Alinhamento de fossas de Warren Field, em Crathes (Aberdeenshire, Escócia): um possível medidor luni-solar do tempo, no início do 8º milênio a.C.
Início do 8º milênio a.C. (Gaffney et al. 2013): as 12 fossas já estariam cavadas e o monumento teria a forma final "no início do 8º milênio a.C.", em torno de 8000 a.C. (ano astronômico −7999). A faixa de radiocarbono das fossas está em Murray et al. (2009), não lido, e a construção pode ter começado antes · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo Gaffney e colegas (2013), um alinhamento de doze fossas escavado em Warren Field, perto de Crathes, tem forma de arco e tamanhos crescentes até o centro, e foi concluído pelo início do 8º milênio a.C., por caçadores-coletores. Os autores propõem que as fossas imitavam as fases da Lua e que uma fossa deslocada marcava o nascer do Sol no solstício de inverno, o que faria do conjunto o mais antigo medidor de tempo conhecido. É uma hipótese que eles próprios chamam de ainda não provada.
O que foi escavado
Segundo Gaffney e colegas (2013), o alinhamento de Warren Field fica perto do salão de madeira neolítico de Crathes, descoberto em 1976 como marca de cultivo em fotografia aérea; o salão é da primeira metade do 4º milênio a.C. e as fossas são bem mais antigas. São 12 fossas certas, em três trechos em arco, com as menores nas pontas e as maiores, algumas com mais de 2 m de diâmetro, no centro. A nº 5 é a maior e a nº 6 está deslocada para o sul do arco. Há ainda três buracos de poste não datados. Algumas fossas foram recortadas por um longo tempo, e seis das oito escavadas tiveram a última fase no Neolítico, cerca de quatro mil anos após a construção original. (Gaffney et al. 2013)
O argumento do Sol e da Lua
Programas de computador (Pitview e Passview) testaram a relação entre as fossas, o relevo e os astros. Em torno de 8000 a.C., a passagem de Slug Road, entre as colinas de Cairn-Mon-Earn e Craigberg, enquadrava o nascer do Sol no solstício de inverno visto de Warren Field, e o ponto é a maior área contígua com essa vista. Para os autores, os tamanhos das fossas lembram a sequência de crescente, cheia e minguante, talvez numa divisão do mês em dez dias. Como há 12 fossas e 12 ou 13 meses lunares num ano, cada fossa poderia marcar um mês, com a fossa 6 usada para a correção anual; as fossas 5 e 6 tiveram estacas ou postes. Eles dizem que o conjunto não representa luas observadas uma a uma. (Gaffney et al. 2013)
Sociedade de caçadores-coletores e monumentos
O artigo situa o achado num quadro em que os caçadores-coletores mesolíticos da Grã-Bretanha e da Irlanda deixam de ser vistos como grupos pequenos e simples. Na região há grandes concentrações de pedra lascada e recursos sazonais, como as migrações de peixes, que podem ter sustentado uma população grande e talvez semissedentária. Os autores citam o conjunto de três fossas do estacionamento de Stonehenge, do início do 9º milênio, como o paralelo mais conhecido, e Göbekli Tepe, na Turquia, como exemplo de monumento de caçadores-coletores. Dizem que o sítio é melhor descrito, como já fizeram os escavadores, como um monumento mesolítico do que como um simples alinhamento de fossas. (Gaffney et al. 2013)
Sítios comparáveis e limites da hipótese
