Canais subterrâneos do deserto entre a Média e a Pártia (qanats), segundo Políbio
c. 210 a.C. (testemunho de Políbio sobre a campanha de Antíoco III, que uma nota do tradutor data entre 212 e 205 a.C.); a construção dos canais é anterior e sem data · Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Ao narrar a marcha de Antíoco III contra o rei parta Arsaces, Políbio descreve um deserto entre a Média e a Pártia sem água na superfície, mas com muitos canais subterrâneos servidos por poços cavados em pontos que os forasteiros não conhecem. Segundo a tradição conservada entre os habitantes, no tempo do domínio persa a terra foi cedida em usufruto por cinco gerações a quem levasse água a locais secos, e essas pessoas fizeram, com muito esforço e despesa, canais que trazem a água dos rios que descem do Tauro. Arsaces mandou entupir os poços para deter Antíoco, que enviou cavaleiros para impedi-lo e atravessou o deserto.
O deserto entre a Média e a Pártia
Políbio (X.28) conta que, na guerra de Antíoco, o Grande, contra o rei parta Arsaces, este esperava que o selêucida chegasse até a Média, mas não se arriscasse a cruzar o deserto vizinho com um exército tão grande, por falta de água. Nessa região, diz o texto, não aparece água na superfície, embora haja muitos canais subterrâneos, com poços abertos em pontos do deserto desconhecidos de quem não é da terra. O trecho vem logo depois da descrição da Média, de Ecbatana e de seu palácio. (Políbio. The Histories)
Como são os canais, segundo Políbio
Os canais seguem por um longo trecho de terra e são alimentados, segundo o relato, por muitos rios caudalosos que descem do monte Tauro. Foram feitos "com infinito esforço e despesa", e tão bem que as pessoas que hoje usam a água ignoram de onde ela vem. Os poços verticais descem até os canais; é o único elemento técnico que o texto menciona, e Políbio não fala de inclinação, de ferramentas, da profundidade ou de quem cavava. (Políbio. The Histories)
A tradição das cinco gerações
Segundo Políbio, um relato verdadeiro conservado entre os nativos diz que, durante a supremacia persa, os persas concederam o gozo dos lucros da terra, por cinco gerações, aos habitantes de alguns distritos sem água, com a condição de que levassem água fresca até lá. Foi nessas condições, diz o relato, que esses habitantes construíram os canais subterrâneos. O texto não diz quem, entre os persas, fez a concessão nem em que ano; é a única referência do trecho a quem fez os canais e ao arranjo de direitos. (Políbio. The Histories)
Poços entupidos e a travessia
Quando Arsaces viu que Antíoco estava decidido a atravessar o deserto, tentou entupir e estragar os poços. Antíoco, avisado, enviou Nicomedes com mil cavaleiros; estes acharam que Arsaces já se retirara com o grosso do exército, mas surpreenderam parte de sua cavalaria entupindo os poços, a puseram em fuga e voltaram. Segundo Políbio, o rei cruzou o deserto e chegou a Hecatômpilo, cidade que ele situa no centro da Pártia e cujo nome, diz, vem do fato de os caminhos para todos os distritos se encontrarem ali. (Políbio. The Histories)
Fontes
- Políbio. The Histories, livro X, cap. 28. Trad. Evelyn S. Shuckburgh. Londres e Nova York: Macmillan and Co., 1889. Perseus Digital Library (Tufts University), arquivo tlg0543.tlg001.perseus-eng2, consultado em 29/10/2026. https://raw.githubusercontent.com/PerseusDL/canonical-greekLit/master/data/tlg0543/tlg001/tlg0543.tlg001.perseus-eng2.xml Acessar
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- Persépolis c. 510 a.C. a 330 a.C. (Wikidata)
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