Arsaces e a origem do reino parta (c. 247 a.C.): o que contam Estrabão e os ostracos de Nisa
A partir de c. 247 a.C., começo do reinado de Arsaces I, que as fontes lidas dão até 217 a.C. (Wolski, na tabela de Mohammadi Nosudi e Tamari) ou 211 a.C. (Livius); o Livius narra a conquista parta da Pártia em 238–235 a.C. · Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Estrabão, Arsaces, um cita que chefiava dahas aparnos, nômades do rio Oco, invadiu e conquistou a Pártia numa época em que os reis da Síria estavam ocupados em outras frentes; outros diziam que era báctrio e fez a Pártia se revoltar ao fugir de Diódoto. As cerca de 2.500 peças de cerâmica escritas em parta achadas em Nisa, perto de Asgabate, são para os pesquisadores iranianos Mohammadi Nosudi e Tamari documentos de primeira mão que ajudam a refazer a cronologia dos primeiros reis arsácidas, a partir de c. 247 a.C. O Livius, por sua vez, narra a revolta do sátrapa Andragoras contra Seleuco II e a tomada da Pártia pelos parnos.
Estrabão: um cita, ou um báctrio, e a Pártia
Em 11.9.2–3 Estrabão situa a origem do poder parta nas revoltas das terras além do Tauro: primeiro Eutidemo e os seus fizeram a Báctria se separar, depois Arsaces, um cita acompanhado de aparnos, invadiu a Pártia. Diz que, a princípio fraco, ele e seus sucessores cresceram tomando território vizinho por sucessos na guerra, chegaram a tomar parte da Báctria, forçando os citas e, antes, Eucrátides e os seus a ceder, e dominavam muita terra e muitos povos. Atribui o êxito ao modo de vida e aos costumes, em parte bárbaros e citas, mas mais favoráveis à hegemonia e à guerra. O mesmo trecho afirma que o conselho dos partas, segundo Posidônio, tinha dois grupos: parentes do rei e sábios e magos. (Estrabão (Strabo)
O que os ostracos de Nisa são
Segundo Mohammadi Nosudi e Tamari, depois de 1948 uma equipe soviética e italiana escavou Nisa, no Turcomenistão, perto da atual Asgabate, e achou mais de 2.500 ostracos com 2.758 textos de um arquivo, em geral restos de jarros de vinho e vinagre cobrados como tributo de vinhedos, com os dados de entregas de vinho aos palácios por vinhedos de várias regiões, templos ou particulares. As primeiras peças foram lidas pelos irmãos orientalistas M. M. e I. M. Diakonoff e por V. A. Livshits, que mostraram que o texto é parta; o primeiro estudo saiu em 1951 e, em 1960, uma seleção de cerca de 200. Os autores observam que os ostracos cobrem os dois primeiros séculos do império, e que depois do começo do século I d.C. não se fala mais de sua publicação nas regiões orientais. (Mohammadi Nosudi e Tamari 2017)
O que os ostracos dizem sobre os primeiros reis
Os autores citam o trabalho de Józef Wolski, que usou os ostracos para rever a genealogia dos primeiros reis conhecida por autores latinos, e outros estudos, segundo os quais um ostracon dá a genealogia de Fraates I e mostra que Mitrídates I era pai de Sinatruces, e outros ostracos situam Fraates III e um rei de nome Arsaces dezesseis. A tabela que eles apresentam, baseada em hipóteses de Wolski (1974), dá a Arsaces I o reinado de 247 a 217 a.C., a Arsaces II de 217 a 191, a Fripátio de 191 a 176 e a Fraates I de 176 a 171. Os autores, em seguida, propõem como hipótese que a nobreza e as famílias importantes da corte tiveram papel na separação das regiões orientais do império e, assim, em sua queda. (Mohammadi Nosudi e Tamari 2017)
A cronologia segundo o Livius e seus limites