Para saber se o arranjo é coincidência, os autores buscaram sítios parecidos no nordeste da Escócia e escolheram dois, Balendoch e Arrat, conhecidos por fotografias aéreas de marcas de cultivo. Segundo eles, ambos têm características muito semelhantes às de Warren Field, com a vista principal para o sudeste e o nascer do Sol no solstício de inverno, e sugerem um possível grupo de monumentos ainda não identificado; admitem que escavação ou prospecção detalhada pode refutar a semelhança. O texto reconhece que a pesquisa ambiental é decisiva: o pólen vem de cinco amostras de um só contexto (fossa 5) e pode não representar bem um monumento de longa duração. Na conclusão, os autores chamam o sítio de ponto próximo ao início do tempo conceitual nessa parte da Escócia. (Gaffney et al. 2013)
Fontes
- Gaffney, Vincent; Fitch, Simon; Ramsey, Eleanor; Yorston, Ron; Ch'ng, Eugene; Baldwin, Eamonn; Bates, Richard; Gaffney, Christopher; Ruggles, Clive; Sparrow, Tom; McMillan, Anneley; Cowley, Dave; Fraser, Shannon; Murray, Charles; Murray, Hilary; Hopla, Emma; Howard, Andy (2013). "Time and a Place: A luni-solar 'time-reckoner' from 8th millennium BC Scotland". Internet Archaeology 34. DOI 10.11141/ia.34.1. Resumo e seções 1 a 7 lidos em texto bruto em 30/10/2026 (intarch.ac.uk). Autoria ligada às universidades de Birmingham, St Andrews, Bradford e Leicester e a órgãos escoceses. Acessar
Na mesma região
- Blick Mead (Inglaterra): caçadores-coletores junto à nascente do Avon desde c. 8000 a.C. e o debate sobre a paisagem de Stonehenge 8000–3400 a.C. (datas 'BCE' no artigo, para a atividade humana no sítio), segundo Hudson e outros (2022); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1; o próprio artigo diz 'cerca de 4000 anos' de uso
- Alcatrão de casca de bétula mascado em Huseby Klev (oeste da Suécia): adesivo de ferramentas e DNA de três pessoas, c. 7930–7590 a.C. Amostras de alcatrão mascado datadas em 9880–9540 cal. AP (Kashuba et al. 2019), isto é, 7930–7590 a.C. (ano astronômico −7930 a −7590); o contexto do poço fundo é datado em 10.040–9610 cal. AP. O registro vai do início ao fim da faixa das amostras
- Casas mesolíticas à beira do Lago de Ancylus, em Östergötland (Suécia), de c. 7800 a.C., e a crítica ao modelo de mobilidade sazonal c. 7800–6000 cal a.C.: a primeira fase de Kränge, com duas construções, é de 7800–7140 cal a.C. segundo Carlsson (2017); o autor diz que a ocupação seguiu quase contínua até c. 6000 cal a.C.; anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Canoa de Pesse (Drenthe, Países Baixos): tronco de pinheiro escavado de c. 8240–7585 a.C., tido como o barco mais antigo do mundo Datação radiocarbônica de 8760 ± 145 BP (média ponderada de GrN-486, 8270 ± 275 BP, e GrN-6257, 8825 ± 100 BP, do mesmo pedaço de madeira), segundo Beuker e Niekus (1997). Calibração feita para o atlas na curva IntCal20, a 2 sigma: cerca de 8240–7585 a.C. (ano astronômico −8240 a −7585). Cálculo próprio, não publicado; textos holandeses e a literatura geral citam outras faixas (ver pendências)
- Segunda migração para a Escandinávia, vinda do nordeste pela costa atlântica da Noruega (hipótese genética e das lâminas por pressão) c. 10 200 cal AP (c. 8250 a.C. em ano astronômico, 1950 − 10 200): primeira aparição, no norte da Escandinávia, da técnica de lâminas por pressão, que Günther e outros ligam a essa migração; o momento da chegada em si não é datado pelas fontes
- Pontas de osso de farpas grandes do Maglemosiano tardio (Dinamarca e Escânia), c. 7700–6500 a.C.: costelas de uro e lâminas por pressão Pontas de farpas grandes datadas em 9658–8413 cal. AP (95,4%), isto é, 7708–6463 a.C. (ano astronômico −7708 a −6463), segundo Jensen et al. (2020); eles situam o reaparecimento das pontas após o hiato em c. 9650 cal. AP. O registro vai do início ao fim dessa faixa. A tradição das pontas farpadas como um todo é mais antiga (pontas de farpas finas, c. 11.200–10.100 cal. AP) e não é o tema deste registro