Bandeiras paulistas e a escravização de indígenas (surto de 1628–1641)
1628–1641 (surto bandeirante, segundo Monteiro, via Peixoto 1995) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Expedições de colonos de São Paulo ao sertão capturaram milhares de indígenas, os chamados negros da terra, para trabalhar no planalto paulista. Segundo Monteiro, o surto bandeirante se concentrou entre 1628 e 1641, com ataques que incluíam mulheres e crianças.
Do apresamento violento à Administração oficial
Ao resenhar o livro de John Monteiro, Peixoto (1995) lembra que houve um surto bandeirante entre 1628 e 1641, com caça violenta a indígenas, mulheres e crianças inclusive, chamados na época de "negros da terra". Ramos (2022) mostra que o apresamento foi uma atividade econômica central de São Paulo e que a escravização indígena, proibida em sentido estrito pela Coroa, criou uma contradição na sociedade colonial. Ele cita o relato dos jesuítas Mansilla e Maceta, na Bahia em 1629, sobre os ataques de Raposo Tavares ao Guairá em 1628, e uma carta do governador do Paraguai, de 1676, dizendo que paulistas tinham tomado três vilas. A saída legal foi a Administração, oficializada em 1696, depois de uma lei de 1663 que deu o controle às Câmaras. Vieira escreveu um voto contrário a ela. Para Ramos, venceu a administração particular, em detrimento do ideal missionário de catequese. (Peixoto 1995; Ramos 2022)
Quem foi apresado e como resistiu
Segundo Ramos (2022), os Guarani Mbya foram a maioria dos apresados. Os indígenas do planalto aparecem nos documentos como "almas do gentio", e "resgate" era um nome usado para o apresamento. Em inventários, muitos aparecem só com um nome cristão, sem sobrenome. Em volta de São Paulo formou-se um arco de aldeamentos: aldeias jesuíticas, como Embu, Carapicuíba, Itapecerica e Itaquaquecetuba, e aldeias d'El Rey, como Pinheiros, São Miguel, Barueri e Guarulhos. Peixoto (1995), sobre Monteiro, vê nos aldeamentos ao mesmo tempo proteção e controle, e destaca rebeliões e fugas dos próprios indígenas. Ramos fala em "resistência adaptativa": refugiar-se nas aldeias foi uma das formas de resistir. O artigo resume o processo como um genocídio indígena, ainda que marcado por formas específicas de resistência. (Peixoto 1995; Ramos 2022)
O bandeirante como monumento e como disputa
A tese de Waldman (2018) trata o bandeirante como figura construída: nos anos 1920, "bandeirante" virou quase sinônimo de paulista, e a "epopeia bandeirante" foi elaborada pela historiografia e pela arte, como discutem as obras de Abud (1985) e Ferreira (2002) que ela comenta. Os monumentos expressam essa imagem: o Monumento às Bandeiras, de Brecheret, esboçado em 1920 e concluído em 1953, e a estátua de Borba Gato, inaugurada em 1963. Os dois foram cobertos de tinta em 30 de setembro de 2016. A tese também registra que, em 2013, indígenas Guarani tomaram o Monumento às Bandeiras e o transformaram em "Monumento à resistência guarani". A obra não é de autoria indígena, mas documenta essas ações. (Waldman 2018)
Fontes
- Peixoto, F. (1995). "Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo" (resenha do livro de J. M. Monteiro, 1994). Revista de Antropologia 38(2): 241–243. DOI 10.11606/2179-0892.ra.1995.111575. Acessar
- Ramos, A. M. (2022). "Processos históricos da instituição da administração indígena em São Paulo colonial". Conjecturas 22(1): 1056–1069. DOI 10.53660/conj-519-816. Acessar
- Waldman, T. C. (2018). Entre batismos e degolas: (des)caminhos bandeirantes em São Paulo. Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2018.tde-10102018-150420. Acessar
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