Persépolis
c. 510 a.C. a 330 a.C. (Wikidata) · Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Cidade cerimonial do Império Aquemênida, no atual Irã, iniciada por volta de 510 a.C. Deixou de ser centro do império em 330 a.C., com a conquista macedônica.
Uma plataforma construída para receber o império
Segundo a UNESCO, Persépolis assenta no sopé do Kuh-e Rahmat (Monte da Misericórdia), no sudoeste do Irã, sobre um terraço meio natural, meio artificial, de c. 13 ha, iniciado por volta de 518 a.C. por Dario I. Sobre ele, Dario, seu filho Xerxes I e seu neto Artaxerxes I ergueram o conjunto de acessos monumentais, escadarias duplas, salas do trono e de recepção e dependências, entre elas a Apadana e o Salão das Cem Colunas. A UNESCO observa que o plano se inspirou em modelos mesopotâmicos e que a cidade foi concebida sobretudo como vitrine, para as recepções e festas do rei e do império, embora tenha sido também sede de governo. Os arquitetos aquemênidas usaram tetos leves e vigas de madeira para sustentar espaços abertos com poucas colunas muito esbeltas, de c. 1,60 m de diâmetro e cerca de 20 m de altura, coroadas por capitéis com a parte dianteira de dois touros ajoelhados. (UNESCO, lista nº 114)
As delegações da Apadana e a cena de audiência
Segundo Duffy (2024), a Apadana, a maior construção do conjunto, teve a obra iniciada por volta de 515 a.C., a partir do texto de fundação e de moedas associadas. Nas fachadas das escadarias norte e leste, dois grandes relevos espelhados mostravam o rei entronizado, com cetro e flor de lótus, o príncipe herdeiro atrás e cortesãos e guardas ao redor. Nas alas vizinhas, nobres persas aguardam e, em três registros, 23 delegações de povos do império, distinguidas por trajes e presentes, avançam em direção ao painel central. Para Duffy, o conjunto transmite uma retórica de integração serena e de colaboração entre os povos. Os painéis foram depois transferidos para o Tesouro, provavelmente sob Artaxerxes I, e substituídos por guardas; o motivo disso não está claro. Uma cena de audiência mais compacta aparece nos batentes do Salão das Cem Colunas. (Duffy 2024; UNESCO, lista nº 114)
A imagem do rei viaja em selos e túmulos
A mesma fórmula da audiência circulou por meios portáteis. Duffy (2024) lembra que um selo do Arquivo das Fortificações de Persépolis (PFS 22) traz figura sentada com cetro e lótus recebendo um visitante, e que cenas de audiência femininas, com mulheres da elite persa entronizadas, também aparecem em selos de Persépolis. Em Dascílio, capital satrápica da Frígia helespôntica, impressões de selo repetem de perto a cena do Salão das Cem Colunas. Na Lícia, o dinasta Erbinna, em Xanto, usou o motivo em seu túmulo para se afiliar ao poder do Grande Rei. Fora do império, artistas gregos reelaboraram a cena de modo crítico, como no sarcófago dito de Alexandre. Para Duffy, as adaptações dentro do império foram aspiracionais, e não impostas pelo centro. (Duffy 2024)
O incêndio de 330 a.C. e o que a ciência já mostra
A conquista macedônica encerra o papel de Persépolis como centro do império, e a tradição atribui o incêndio do terraço a Alexandre III em 330 a.C. Amadori et al. (2025), de equipes italianas, norte-americana, japonesa e da Universidade de Shiraz, revisaram os relatos clássicos e os relatórios de escavação e fizeram levantamentos diagnósticos. Concluem que o incêndio é histórico: o Salão das Cem Colunas mostra padrões de deterioração compatíveis com alta temperatura, com camada de cal viva sobre os tambores das colunas, e análises preliminares de termoluminescência indicam um evento de aquecimento no séc. IV a.C. Diatomáceas de água doce podem registrar tentativas locais de combate ao fogo. Os autores pedem mais pesquisa para entender o incêndio e o que veio depois. A UNESCO registra ainda que o conjunto está inscrito na lista nacional iraniana desde 1931 e que as ameaças atuais incluem o crescimento de Marvdasht e indústrias poluentes. (Amadori et al. 2025; UNESCO, lista nº 114)
Fontes
- Briant, P. (2002). From Cyrus to Alexander. Penn State University Press (Eisenbrauns). DOI 10.1515/9781575065748. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Persepolis", lista nº 114. https://whc.unesco.org/en/list/114/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Duffy, L. (2024). "Achaemenid Audience Imagery: An Appraisal of its Aspirational and Subversive Artistic Responses in the Achaemenid Period". Sapiens ubique civis 5: 25–51. DOI 10.14232/suc.2024.5.25-51. Acessar
- Amadori, M. L.; De Giuseppe, I.; Frontalini, F.; Pellegrino, L. et al. (2025). "“Flames Over Persepolis”: New Scientific Evidence Supporting Historical Perspectives". Archaeometry. DOI 10.1111/arcm.70065. Acessar
Na mesma região
- Patroclo: general e geógrafo de Seleuco I e Antíoco I e o mar Cáspio como golfo do oceano c. 345 – c. 270 a.C. (Wikidata); Estrabão o situa sob os reis Seleuco Nicátor e Antíoco Sóter, sem dar datas
- Arsaces e a origem do reino parta (c. 247 a.C.): o que contam Estrabão e os ostracos de Nisa A partir de c. 247 a.C., começo do reinado de Arsaces I, que as fontes lidas dão até 217 a.C. (Wolski, na tabela de Mohammadi Nosudi e Tamari) ou 211 a.C. (Livius); o Livius narra a conquista parta da Pártia em 238–235 a.C.
- Canais subterrâneos do deserto entre a Média e a Pártia (qanats), segundo Políbio c. 210 a.C. (testemunho de Políbio sobre a campanha de Antíoco III, que uma nota do tradutor data entre 212 e 205 a.C.); a construção dos canais é anterior e sem data
- Sínodo de Isaque em Selêucia-Ctesifonte (410): a organização da Igreja do Oriente sob o rei Yazdgerd I, segundo as próprias atas janeiro–fevereiro de 410 (bispos chegam na festa da Epifania, no mês de kanun II; primeira sessão na terça-feira, 1º de fevereiro, segundo a nota de Chabot)
- Sínodo de Acácio em Selêucia (486): casamento do clero, ascetas itinerantes e a fórmula das duas naturezas na Igreja do Oriente fevereiro de 486 (mês de shebat do 2º ano do rei Balash; data estabelecida por Chabot em nota)
- Kavad I e os mazdaquitas (c. 488–498): o movimento por bens e mulheres em comum e a queda do rei, segundo Tabari e Josué, o Estilita c. 488–498: do primeiro ano de Kavad I (que começa em 22 de julho de 488, segundo Nöldeke) até o ano em que ele retoma o trono (início do 11º ano contado em suas moedas: 20 de julho de 498)