Segundo Lendering, depois da queda do Império Aquemênida a Pártia foi governada pelos selêucidas, que nomeavam seus sátrapas por mais de sessenta anos. O Livius dá Arsaces I como rei de 247 a 211 a.C. e fundador da dinastia, com capital em Hecatômpilo, sucedido pelo filho Artabano, que adotou o nome real Arsaces II. Os primeiros reis arsácidas ainda reconheciam o rei selêucida como superior; só com Mitrídates I, o Grande (165–132 a.C.), os partas conquistaram a Média, a Babilônia e Elam. A página avisa que a cronologia desses reis é menos conhecida do que a dos selêucidas e que se apoia em Assar (2011), então a data de 247 a.C. e as datas de reinado devem ser lidas com essa ressalva. (Lendering et al. 2011; Lendering)
Fontes
- Estrabão (Strabo, de Amásia). Geografia (Geography), livro 11, cap. 8 (seção 8) e cap. 9 (seções 1 a 3). Tradução inglesa de Horace Leonard Jones, The Geography of Strabo, Loeb Classical Library. Londres: William Heinemann; Cambridge, MA: Harvard University Press, 1924–1929, pela edição digital do Perseus Project (Universidade Tufts). https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0099/tlg001/tlg0099.tlg001.perseus-eng3.xml (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Mohammadi Nosudi, Sohayb; Tamari, Nazanin (Universidade de Urmia). "Historical Data in the Ostraca from Nisa" (título em persa: دادههای تاریخی در سفالنوشتههای نسا). Archaeological Research of Iran (Pazhuhesh-ha-ye Bastanshenasi-ye Iran), vol. 7, n. 14, outono de 1396 do calendário persa (2017), pp. 59–87. DOI 10.22084/nbsh.2017.8970.1398 (resolve em doi.org). https://nbsh.basu.ac.ir/article_2092.html (resumo e PDF baixados e lidos em texto bruto em 29/10/2026; o texto completo está em persa). Acessar
- Lendering, Jona. "Arsaces I". Livius.org, Articles on ancient history; página criada em 2018, última modificação em 21 de abril de 2020 (marcada como esboço); cita G. R. F. Assar, "Iran under the Arsakids, 247 BC – AD 224/227", Numismatic Art of Persia (2011). https://www.livius.org/articles/person/arsaces-i/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Lendering, Jona. "Parthia". Livius.org, Articles on ancient history; página criada em 2001, última modificação em 24 de setembro de 2020. https://www.livius.org/articles/place/parthia/ (baixada e lida em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Canais subterrâneos do deserto entre a Média e a Pártia (qanats), segundo Políbio c. 210 a.C. (testemunho de Políbio sobre a campanha de Antíoco III, que uma nota do tradutor data entre 212 e 205 a.C.); a construção dos canais é anterior e sem data
- Patroclo: general e geógrafo de Seleuco I e Antíoco I e o mar Cáspio como golfo do oceano c. 345 – c. 270 a.C. (Wikidata); Estrabão o situa sob os reis Seleuco Nicátor e Antíoco Sóter, sem dar datas
- Persépolis c. 510 a.C. a 330 a.C. (Wikidata)
- Sínodo de Isaque em Selêucia-Ctesifonte (410): a organização da Igreja do Oriente sob o rei Yazdgerd I, segundo as próprias atas janeiro–fevereiro de 410 (bispos chegam na festa da Epifania, no mês de kanun II; primeira sessão na terça-feira, 1º de fevereiro, segundo a nota de Chabot)
- Sínodo de Acácio em Selêucia (486): casamento do clero, ascetas itinerantes e a fórmula das duas naturezas na Igreja do Oriente fevereiro de 486 (mês de shebat do 2º ano do rei Balash; data estabelecida por Chabot em nota)
- Kavad I e os mazdaquitas (c. 488–498): o movimento por bens e mulheres em comum e a queda do rei, segundo Tabari e Josué, o Estilita c. 488–498: do primeiro ano de Kavad I (que começa em 22 de julho de 488, segundo Nöldeke) até o ano em que ele retoma o trono (início do 11º ano contado em suas moedas: 20 de julho de 498)