Alcuíno de York (Alcuinus, Albinus Flaccus), mestre nortúmbrio, conselheiro de Carlos Magno e abade de Tours, c. 733–804
nasceu na Nortúmbria por volta de 730 a 735; morreu em Tours em 19 de maio de 804 · Europa Ocidental e do Norte
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Segundo Heinz Löwe (Neue Deutsche Biographie, 1953), Alcuíno saiu da escola catedralícia de York, onde ensinou, e foi convidado por Carlos Magno ao reino franco em 781, onde ficou de vez a partir de 793. Dirigiu a escola da corte e, de 796 em diante, a abadia de São Martinho de Tours, e formou a elite eclesiástica franca, com Rabano Mauro e Eginhardo entre seus alunos. Era diácono e não vivia sob regra rigorosa; por cartas, tratados escolares e revisões litúrgicas e bíblicas moldou a chamada renascença carolíngia.
York e a tradição de Beda
Segundo Löwe, Alcuíno cresceu na escola catedralícia de York, na tradição de saber moldada por Beda (morto em 735), e a levou depois ao reino franco. Dümmler descreve a escola como bem conhecida e com biblioteca rica em autores clássicos e cristãos; ali Alcuíno foi educado sob o arcebispo Egberto (732–766) e Aelbehrt. Acompanhou o mestre numa primeira viagem a Roma, passando pelo mosteiro de Murbach, e em Pavia assistiu a um debate entre o gramático Pedro e um judeu chamado Lullus. Em 766, com Aelbehrt já arcebispo, assumiu a escola, ordenado diácono, grau mais alto que nunca recebeu. (Löwe 1953; Dümmler 1875)
O convite de Carlos Magno
Na viagem a Roma de 781, para pedir o pálio do novo arcebispo Eanbald I, Alcuíno encontrou em Parma o rei Carlos, talvez em março, e prometeu voltar ao reino franco se seus superiores o permitissem (Dümmler). Chegou à corte no início de 782. Para seu sustento o rei lhe entregou mosteiros, entre eles Ferrières e o de São Lupo, em Troyes. Alguns jovens compatriotas o acompanharam ou se juntaram depois como discípulos. Löwe ressalta que ele ensinou primeiro na escola da corte e que, desde 793, ficou de forma definitiva entre os francos. (Dümmler 1875; Löwe 1953)
Tours, a escola e as letras
Em 796, com a abadia de São Martinho vaga, Carlos a passou a Alcuíno como direção efetiva, para fundar ali disciplina moral e intelectual (Dümmler). Ali ele fundou uma escola e fez vir livros de York. Segundo Löwe, formou a camada dirigente da Igreja franca, com Rabano Mauro e Eginhardo entre os alunos, e deu coesão pessoal à nova camada letrada por meio de sua correspondência. A Treccani lista dele poemas, tratados de gramática, retórica e dialética, escritos contra o adocionismo, comentários bíblicos, uma revisão da Vulgata, uma revisão do sacramentário gregoriano e cerca de trezentas cartas. (Löwe 1953; Dümmler 1875; Treccani. "Alcuino di York". Enciclopedia on line)
Adocionismo, Saxões e Avaros
Löwe diz que Alcuíno foi figura de frente nas disputas doutrinárias da Igreja, em especial no combate ao adocionismo espanhol, que Dümmler associa ao bispo Félix de Urgel e ao arcebispo Elipando de Toledo. Em junho de 800, em Aachen, Alcuíno travou uma disputa de sete dias contra Félix e o levou a retratar-se de novo. Löwe registra também que ele criticou a conversão forçada dos saxões, política de Carlos, e que conseguiu, ao menos entre avaros e eslavos, desde 796, um procedimento mais moderado e uma instrução missionária cuidadosa. (Löwe 1953; Dümmler 1875)
Fontes
- Löwe, Heinz (1953). "Alkuin (Alchvine, latinisiert Albinus, Beiname Flaccus)". Neue Deutsche Biographie 1, p. 201. https://www.deutsche-biographie.de/gnd118502026.html#ndbcontent (baixado em 30/10/2026). Acessar
- Dümmler, Ernst (1875). "Alkuin, Alchuine". Allgemeine Deutsche Biographie 1, p. 343-348. https://www.deutsche-biographie.de/gnd118502026.html#adbcontent (baixado em 30/10/2026). Acessar
- Treccani. "Alcuino di York". Enciclopedia on line, Istituto della Enciclopedia Italiana. https://www.treccani.it/enciclopedia/alcuino-di-york/ (baixado em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Batalha de Poitiers ou de Tours (732–733): o fim de uma incursão de Abd al-Rahman al-Ghafiqi na Aquitânia 732 (o Wikidata dá 10 de outubro; a fonte do séc. VIII lida e Collins sugerem 731 ou 733)
- De temporum ratione, de Beda: o tratado sobre a contagem do tempo e o cálculo da Páscoa, escrito em 725 em Nortúmbria escrito em 725, versão ampliada do Liber de temporibus de 703, segundo Plaza Picón e González Marrero (2006)
- Carlos Magno (Karl der Große), rei dos francos e imperador, e a reforma escolar e litúrgica de seu reino, 747–814 nasceu em 2 de abril de 747 (o verbete admite 742); morreu em Aachen em 28 de janeiro de 814
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