedings of the Prehistoric Society 75: 101–123. DOI 10.1017/S0079497X00000311. Só o resumo foi lido, na página do repositório da Universidade de Stirling (http://hdl.handle.net/1893/28550), baixada com curl e extraída com texto.py, em 30/10/2026; o texto integral está sob embargo e não foi lido. Acessar
Na mesma região
- Pontas de osso de farpas grandes do Maglemosiano tardio (Dinamarca e Escânia), c. 7700–6500 a.C.: costelas de uro e lâminas por pressão Pontas de farpas grandes datadas em 9658–8413 cal. AP (95,4%), isto é, 7708–6463 a.C. (ano astronômico −7708 a −6463), segundo Jensen et al. (2020); eles situam o reaparecimento das pontas após o hiato em c. 9650 cal. AP. O registro vai do início ao fim dessa faixa. A tradição das pontas farpadas como um todo é mais antiga (pontas de farpas finas, c. 11.200–10.100 cal. AP) e não é o tema deste registro
- Casas mesolíticas à beira do Lago de Ancylus, em Östergötland (Suécia), de c. 7800 a.C., e a crítica ao modelo de mobilidade sazonal c. 7800–6000 cal a.C.: a primeira fase de Kränge, com duas construções, é de 7800–7140 cal a.C. segundo Carlsson (2017); o autor diz que a ocupação seguiu quase contínua até c. 6000 cal a.C.; anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Indivíduo Hum2 de Hummervikholmen (sudoeste da Noruega): homem mesolítico de c. 7502–7325 a.C., com genoma de 4× de cobertura Restos datados em 9452–9275 cal. AP (2 sigma, probabilidade combinada das amostras de Hummervikholmen, corrigida pelo reservatório marinho), isto é, 7502–7325 a.C. (ano astronômico −7502 a −7325), segundo Günther et al. (2018). A faixa vale também para Hum1; o registro vai do início ao fim dela, e a data de nascimento é desconhecida
- Alcatrão de casca de bétula mascado em Huseby Klev (oeste da Suécia): adesivo de ferramentas e DNA de três pessoas, c. 7930–7590 a.C. Amostras de alcatrão mascado datadas em 9880–9540 cal. AP (Kashuba et al. 2019), isto é, 7930–7590 a.C. (ano astronômico −7930 a −7590); o contexto do poço fundo é datado em 10.040–9610 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa das amostras
- Alinhamento de fossas de Warren Field, em Crathes (Aberdeenshire, Escócia): um possível medidor luni-solar do tempo, no início do 8º milênio a.C. Início do 8º milênio a.C. (Gaffney et al. 2013): as 12 fossas já estariam cavadas e o monumento teria a forma final "no início do 8º milênio a.C.", em torno de 8000 a.C. (ano astronômico −7999). A faixa de radiocarbono das fossas está em Murray et al. (2009), não lido, e a construção pode ter começado antes
- Blick Mead (Inglaterra): caçadores-coletores junto à nascente do Avon desde c. 8000 a.C. e o debate sobre a paisagem de Stonehenge 8000–3400 a.C. (datas 'BCE' no artigo, para a atividade humana no sítio), segundo Hudson e outros (2022); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1; o próprio artigo diz 'cerca de 4000 anos' de uso